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[RESENHA #190] O sorriso da Hiena, de Gustavo Ávilla

Acervo pessoal

O SORRISO DA HIENA. ÁVILLA, Gustavo. São Paulo: Verus Editora, 304p ISB 978-859-196-730-8 / R$ 34,90 


Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas. Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?

É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?

O sorriso da hiena foi um dos primeiros livros que conheci no ano de 2015. Na época o livro era uma publicação independente do autor Gustavo Ávilla, porém, o livro acabou sendo publicado pela Verus editora, e expandiu o público do autor que se instigou e se roeu e corroeu por dentro com as questões que surgiam no decorrer da leitura.

Tudo começa com uma triste história: uma criança assiste amarrada em uma cadeira a morte de seus pais. Um psicólogo infantil chamado Willian é convocado pela policia para acompanhar as crianças que estavam diretamente ligadas com o caso. Sempre tendo em mente que seu conhecimento poderia melhorar o mundo, William mostrava-se intensamente instigado a contribuir com o mundo de alguma forma que o melhorasse significativamente a vida das crianças. Só que William recebe uma outra ligação, do outro lado da linha, uma voz aguda fazia uma proposta que colocava o psicólogo contra a parede, contra seus princípios e contra a moral e ética trabalhista: estudar de perto o desenvolvimento psicológico de crianças que passaram pela tragédia do assassinato dos pais. De que forma? Repetindo a mesma desgraça que acometeu sua vida quando tinha oito anos.


Acervo Pessoal

O sorriso da Hiena é sem sombra de dúvidas um thriller brasileiro digno de palmas. Gustavo Ávilla usa do seu dom de escrita para instigar o leitor a pensar e repensar suas ideias acerca do que bem e do mal. Afinal de contas, a ideia proposta ao psicólogo por David era um simples estudo acerca do desenvolvimento da maldade humana, ou era fruto de uma maldade que se estabeleceu em sua vida após a perda precoce de seus pais?

Este é realmente um livro que nos impõe um dilema moral, acerca daquilo que consideramos certo e errado. David é um homem misterioso que aparenta possuir boas intenções, porém, ele não tem uma história ou um figura confiável para determinarmos se ele é ou não uma pessoa bem intencionada com relação à suas ideias e propostas. Ao instigar um psicólogo infantil a estudar uma tragédia familiar, David gostaria de proporcionar à aquelas crianças uma experiência que ele não possuiu: um acompanhamento psicológico. Se pensarmos pela premissa de que um acompanhamento psicológico ajudaria no tratamento das feridas e traumas causados pela tragédia (acompanhamento este, que David não teve) poderemos até pensar que talvez ele esteja com bons pensamentos e queira realmente ajudar alguém.


Existem diversos pontos que tornam esta leitura algo indispensável, podendo citar:

  1. O livro inicia-se com a história que é a ênfase completa da obra. O autor instiga-nos com uma escrita que transita entre suspense, drama e muito horror.
  2. A obra consegue brincar e manipular com a mente do leitor. Estar a mercê de um serial que nunca deixa pistas, é somente o começo desta viagem.
  3. As milhares de questões que surgem no decorrer da obra, tornam-se inquietantes, e faz com que nos apaixonemos cada vez mais pela escrita do autor.
  4. O detetive que fica responsável pelo caso das crianças — Artur Veiga — é uma figura bem arrogante, e ao mesmo tempo peculiar. O trabalho e as ferramentas utilizadas pela polícia parecem ser ideais, mas nunca suficientes.
  5. Ao tomar um posicionamento acerca da obra, ainda continuamos pensativos. EU, como leitor, fiquei recriando a desgraça sofrida por David até tentar entendê-lo, mas um lado de mim sempre criava novas circunstâncias e novas interrogações nasciam, então eu sempre me encontrava perdido.

Acervo Pessoal

“Basta a vida tocar no lugar certo 
para despertar o pior em qualquer pessoa.”

E você, o que acha? É possível justificar o mal, quando há intenção de se fazer o bem?

O mal é um estado natural do ser humano, que nasce sem a noção de certo e errado. Sem consciência moral, agindo para saciar suas necessidades. Movido apenas por seus instintos selvagens. Em um mundo onde o mal nasce com a gente, todos fariam qualquer coisa, sem apego à moralidade, para não sucumbir.

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