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[RESENHA #203] Quando tinha cinco anos eu me matei, de Howard Buten

Howard Buten | Acervo Pessoal
 Quando tinha cinco anos eu me matei. BUTEN, Howard. São Paulo: Rádio Londres, 2016, 192pp ISB 978-856-786-110-4 / R$36

Quanto tinha cinco anos, eu me matei (p.17)

“Quando tinha cinco anos eu me matei”, é um livro de ficção escrito pelo autor e psicólogo Francês Howard Buten, lançado originalmente no ano de 1981, o livro consolidou-se rapidamente nas grandes prateleiras, tendo recebido uma ótima crítica. O livro é a tradução da obra Francesa “When I As Five i Killed Myself”, segundo título da obra, visto que o primeiro não foi o suficiente para coloca-lo na lista dos mais vendidos.

Usando de sua formação psicológica, o autor Buten, apresenta-nos uma escrita imperativa acerca da vida de seu protagonista principal: Burt. Neste clássico moderno de “Um dos escritores temporários mais queridos da França” (Time), Howard Buten faz com uma visão surpreendente e uma linguagem irônica o conto de um turbulento — ou talvez simplesmente perfeitamente normal — jovem, testando os limites do amor e da vida. 
Muito poucos livros alteram a forma como eu realmente penso; Este fez.  A percepção inicial que tive sobre Burt é igual à de qualquer outro adulto expresso no livro: insatisfatória. O desenvolver da história de Burt leva-nos a compreender a grandiosidade por trás da inocência de uma criança. É extremamente preocupante pensar que ainda que se tratasse de uma criança nosso senso crítico nunca descansa. A maioria dos eventos descritos por Burt é fictícia, pois ele vive no mundo da imaginação, um mundo que nós jamais iremos conseguir compreender em sua totalidade, pois como adultos não somos mais dotados da voz da experiência em ingenuidade, uma vez que, nos colocamos no posicionamento de julgo.

E o doutor Nevele. Ele não entende as crianças, e isso deixa ele triste (p.182)

Burt é autista, e já no início da obra somos levados ao lugar onde ele passa a maior parte de seu tempo: O Consultório do doutor Novele. Burt possui oito anos e é autista. O livro narra à vida de Burt que está em um centro clínico para cuidados, tudo isso devido ao que Burt fez a sua amiga Jéssica — que subsequentemente é apresentada no decorrer e desenvolver do livro.

Estou no centro de Bem-Estar para crianças. Estou aqui pelo o que eu fiz à Jéssica (p.09)

Burt possui um problema que nunca é identificado, até compreendermos o real significado do mundo sensível para o protagonista. A primeira vez que tive contato com esta obra, eu tratei Burt como se fosse uma mera criança, esquecendo-me do fato de que ele está em um centro de cuidados por que se sente culpado por algo que fez, e que está em um acompanhamento psicológico sério. As sensações descritas por Burt são extraordinárias e leva-nos à uma nova perspectiva e análise de seu mundo e sua condição. Burt possui apenas um único amigo imaginário, Shrubs, ao qual se preocupa inteiramente e passa maior parte do tempo, até que Jéssica vem a tona, e toma conta de todos os seus pensamentos e preocupações futuras.

A mamãe falou que um dia, quando eu for adulto, vou querer amar alguém, e isso significa que eu não vou querer que ninguém machuque esta pessoa. Eu achava que estava pessoa era o Shrubs. Mas não era. Era a Jéssica (p.174)

O ápice do enredo descrito por Buten é a história por trás de toda a culpa expressa por Burt. Burt acredita que feriu seriamente Jéssica, porém, tem ciência de quem ama jamais machuca e isso se evidencia no decorrer da trama. Uma história deliciosamente imperdível para todos aqueles que querem compreender um pouco mais o mundo dos autistas, sobretudo, das crianças.

SOBRE O AUTOR

Howard Buten (1950, Detroit , Michigan) é um autor e psicólogo americano que vive na França. É o autor responsável pela escrita de cinco romances, o primeiro dos quais, intitulado "When I Was Five I Killed Myself" , foi publicado em 1981 e transformou-se em um filme sob o título francês Quand j'avais cinq ans je m'ai tué em 1994.

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