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[RESENHA #189] Travessia, de de Letícia Wierzchowski

Acervo Pessoal

TRAVESSIA. Wierzchowski, LETÍCIA. São Paulo: Bertrand Brasil, 546p ISB 978-852-862-180-8 / R$52,90

Giuseppe e Anita Garibaldi viveram e lutaram em três países diferentes: no sul do Brasil, à época da Revolução Farroupilha, em Montevidéu, no cerco de Rosas, e na unificação da Itália. Apaixonados um pelo outro, Giuseppe e Anita foram verdadeiros amantes da liberdade. Tudo está aqui neste livro: as grandes batalhas históricas e as pequenas batalhas do dia a dia. Todos os fãs de "A Casa das Sete Mulheres", romance que virou série de TV e já foi publicado em vários países, agora têm o prazer de reencontrar a prosa de Leticia Wierzchowski, autora que domina com maestria a narrativa do romance histórico.

Travessia é o desfecho da série das sete mulheres, escrito pela gaúcha Letícia Wierzchowski. No primeiro livro tivemos como cenário e pano de fundo a Guerra dos farrapos (confira a resenha), no segundo a Guerra do Paraguai (confira a resenha) e finalmente iremos conhecer o desfecho dos dois únicos personagens que seguiram em frente em busca pelo lema "liberdade, honra e igualdade" pelo mundo, Giuseppe e Anita Garibaldi.

Para entender um pouco melhor o enredo desta obra é de suma importância que o leitor tenha lido pelo menos o primeiro livro da série. Para quem deseja aprofundar-se um pouco mais na história sem ter que recorrer ao google, nós explicamos: No primeiro livro (A casa das sete mulheres), acontece a eclosão da Guerra dos Farrapos do governo imperial brasileiro contra o governo da província do Rio Grande do Sul. Liderados pelo general Bento Gonçalves, eles lutam e guerreiam pelo direito ao charque, já que o mesmo estava sendo taxado pelo governo imperial brasileiro, e isso era algo inadmissível. Bento Gonçalves acaba por fim recrutando um homem que vem diretamente da Itália socorrer os farroupilhas e ajuda-los na sua luta por liberdade, honra e igualdade. Com o passar do tempo Giuseppe conhece Manuela, que é sobrinha do general Bento Gonçalves e acaba apaixonando-se perdidamente pela jovem e doce donzela, só que infelizmente Manuela estava prometida a outro homem e sendo assim, seu relacionamento com Garibaldi não seria possível.




Acervo Pessoal

Garibaldi é um dos personagens que mais marcam a história, um dos motivos talvez seja sua coragem, força e determinação. Ao deixar o Rio Grande, Garibaldi acaba conhecendo uma mulher que foi talhada pelo destino para sua vida, uma mulher chamada Anita, que posteriormente torna-se sua mulher, deixando assim a jovem Manuela desamparada pelo destino, em uma espera interminável de dias pelo retorno do seu amado.


Anita era uma mulher muito a frente de seu tempo: manuseava uma arma como ninguém, galopava por todos os cantos e era apaixonado pelas ondas misteriosas do mar, sem falar nos segredos que a vida descortinava-lhe na medida do tempo em que lutava ao lado de Giuseppe, que possuía as mesmas paixões, os mesmos interesses e o mesmo amor que pulsava no peito. 


Acervo Pessoal

Apesar de sempre ser descrita como uma mulher forte, hábil e corajosa, neste livro iremos conhecer uma Anita que excede nosso conhecimento, uma face doce, frágil e disposta a lutar pelos seus ideais e pelos interesses alheios, em um romance fresco como as ondas de um mar em um dia chuvoso.


Diferente dos livros que o antecede, Travessia demorou dez anos para ser escrito, tendo sido lançado em junho de 2017.O enredo como sempre usa como pano de fundo um cenário de guerra e conflitos sociais, cenário este que predomina em todas as obras assinadas por Letícia Wierzchowski. Um livro recheado de surpresas e reviravoltas, encontraremos nestas páginas muito além daquilo o que esperamos encontrar, pois a escrita da autora é algo que está sempre se renovando.





Letícia Wierzchowski



Letícia Wierzchowski
Antes de se dedicar às letras, começou a cursar a faculdade de arquitetura, que não chegou a completar. Foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil de seu pai. Enquanto trabalhava neste último emprego, começou a escrever ficção.

Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O anjo e o resto de nós, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul.

A escritora gaúcha Martha Medeiros sugeriu a leitura do primeiro romance de Letícia a um amigo paulistano de naturalidade gaúcha e descendente, como Letícia, de poloneses. O publicitário Marcelo Pires gostou tanto do livro que enviou, em dezembro de 1998, um e-mail à autora e ambos passaram a se corresponder regularmente pela rede. Menos de um ano após a primeira mensagem, em 17 de setembro de 1999, Letícia e Marcelo casaram-se. Na cerimônia de casamento, o casal distribuiu aos convidados um pequeno livro com algumas das mensagens trocadas por eles. Um dos participantes da festa, o editor Ivan Pinheiro Machado, da LP&M, acreditou que o livro poderia fazer sucesso e lançou uma edição comercial. Nascia assim, em 1999, o livro Eu@teamo.com.br, que teve suas duas edições rapidamente esgotadas.

O grande sucesso literário de Letícia viria com o romance A casa das sete mulheres, adaptado pela Rede Globo numa minissérie que foi ao ar em 2003 e reexibida em 2006. Instada por seus editores a escrever uma continuação da saga das sete mulheres gaúchas durante a Revolução Farroupilha, recusou-se de início, pois tinha outros projetos literários. No entanto, acabou cedendo às pressões e lançou Um farol no pampa, em que retoma a vida dos personagens d’A casa.

Lançou em 2006 sua décima-primeira obra, Uma ponte para Terebin,em que narra a história de seu avô polonês. Ao mesmo tempo, trabalha, em parceria com Tabajara Ruas, no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de Érico Veríssimo.

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