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[ENTREVISTA] Aliedson Lima, autor de "Elogio do Instante"

Aliedson Lima | Acervo Pessoal | Divulgação

Aliedson Lima nasceu em Paulo Afonso – BA e vive desde então em Canindé de São Francisco – SE. Baiano para os registros, mas sergipano para a vida. É escritor, poeta, contista e músico (compositor e instrutor musical). O livro Elogio do Instante, um romance, é o seu primeiro publicado. 

1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

R: Não diria destino. Tudo começa com aquelas coisas que escrevemos bem cedo. Aquelas que só descobrimos mais tarde que era um poema, uma poesia... Mas, no meu caso, houve um evento em especial que demarcou um ponto de transição. No terceiro ano do Ensino Médio, diziam que eu era um bom aluno em português, redação e literatura. Fui encarregado de adaptar Vidas Secas para uma peça teatral – essa disputaria com outras em um concurso literário do colégio. Como não sabia o peso da responsabilidade, aceitei. Adaptei. Não ficou boa, óbvio – só hoje posso afirmar. Mas aquilo me deu um certo prazer como criador que, apesar de outras coisas escritas, posso considerar como o impulso inicial.

2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

R: No caso de meu livro Elogio do Instante, os personagens principais vieram de algumas pessoas que estão próximas a mim (ou estiveram). Quanto aos personagens secundários, o enredo os pediram e eu os criei. Agora é só saber o que é principal e o que é secundário. 

3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

R: O primeiro romance que li foi Helena, do Machado de Assis. Poderia ter parado ali, mas estou aqui. Devo algo a ele. Devo a Nietzsche e Sartre muito de como me projeto para o mundo. A Drummond aprendi a me reconhecer como indivíduo de meu tempo – e, principalmente, que a poesia é mais que meus gemidos. Todo escritor/poeta que conheceu Rimbaud deve algo a ele – mesmo que não saiba. Com um pouco de Henry Miller percebi o “corpo”. Ultimamente, Camus também está me dizendo algo. E, como já disse, Graciliano Ramos foi meu trampolim. De certa forma, é justo afirmar que minha escrita deve algo a cada um deles e a outros não citados.

4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

R: Meu livro acaba de ser lançado. Apesar de umas dezenas de exemplares vendidos, ainda não conheci ninguém pessoalmente através de meu livro. Lembrei agora de umas amigas de uma leitora minha. Leram também e querem me conhecer. Pode surgir aí os primeiros casos.


5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

R: Eu me autopubliquei. Acho que a principal dificuldade é financeira mesmo. Pagar pelos livros e depois vendê-los. No momento, estou contente com os resultados, mas tenho consciência que nos primeiros meses é assim. O trabalho agora é manter a mesma frequência de vendas. 

Capa Oficial de "Elogio do Instante"
6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por quê?

R: Nesse meu primeiro livro, sim. Aquela coisa do “olha, estou escrevendo, o que vocês acham?” Atualmente, trabalho em uns contos. Às vezes, acabo divulgando algum, mas já sem aquela preocupação do “o que vocês acham?”. Digo, é legal saber o que as pessoas pensam. Mais legal ainda é saber sem precisar pedir a opinião.    

7.  Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

R: Não sei responder com precisão. Os primeiros textos me vieram há uns dois anos, talvez. Mas, quando percebi que estava escrevendo um livro, quando assumi isso pra mim, não demorou muito. Como já sabia o que queria de meu livro, entre cinco a sete meses. 

8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

R: Sim. Mas com a preocupação de me distanciar. Com a preocupação de tentar me refazer enquanto escritor. Mesmo que, ao final das contas, perceba o quanto isso é vão. Hoje vejo assim e me basta.

9. Qual o pior inimigo de um autor?

R: O próprio autor. O gozo está no ato de escrever, todo o resto é secundário. Não me lembro quem disse isso, ou algo próximo disso. Mas quando vejo o desespero, a angústia de escritores frente aos diversos problemas da carreira, lembro desta ideia e sorrio. Que tudo é vão, não há dúvidas. Mas criar continua sendo o vão que justifica melhor a existência do homem.

10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registrar aquela ideia?

R: Tento associá-la a outras coisas. Dessa forma, enquanto “teia”, torna-se mais difícil de esquecer. Muitas vezes dá certo. 

11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

R: É algo muito subjetivo. Pra mim, atrapalha. Não posso negar o meu lado músico. O primeiro livro que concluí (impresso apenas quinze exemplares para os alunos), foi um trabalho de pesquisa voltado à música. Nem sempre a música é algo prazeroso pra mim. E sem contar que altera o meu estado emocional – nem sempre é bom. Mas, isso vai de cada um. 

12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

R: De Elogio do Instante, gosto muito de uma personagem chamada Lorena. E gosto muito também de um textinho chamado “Apologia do Corpo”.

13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

R: Algumas pessoas que leram em PDF reagiram de forma bem positiva. Ainda não posso responder com precisão. Quanto à segunda pergunta, se o que se vende fora for mais do que os best-sellers importados vendidos aqui, pode ser que sim.

14. Obrigado por sua participação Aliedson. Sucessos!
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