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[RESENHA #210] Cartas pedagógicas, de Luzia Guacira dos Santos Silva

sábado, dezembro 30, 2017

/ by Mariana Belize






Autora: Luzia Guacira dos Santos Silva



Sinopse: Inspirada na curiosidade expressa na carta de uma professora, que relata suas angústias em torno do desafio de ensinar estudantes com deficiência visual, em contexto escolar inclusivo, a autora, embasada na sua ampla experiência como docente e pesquisadora, escreveu a obra “Cartas Pedagógicas: processos de ensinar a quem enxerga sem o sentido da visão”, na qual não apenas aborda modos de ensinar a estudantes nessa condição de deficiência, na perspectiva de sua inserção no ensino regular, mas também ressalta o quanto as formas de organização e de prática curricular devem estar atentas às suas singularidades e, principalmente, às suas potencialidades.
Páginas: 100
Editora Paulinas



Resenha:

Ainda que as cartas do livro sejam encabeçadas por “Cara professora”, a leitura deste livro não é  apenas para educadores ou profissionais da educação, pedagogos e coordenadores, entre outros. A linguagem da autora é tão acessível e empática que, ainda que não estejamos na área pedagógica em si, a leitura do livro de modo algum se torna cansativa ou difícil:


“Serei mais didática e me estenderei mais na escrita, portanto rogo-lhe paciência na leitura das orientações em torno da atenção a particularidades da aprendizagem daqueles alunos, nas áreas a que irei me referir. Oportunamente, enviarei a você algumas imagens nas quais  direcionarei seu olhar no decorrer da escrita.” (p.48)


A escrita de Luzia é recheada de empatia, construída de maneira atenciosa e prática, que a coloca facilmente na linhagem freiriana, não apenas por suas citações estarem na obra, mas pela apresentação do tema no livro ser construída de forma tão abrangente e com uma linguagem que nos aproxima, bem como o gênero carta que a autora utiliza, de um diálogo franco e aberto sobre o tema.


“Logo, as pessoas cegas estão em pé de igualdade no que se refere à consumação da experiência estética. O fato de não enxergar não impede que desfrutem da música, da dança, de teatro, de dramatizações, ou que possam vir a ser cantores, atores e dançarinos, por exemplo.” (p.58)


Sendo assim, a recomendação deste livro não serve apenas a profissionais da área, conforme disse, mas também a qualquer pessoa, principalmente os dotados do sentido da visão que normalmente desconhecem o outro lado, sendo preconceituosos por diversos motivos. Este livro ensina a conhecer e respeitar as diferenças, a aprofundar a empatia e a desenvolver práticas de vida em comum, dotadas de confiança mútua tanto nas salas de aula quanto no cotidiano.


“Veja, portanto, que as dificuldades que alunos cegos e com baixa visão e, sim, à relação que o ‘outro’ estabelece com quem é cego. Assim, quanto mais interações físicas ocorrerem no ambiente desses alunos, maiores serão as vivências de aprendizagem e as oportunidades para formar conceitos básicos, bem como de se relacionarem com o ambiente e com as pessoas. O contrário implica o fechamento em si mesmo, em um mundo particular e restrito pela falta de informações visuais (SOUZA, 2007). Portanto, é de suma importância mostrar e reforçar, junto aos pais, os benefícios que a participação da criança nas atividades de educação física traz para o desenvolvimento de suas potencialidades e para sua evolução de forma geral.” (p. 56 e 57)


No prefácio lemos que “inspirada na curiosidade expressa na carta de um professor, ao relatar suas angústias em torno do desafio de ensinar estudantes com deficiência visual, em contexto escolar inclusivo, a autora, embasada na sua ampla experiência como docente e pesquisadora, escreve cartas nas quais não apenas aborda modos de ensinar tais estudantes, na perspectiva de sua inserção no ensino regular, mas ressalta o quanto as formas de organização e prática curricular devem estar atentas às suas singularidades e, principalmente, às suas potencialidades.”

O gênero carta, conhecido por ter características de uma linguagem de proximidade, intimidade e amizade, é muito bem escolhido pela autora. Ela consegue trabalhar bem no sentido de não cair no erro de uma apresentação acadêmica, embora use várias referências importantes, mas sem o peso contido na linguagem dissertativa de uma dissertação, por exemplo. Pensando nisso, a quantidade de páginas também é atraente e o formato e pouco peso do livro também são muito bem pensados, principalmente para a vida do professor, sempre carregando peso e com pressa.

“E aqui peço licença para me repetir e dizer que a cegueira não torna a pessoa um ser incapaz. Que sempre é possível, ao professor, lançar mão de estratégias de colaboração, quando não temos, por alguma razão, materiais que permitam ao aluno cego fazer uma atividades de forma mais independente. O que não fere a competência em possibilitar, também a esse aluno, estímulo para que, na troca e no exercício do diálogo com o outro, seu parceiro de atividade, possa operar ideias, analisar os fatos e discuti-los, construindo, assim, o seu ponto de regulação para um pensar competente e comprometido com determinadas práticas sociais. (MARTINS, 2016)” (p.74)


A autora também pensa no quesito tempo e, com isso, as cartas tendem a ter tamanho agradável, sem serem cansativas, além de trazer referências da internet e apresentar também uma série de estratégias em diversas disciplinas para integração da pessoa cega no ambiente escolar.


Boa leitura e feliz 2018!


Mariana Belize
Projeto Literário Olho de Belize












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