Ads Top

[RESENHA] 1988: Segredos da Constituinte, de Luiz Maklouf Carvalho


1988: SEGREDOS DA CONSTITUINTE, os vinte meses que mudaram o Brasil. CARVALHO, Maklouf José. RECORD, 2017. 504p ISB 978-850-110-911-8 / R$ 64,90 ©
Um livro essencial para entender a história política contemporânea brasileira. Trinta anos depois da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, que marcou a redemocratização brasileira, Luiz Maklouf Carvalho vai em busca das respostas para entender o que foi o período de vinte meses em que o país acompanhou a elaboração da chamada Constituição Cidadã, o que mudou desde aquela época e o que podemos aprender com a experiência. Por meio de 43 entrevistas exclusivas com os principais personagens da Constituinte — de José Sarney a Michel Temer —, o jornalista questiona, interroga, sacode o passado para que o encarem de frente, trazendo à tona conchavos, traições, ameaças e resistência, sem nunca esquecer o poder do povo, tão presente e fundamental.

Devido ao excesso de problemáticas no meio político brasileiro, tem se tornado cada vez maior o obstáculo entre os historiadores e escritores que desejam aprofundar-se em narrativas que visam uma reflexão complexa e dinâmica para um público mais abrangente. O lançamento de "1988: segredos da constituinte", do jornalista Luiz Maklouf de Carvalho tem se tornado uma grande referência em política por dois quesitos principais: As várias óticas abordadas pelo autor durante os trinta anos de história política brasileira, e a escrita precisa, direta e dinâmica, facilitando assim, a compreensão por parte do leitor mais leigo, isso tudo sem desvalorizar o leitor mais atento e exigente com uma escrita satisfatoriamente completa. 

1988 é o ano que marca a redemocratização brasileira, os 20 meses que marcaram e mudaram o rumo do povo brasileiro. Em uma série de entrevistas exclusivas, Luiz Maklouf leva-nos a uma série de descobertas pelos vales desconhecidos da política brasileira, trazendo-nos luz acerca dos trinta anos de Assembléia Nacional.

No calor da promulgação da Carta de 1988, o relator Bernardo Cabral foi chamado à casa do então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves. “Você só sai daqui quando a Constituição estiver com o texto que combinamos”, disse o general, referindo-se ao artigo que garantiria aos militares o papel de intervir em conflitos internos no país. Revelador do jogo político na costura da Constituição, o caso é trazido à luz pelo experiente Maklouf Carvalho. Em 43 entrevistas com os atores principais do período, o jornalista faz o relato definitivo dos bastidores da Constituinte.

A Constituição Federal (também conhecida como constituição cidadã) é a sétima constituição do Brasil desde a sua independência e foi promulgada no dia 5 de outubro de 1988, assim possui 245 artigos, divida nos seguintes títulos: princípios Fundamentais, Direitos e Garantias Fundamentais, Organização do Estado, Organização dos Poderes, Defesa do Estado e das Instituições, Tributação e Orçamento, Ordem Econômica e Financeira, Ordem Social e Disposições Gerais, nesse contexto é considerada a mais completa, principalmente, no sentido de garantir os direitos a cidadania para o povo brasileiro.

Desde a promulgação da constituição de 1988, há muito o que se relatar e retratar. O jornalista Maklouf de Carvalho cria uma sucessão de entrevistas sólidas em sínteses, uma linha tênue entre o passado e o presente tempo transformado em uma narrativa impecável, ainda que lidas de forma isolada.

Em uma breve apresentação sobre a síntese proposta neste livro, Maklouf diz-nos:

A melhor forma de contar uma história inúmeras vezes já contada — e tão poucas o foram como a do Congresso Constituinte de 1987-1988; lá se vão trinta anos — é descobrir o que dela restou, por inédito ou mal contado. Restou, por exemplo, que o ex-presidente José Sarney resolveu abrir o jogo sobre os vinte meses em que terçou armas com a Constituinte — metade do tempo acossado, a outra metade acossando. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, constituinte de escol, também falou sem papas na língua — “Quem me escolheu relator do regimento foi o dr. Ulysses, autoritariamente” —, sem nenhuma condescendência com o amigo já falecido Mário Covas, líder do PMDB na Constituinte. 

O livro é uma narrativa do que o Brasil tornou-se em trinta anos de liderança política desde a promulgação da constituição de 1988. Observaremos os Cristos repletos de glória e bons feitos. O livro também conta com as entrevistas de personagens como o atual presidente da república brasileira — Michel Temer — PMDB, José Sarney e o seu ministro do Exército, o general Leônidas Pires Gonçalves; os ministros da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira e Maílson da Nóbrega; relatores como José Serra e Bernardo Cabral; líderes e vice-líderes; presidentes e vice-presidentes; juristas e assessores, além de lobistas, funcionários e constituintes como Roberto Jefferson, Heráclito Fortes e Sandra Cavalcanti.

“Há novidades, também, em outra recorrente história da Constituinte: a derrama das concessões de rádios e televisões, pilotada pelo ministro Antônio Carlos Magalhães, em troca de votos que interessavam ao governo Sarney. Alguns deputados contarão que receberam concessões. Outros, que ajudaram o governo a dá-las. O “é dando que se recebe”, frase histórica do constituinte Roberto Cardoso Alves, o Robertão, carimbou para sempre a briga de foice no escuro daqueles tensos e intermináveis meses”, diz o autor.

Você pode entender e aprofundar mais sobre esta obra lendo a carta de apresentação do jornalista responsável clicando aqui.



SOBRE O AUTOR:
Luiz Maklouf Carvalho, jornalista e bacharel em Direito, nasceu em Belém, Pará, em 1953. Mora em São Paulo desde 1983. Tem dois Prêmios Jabuti de livro-reportagem por Mulheres que foram à luta armada e Já vi esse filme: reportagens e polêmicas sobre Lula e/ou o PT (1984-2005). É autor, também pela Editora Record, de João Santana: um marqueteiro no poder, e ainda de Cobras criadas: David Nasser e O CruzeiroO coronel rompe o silêncio e Contido a bala. Foi repórter, entre outros, do Jornal do BrasilO Estado de S.Paulo Folha de S.Paulo, e das revistas piauí e Época. É repórter de O Estado de S. Paulodesde janeiro de 2016.

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.