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[RESENHA #188] Um farol no pampa, de Letícia Wierzchowski

Acervo Pessoal

UM FAROL NO PAMPA. Wierzchowski, LETÍCIA. São Paulo: Bertrand Brasil, 2017. 462p. ISB 978-852-862-205-8 / R$ 52,90

Em "Um Farol no Pampa", segundo livro da saga de Leticia Wierzchowski, acompanhamos o destino de um jovem chamado Matias na esteira dos assombrosos acontecimentos que levam o Império do Brasil à Guerra do Paraguai. A história de Matias se mescla com a vida das personagens femininas de "A Casa das Sete Mulheres" e, mais uma vez, Manuela dá a sua voz para nos contar o que foi feito do Rio Grande e da sua gente depois que a Revolução Farroupilha teve seu malfadado final. E traz de volta para o leitor a companhia de personagens queridas como D. Antônia, D. Ana, Caetana, Mariana e Perpétua.

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Falar sobre os livros de Letícia Wierzchowski é sempre um desafio tentador, afinal, não importa o quanto o seu vocábulo seja extenso, nunca existirão palavras suficientes capazes de explicitar a grandeza da escrita desta gaúcha tão conceituada no mundo da literatura contemporânea. 

Depois de encantar público e crítica com A casa das sete mulheres , a gaúcha Leticia Wierzchowski volta ao século XIX com o desafio de revelar o destino das personagens que encantaram o Brasil. Um farol no Pampa começa em 1847 e termina em 1903, um período de tempo muito grande, e com vários acontecimentos importantes na vida pública e política do Brasil. Um novo livro e, ao mesmo tempo, a continuação da obra que virou minissérie e teve alto índice de audiência na Globo. Essa ambiguidade foi um dos desafios conscientes de Leticia, autora de outros sete livros. Neste, os espaços se ampliam e perdem seus contornos, já não há a clausura de uma estância sitiada pela guerra, mas há o destino de um jovem de nome Matias, e há o seu medo diante dos caminhos que pareciam traçados, mas que se desfazem a cada passo na esteira dos assombrosos acontecimentos que levam o Império do Brasil à Guerra do Paraguai. (SKOOB)

Sempre inspirada por conspirações e datas marcantes, nesta obra não poderia ser diferente. Tendo como pano de fundo a Guerra do Paraguai, Letícia convida-nos à conhecer um pouco mais da vida do menino Matias, filho de Mariana e João Gutierrez. Após o falecimento de Mariana e João Gutierrez, Matias ficou vivendo com tia Antônia, que foi uma das poucas personagens que preocupava-se demasiadamente com o bem estar de todas as mulheres da casa de forma igualitária.  Após algumas desilusões amorosas (sentimento comum nesta saga), Matias acaba apaixonando-se por Inácia, filha de Perpétua e Inácio, porém, o relacionamento não flui muito bem e Matias começa a entender que realmente a vida é cheia de surpresas, e uma delas faz o livro ficar a cada página mais interessante.

O título do livro é uma referência ao sonho de Dona Ana, que é a única a ter um sonho realizado: a construção de um farol projetado pelo próprio Garibaldi nas suas terras para iluminar a Lagoa dos Patos. O livro também nos conta um pouco da história de Emanuela, que foi a única das sete mulheres a ficar sozinha no primeiro volume da série. Em uma contínua escrita de seus sonhos, desejos e vontades, poderemos ver sob a ótica de Manuela o quanto ela apaixonou-se verdadeiramente por Giuseppe Garibaldi, porém, o livro tem muito mais do que isso para descortinar.

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Letícia Wierzchowski é conhecida por dar uma outra dimensão a realidade. Enquanto uns trabalham duro para escrever a realidade tal como ela é, Letícia preocupa-se em criar um universo paralelo em cima da realidade que todos já conhecem. Ela possui o dom de aproveitar detalhes que muitas das vezes passam imperceptíveis à alguns leitores e usa-os em seu favor na criação de um enredo mais bem desenvolvido e detalhado dentro de suas tramas. Aproveitando-se de grandes eventos envolvendo o século XIX, tais como :a Guerra dos Farrapos, Guerra do Paraguai e até mesmo um pouco da revolução das vacinas já no início do século XX, Letícia convida-nos a viajar por suas páginas e personagens muito bem elaborados e repletos de traços marcantes. 

Um farol no pampa é o segundo livro da trilogia escrita pela gaúcha e o livro que antecede o aprofundamento na história de Anita e Giuseppe Garibaldi — escrito sucessivamente na obra "travessia" (ultimo livro da trilogia). Assim como todo suspense e amor irradiando pelas bordas, somos instigados a sofrer, amar e ir a loucura com as desventuras de pessoas que sofreram em períodos terríveis, e o pior de tudo, sentir uma dor fictícia que foi real um dia. 

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Letícia Wierzchowski



Letícia Wierzchowski
Antes de se dedicar às letras, começou a cursar a faculdade de arquitetura, que não chegou a completar. Foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil de seu pai. Enquanto trabalhava neste último emprego, começou a escrever ficção.

Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O anjo e o resto de nós, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul.

A escritora gaúcha Martha Medeiros sugeriu a leitura do primeiro romance de Letícia a um amigo paulistano de naturalidade gaúcha e descendente, como Letícia, de poloneses. O publicitário Marcelo Pires gostou tanto do livro que enviou, em dezembro de 1998, um e-mail à autora e ambos passaram a se corresponder regularmente pela rede. Menos de um ano após a primeira mensagem, em 17 de setembro de 1999, Letícia e Marcelo casaram-se. Na cerimônia de casamento, o casal distribuiu aos convidados um pequeno livro com algumas das mensagens trocadas por eles. Um dos participantes da festa, o editor Ivan Pinheiro Machado, da LP&M, acreditou que o livro poderia fazer sucesso e lançou uma edição comercial. Nascia assim, em 1999, o livro Eu@teamo.com.br, que teve suas duas edições rapidamente esgotadas.

O grande sucesso literário de Letícia viria com o romance A casa das sete mulheres, adaptado pela Rede Globo numa minissérie que foi ao ar em 2003 e reexibida em 2006. Instada por seus editores a escrever uma continuação da saga das sete mulheres gaúchas durante a Revolução Farroupilha, recusou-se de início, pois tinha outros projetos literários. No entanto, acabou cedendo às pressões e lançou Um farol no pampa, em que retoma a vida dos personagens d’A casa.

Lançou em 2006 sua décima-primeira obra, Uma ponte para Terebin,em que narra a história de seu avô polonês. Ao mesmo tempo, trabalha, em parceria com Tabajara Ruas, no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de Érico Veríssimo.

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