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[RESENHA #208] Colpaso, como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso, de Jared Diamond

quarta-feira, dezembro 13, 2017

/ by Vitor Lima
Acervo Pessoal | Divulgação

DIAMOND, Jared. COLPASO, como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Rio de Janeiro: Record, 2005, 685p ISB 9788501065940 / R$73,43

Diamond mostra como o colapso global pode ser evitado, analisando civilizações do último milênio, e investiga por que umas se extinguiram enquanto outras prosperam. Mostra como as causas ambientais (mudança climática causada pelo homem acúmulo de lixo químico, falta de energia e superutilização da capacidade de fotossíntese), mais que guerras de povos e culturas. Explica o que seriam as decisões autodestrutivas mais recorrentes na História, com o objetivo de evitar catástrofes coletivas e reverter valores incorporados às sociedades.


Em “Colapso”, Diamond apresenta-nos uma síntese profunda de suas ideias e teorias respaldadas em uma análise prática e objetiva acerca de como as sociedades se deterioram com o passar do tempo, enquanto outras prosperam magnificamente. A obra de Diamond é fruto de uma vida de experiências sociais e acadêmicas, visto que, Jared é biólogo, fisiólogo e biogeógrafo. A ideia central da obra é um estudo objetivo sobre como diferentes sociedades lidaram com os mesmos problemas enfrentados pela sociedade contemporânea. Para Diamond, existe um padrão de comportamento regido e redigido pela sociedade, onde a mesma opta — mesmo que de forma imparcial — fracassar.

Compreender a sociedade como um todo não é uma tarefa fácil, e nem deveria. Quando Diamond decidiu estudar sobre os principais diagnósticos/prognósticos de uma sociedade que opta por um caminho em declínio, podemos compreender que a tarefa de Diamond não era simplesmente traçar uma linha tênue entre as sociedades passadas — históricas —, mas sim descrever um quadro de desordem ambiental ligado fortemente ao poder — político, econômico e social —, onde cada um carrega sua parcela de culpa pelo fracasso, mesmo tendo noção de que outros caminhos estavam disponíveis.
O estudo realizado por Diamond vai muito além de um experimento social, ele é também o estudo do meio ambiente com relação às práticas daqueles que o tem (habitantes, forasteiros, proprietários e etc), e os impactos e respostas obtidas através do declínio e do sucesso. Estes fatores compreendem toda a obra, visto que, o autor procura esclarecer por que algumas sociedades conseguiram administrar tão bem a sua existência e se perdurar por anos, enquanto algumas não passavam de décadas sobre a face da terra.
As análises dispostas nesta obra estão relacionadas diretamente com as viagens feitas pelo autor ao redor do mundo, estudando as diferentes espécies de animais e até mesmo o solo. Diamond observava um padrão de comportamento entre os estudos feitos no declínio/fracasso de algumas civilizações antigas (A maioria localizada na América do Sul), e tece uma linha de raciocínio que explora este padrão no campo social atual, prognosticando uma série de fatores que estão fazendo com que nossa sociedade caminhe para um declínio.

Diamond examina casos que são conhecidos como exemplos clássicos da insensatez humana com relação aos seus recursos naturais como, por exemplo, o colapso da sociedade da ilha de Páscoa, de outras sociedades polinésias, dos Maias em Yucatán e dos Anasazis, na grande bacia da América do Norte. Numa segunda parte do livro, o autor examina sociedades contemporâneas que podem (ou não) estar trilhando os seus próprios caminhos para o colapso e, ao final, tece considerações sobre quais lições podemos tomar do passado.

A analise proposta por Diamond me levou a uma série de reflexões impostas em uma outra obra: "Planejamento Urbano e Ativismos Sociais" (UNESP, 2004)cujos autores são Marcelo Lopes de Souza – professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – e Glauco Bruce Rodrigues – professor da Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro) - pertence à coleção de livros paradidáticos da série Sociedade, Espaço e Tempo. O livro tem por finalidade expor (trazer a tona) os principais problemas sociais que causam o desiquilíbrio social urbano. Em meio as questões problemáticas os autores buscam exemplificar o sistema urbano e as decisões tomadas pela população como um todo, não individual, onde a coletividade não torna-se responsável pela situação do cidadão, mas de cada indivíduo no seu particular, tratando as questões como resultante das ações de cada individuo por si, e não de uma coletividade. Obviamente o alvo dos estudos de ambas as obras é a sociedade, porém, a obra de Diamond é voltada para a experiência social, onde a coletividade tornou-se responsável pelo grau de decadência da sociedade, tornando o alvo do estudo mais subjetivo, onde as questões ligadas ao fracasso social podem ou não estar ligadas as mesmas questões da contemporaneidade. Em suma, Diamond propõe uma linha reflexiva de pensamento que formam dois caminhos distintos que alternam e levam a sociedade para caminhos opostos. Um deles é o determinismo a ser tomado pela população para evitar o declínio deste século, usando modelos e padrões de vidas seguidos por outras sociedades como exemplo de causas e posições que devem — ou não — ser tomadas.

Acervo Pessoal | Divulgação
A análise do autor sobre o colapso da sociedade da Ilha de Páscoa inspira reflexões importantes sobre a insistência dos seus antigos chefes de clãs em erguer estátuas cada vez maiores, com um imenso custo energético - tanto humano quanto de recursos madeireiros, resultando na eliminação de praticamente toda a cobertura florestal original de uma das ilhas mais remotas do planeta. Tendo exaurido recursos como árvores e terras agriculturáveis, os antigos pascoenses provavelmente passaram por uma sucessão de conflitos entre clãs, fome, canibalismo, que resultou na exaustão de não apenas árvores e solo, mas também de aves marinhas e animais aquáticos. Diferente de outros autores, que supersimplificam o colapso da sociedade pascoense, reduzindo-o à maldade, ingenuidade e ganância humanas, Diamond ressalta um elemento fundamental neste cenário: os atributos naturais da Ilha de Páscoa e como estes colaboraram para o colapso. Nas palavras do autor, o ponto fundamental foi o fato dos colonizadores polinésios terem encontrado um ambiente particularmente frágil e, além disso, particularmente remoto. Uma análise recente e hipotética do colapso na Ilha de Páscoa coaduna-se com esta interpretação, segundo a qual o progresso tecnológico, numa abordagem econômica neoclássica, não teria evitado o colapso populacional naquela remota ilha (DECKER & REUVENY, 2005).

Mas é claro que a obra não discorre inteiramente uma linha de fracasso, o autor também enaltece os sucessos obtidos pelo Japão da era medieval, Tikopia (uma pena ilha no sudoeste do Oceano Pacífico), Nova Guiné, algumas grandes empresas do meio social contemporâneo e as desgraças que acometeram o Haiti, Runda, Republica Dominicana e etc.

Diamond não é dogmático em seus argumentos, e coloca os pontos que defende em uma perspectiva de análise criteriosa e sem demasiadas paixões. É uma aula de racionalidade equilibrada e aberta ao debate criterioso. É um livro que marca e preenche espaços na mente e cujas informações ecoam por diversas áreas do conhecimento humano.
O texto não é uma obra generalizada para todos os públicos, embora podemos observar que as observações do autor são precisas com relação aos sinais que o meio ambiente evoca em uma sociedade onde o declínio está próximo. As rotas tecidas por Diamond servem como um auxílio para que cada um tome sobre si sua responsabilidade e ajude a sociedade a caminhar por um caminho alternativo, colocando assim, a ideia de que a catástrofe é toda do homem   e pode ser evitada. Ainda assim, o texto funciona como uma fonte de reflexões na tentativa de analisar quais caminhos percorrer e quais evitar; de analisar como a resiliência pode ou não funcionar dependendo do quanto o ambiente é observado em termos de pistas naturais de que algo não vai bem; e de analisar como colapsos restritos podem ter muito a nos ensinar, numa época de visões de mundo globalizadas. Desconsiderando a simplificação de algumas hipóteses causais, o autor constrói um cenário que só vêm a enfatizar que para agirmos de acordo com a tão almejada sustentabilidade devemos, rigorosamente, evitar o impacto a médio e longo prazo sobre os ambientes onde habitamos e, fundamentalmente, aprender com as mudanças e nos flexibilizarmos a elas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HANAZAKI, Natalia. Book Review, Colapso. Disponível em: [www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X2006000200010]

DIAMOND, J. Armas, germes e aço: os destinos das sociedades humanas. São Paulo, Record, 1998. 

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