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Através do véu

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Que tentáculos envolventes  nos prendem às ideias já prontas em nossa mente? Mente quem diz não as ter. Todos têm. Tudo pronto, como salgadinho de supermercado. Pois fica um recado: descobrimos todos os dias que, o que está pronto será desfeito, pois não é perfeito, como a perfeição que buscamos. Continuamos buscando o que não alcançamos, e nos decepcionamos, porque o que nos é de direito já está nos olhando. Que alma inquieta, sôfrega e hiperativa que fica achando que ainda não encontrou o encontrado, que não viveu o já vivido, não amou o já amado?  Que ser de outro mundo fica olhando para o mesmo lugar comum e vê inúmeras faces, que ainda não tinham sido reveladas?  Quem será capaz de se lembrar do ontem com total nitidez, enumerar pormenores e rir do que já foi “rido”? Será possível alguém assim ser aceito na sociedade dos comuns, exército bem planejado e perfilado? Só sei que navegaremos mares de solidão, veremos os oásis dos desertos alheios, sonharemos com o improvável e veremos através da cortina estendida nos olhos da multidão, mas para quem nasceu com alma de outro mundo, a cortina é um fino véu. Continuaremos a tocar o céu, enquanto não é permitido erguer-se da terra, enquanto nossa palavra berra no inaudível dos corações petrificados. Viva os doidos, lunáticos e apaixonados, pois a esse grupo pertence a plenitude da vida, a compreensão do oculto e a beleza do mundo invisível.

Por: Deisi Porto

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