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[RESENHA #191] Mulheres Incríveis, de Kate Schatz

Acervo Pessoal | Astral Cultural 

MULHERES INCRÍVEIS. SCHATZ, Kate. São Paulo: Astral Cultural, 138p. 20017 ISB 978-858-246-548-6 / R$30,72

Feche seus olhos e pense numa pirata. Agora imagine uma espiã. Ou uma presidenta. Pense numa guerreira em ação. Uma grande pintora ou na maior jogadora de futebol de sua época. Estas são apenas algumas das mulheres incríveis que você encontrará neste livro. São 44 perfis de mulheres extraordinárias, numa coleção de histórias que começa em 430 antes de Cristo e alcança os dias de hoje. Da Mesopotâmia até a Antárctica, “Mulheres Incríveis” conta a história de vida de jovens e adultas transgressoras, que subverteram leis, lutaram por menos desigualdade entre gêneros e ajudaram a construir um futuro melhor para todos nós.

Ler um livro como Mulheres Incríveis, de Kate Schatz é realmente uma experiência única. Quando estudamos história, filosofia, sociologia ou até mesmo paramos para observar a sociedade atual, nos deparamos com um dilema que sempre existiu, mas que a sociedade ignora: o desprezo pelas mulheres. Já reparou que a mulher lutou a vida toda para ter os mesmos direitos que os homens sempre tiveram? E que a mídia propaga o pensamento de que o feminismo é algo negativo para sociedade atual, simplesmente por que são um grupo de militantes que tem voz e busca direitos igualitários para todos? Já reparou que a mulher teve que lutar para obter o direito de escolher o trabalho que quer seguir e até mesmo o candidato em que quer votar? Você pode até não estar lembrado, mas a mulher teve que protestar até para não apanhar dos homens que deveriam protegê-las em seu âmbito social.


Acervo Pessoal | Astral Cultural

Por mais que a luta persevere, parece que um pensamento se difunde na velocidade da luz entre a sociedade heteronormativa: machismo. Em pleno século XXI ainda existe homem que acha que lugar de mulher é em casa, que mulher tem que ser escrava do marido, que mulher não pode opinar sobre futebol e outros vários tabus e problemas sociais. Quando recebi "Mulheres incríveis" em minha casa, me vieram dois pensamentos a cabeça:

  1. Alguém criou juízo. Alguém percebeu que era necessário criar um livro que abordasse as conquistas das mulheres ao redor do globo. Alguém foi desperto do sono da injustiça terrestre.
  2. FINALMENTE! Estava na hora de compreendermos que independente de todo e qualquer problema, as mulheres estão progredindo e avançando, e isso tudo por seus próprios méritos. 

Algo que me chocou muito no livro de Schatz, foi o fato de eu não ter conhecimento acerca de quase nenhuma daquelas mulheres. Suas conquistas foram grandiosas, magníficas e foram mulheres que estiveram com a mentalidade, pensamento e luta muito a frente de seus tempos, e eu não fazia ideia de quem eram. Não é querendo desmerecer a figura masculina (até mesmo por que sou um), mas existem aos montes figuras masculinas que ao invés de serem esquecidas na poeira do tempo (por que alguns nem merecem ser lembrados) recebem homenagem em pequenas cidades, tendo seus nomes em ruas, vielas, praças, teatros e outros mais, enquanto a conquista das mulheres é sempre esquecida, ou simplesmente não recebe toda a glória que a de um homem recebe. Porque isso acontece? Talvez nunca saibamos. 

O livro de Kate é um despertar para realidade. Schatz compartilha conosco em suas 138 páginas, a história de mais de 40 mulheres que transformaram o mundo com sua ousadia e determinação. Schatz lembra-nos de toda glória feminina no decorrer da história que foi deixada para trás. Um livro que não preocupou-se apenas em apresentar conquistas, mas também preocupou-se em apresentar vitórias, batalhas e vidas de mulheres que foram esquecidas quando mereciam ser lembradas. 

Acervo Pessoal | Astral Cultural

MULHERES INCRÍVEIS conta histórias de cada um dos continentes na Terra. Pense neste livro como uma jornada ao redor do planeta! Começamos na antiga Mesopotâmia; de lá, viajamos para o leste percorrendo a Ásia, depois para o sul em direção a Oceania e Antártida; ao norte, para a África; do outro lado do mar, para a América do Sul; subimos para a América do Norte, e então atravessamos o mar de volta para a Europa. Entretanto, você pode ler na ordem em que quiser. Onde você quer ir e sobre o quem quer aprender?

Caca mulher neste livro é conectada com seu país d origem, ou o país onde ela passou a maior parte de sua vida. Porém, muitas delas viveram e trabalharam em diversos lugares no decorrer de suas vidas, e não podemos dizer que elas "são" de uma única nação.

Acervo Pessoal | Astral Cultural



Das 44 personalidades apresentadas por Kate, uma delas me intrigou bastante por sua história: Kalpana Chawla. Kalpana foi uma mulher indiana apaixonada pelo céu, pelas alturas e sobretudo, pelo espaço. Após apaixonar-se ainda no colegial por matemática e física, ela decidiu que queria ir muito além daquelas matérias, e disse a seu pai que iria cursar uma faculdade — aquilo era incomum naquele tempo, naquela idade e para aquela cidade —. O tempo passou e Kalpana acabou cursando engenharia astronáutica, sempre alimentando dentro de si o sonho de ir ao espaço. E não demorou muito para que Kalpana começasse a trabalhar para a NASA. Já na maior agência espacial do mundo, Kalpana foi recrutada para ir ao espaço e realizar o seu sonho. Em uma de suas viagens, Kalpana enviou uma mensagem diretamente do espaço:

O caminho dos sonhos ao sucesso existe. Que vocês possam ter a visão para encontra-lo e a coragem para entrar nele.

Kaplana chegou a ser recrutada novamente, mas o ônibus espacial em que se encontrava, desintegrou-se no espaço matando-a juntamente com outras cinco amigas. Sua história tornou-se simbolo para todos da Índia, e para todos aqueles que passaram a crer verdadeiramente em seus sonhos. 

Outra personalidade extremamente conhecida nesta obra é Frida Kahlo.

frida Kahlo | Nickolas Mercy Photography | Google Images

Frida Kahlo (1907-1954) foi uma pintora mexicana conhecida por seus autorretratos de inspiração surrealista e também por suas fotografias. Frida Kahlo (1907-1954), nome artístico de Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, nasceu em Coyoacán, no México, no dia 6 de julho de 1907. Filha de pai alemão e mãe espanhola desde pequena teve uma saúde debilitada, com seis anos contraiu poliomielite que lhe deixou uma sequela no pé. Com 18 anos sofreu um acidente de ônibus que lhe deixou um longo período no hospital, e mais tarde se viu obrigada a amputar a perna.

Apesar de deprimida e incapacitada de andar, passou a pintar freneticamente a sua imagem, com um espelho pendurado na sua frente. Dizia: “Para que preciso de pés quando tenho asas para voar”. Entre aos anos de 1922 e 1925 estudou desenho e modelagem na Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México. Em 1928 filiou-se ao Partido Comunista Mexicano. Em 1929 casou-se com o pintor mexicano Diego Rivera, também militante do Partido Comunista.

Maria da Penha | Google Images

outra figura importantíssima na história da luta das mulheres por direitos foi a de Maria da Penha. Farmacêutica, cearense, Maria da Penha é o marco recente mais importante da história das lutas feministas brasileiras. Em 1983, enquanto dormia, recebeu um tiro do então marido, Marco Antônio Heredia Viveiros, que a deixou paraplégica. Depois de se recuperar, foi mantida em cárcere privado, sofreu outras agressões e nova tentativa de assassinato, também pelo marido, por eletrocussão. Procurou a Justiça e conseguiu deixar a casa, com as três filhas.

Depois de um longo processo de luta, em 2006, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 11.340, conhecida por Lei Maria da Penha, que coíbe a violência doméstica contra mulheres.

Enfim, a obra é incrível e tem todos os requisitos para preencher um espaço na sua estante e no seu coração.

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