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[RESENHA #206] Em Branco Silêncio, de Wilson Guanais

Foto: Acervo Pessoal

EM BRANCO SILÊNCIO. GUANAIS, Wilson. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2017, 112p ISB 978-85-5833-262-0/ R$ 35,00

Talvez o silêncio seja uma metáfora aplicada à ideia de que a poesia, os sentimentos, vontades, desejos e anseios só alcançam sua real totalidade dentro do seio do silêncio, onde o olhar torna-se capaz de suprir a necessidade de se dizer qualquer coisa, onde o som do ambiente grita em meio à ausência de palavras, e onde não se sabe mais o que falar. “Em Branco Silêncio”, traz-nos uma experiência nova e única de experimentar a vida sob a ótica de que não se é necessário dizer muito para dizer tudo.

A obra de Guanais é uma experiência arrebatadora, profunda, repleta de sonoridade e de estilística impecável. O autor adotou para concretização de sua obra um caminho já conhecido por muitos, mas ousado para poucos: Escrever sobre a realidade sob a ótica e perspectiva como locutor e interlocutor. Em outras palavras, Guanais consegue escrever uma poesia onde ele — o autor, detentor dos sentimentos, das vontades — consegue participar ativamente da escrita como mediador, receptor e detentor das emoções dispostas na escrita: Contar o que se sente e ao mesmo tempo sentir como se fosse o agora — mesmo não sendo — é algo novo, inovador e poucos conseguem.

Foto: Acervo Pessoal

O autor trabalha o sentimentalismo sob duas óticas distintas: A ótica da percepção e a ótica da vivência. Alguns poemas conseguem transmitir a intensidade das palavras do que se foi vivido, ao mesmo passo que conseguimos perceber as linhas que tratam apenas daquilo o que se foi observado. De todo o manuscrito adotado pelo autor, talvez o que mais me intrigue e instigue seja o disposto na página 33 de sua obra, intitulado “ESCREVO”:

ESCREVO
Até que
Um dia
Olho o

Espelho
E me
Percebo

Quatro
Meses sem

:limpar
A casa.

Foto: Acervo Pessoal

Tanto “Escrevo”, quanto “desamparo”, transmitem a intensidade da vivência do autor com a escrita:
DESAMPARO
Tanto tempo
Sem rabiscar
Uma linha

Parece até
Que a Musa
Mudou de país

E a poesia
Ainda não sabe

O endereço
Das palavras — p.25


Foto: Acervo Pessoal

Se compararmos a escrita de Guanais com a escrita de outros poetas, iremos perceber que ele possui algo de diferente, algo que o destaca da multidão, talvez seja por este motivo que o mesmo tenha participado de mais de 60 antologias diferentes.

Enfim, o livro é extremamente profundo, digno de toda admiração que conseguir obter. Esta, assim como todas as outras obras poéticas da Penalux, conseguiram superar minhas expectativas com relação à escrita e sonoridade dos poemas. Indicado para todo amante da poesia e das coisas simples da vida, com o rigor e dedicação de quem tratar os assuntos certos sob uma ótica diferenciada.

O AUTOR
WILSON GUANAIS - Bastos/SP, 1972, pintor, escultor e fotógrafo amador, participação em mais de 60 antologias (CBJE, Igaçaba, Artez, Virartes, Prêmio Escriba, Meireles Editorial),  dois livros publicados: Cemitério de Navios 2005 e Súbito 2006 pela Meireles Editorial. 

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