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[RESENHA #214] Bolerus, de Vanderley Sampaio

segunda-feira, janeiro 15, 2018

/ by Vitor Lima
Acervo pessoal | Divulgação | Scortecci 

BOLERUS. SAMPAIO, Vanderley. São Paulo: Scortecci, 2017, 118p.

Em algum momento da vida, todos nós flertamos com a poesia. Mas nem todos sabemos como tirá-la para dançar. Alguém pode sugerir que o jeito mais simples seja convidá-la e começar com dois versos para lá, dois para cá. E deve ser assim que os poetas entram no baile pela primeira vez. Porém, o que fazer quando há pedra no sapato ou a música parece um zumbido de inseto? É aí que os boleros ganham novos passos, mais imprevisíveis e arrojados. A poesia gira ruidosa e as palavras quebram-se, voam, caem, desenham o singelo e o concreto, para depois retornarem a pisar o chão devagar, leves, bonitas, estranhas e cascudas como um besouro.
— Prefácio
Confesso que quando recebi o livro “Bolerus” cogitei várias vezes pesquisar o significado jurando de pés juntos que existia outro significado — além do ritmo musical e da dança—, e não, não há. Quando conheci o trabalho de Vanderley Sampaio comecei a me questionar sobre como um autor seria capaz de introduzir certo tom musical nas entrelinhas, um tom que acompanha as estruturas dos passos da dança “dois para lá e dois para cá”.
Como neste belíssimo poema que serve como nota de abertura do livro:

Boleros podem ser canções.
Bolerus é um zumbido.

Boleros também são casacos.
Bolerus é um inseto.
p.17
A construção adotada pelo autor para dar vida à sua obra é louvável. Cada poema é especial a sua maneira, de forma com que nós — doces apreciadores da dança, da arte e da escrita — somos conduzidos pelo mar de sentimentos que incendeia os 118 poemas que abordam temáticas sérias, engraçadas e aleatórias de uma forma intransigente — rígido com o que se é proposto — e inesperável, realmente algo que dança conforme a música.

Cortesia do autor <3 nbsp="" td="">

Compartilho, pois — acho justo — o poema que mais amo nesta obra figurativa representativa do gênero poesia, intitulada “tento”.

Tento.
Porém, não a contento,
Vejo-me ao relento,
Procurando contentamento.

Contenho-me;
Tenho
Tempo,
Mas não detenho
Temeridade;

Temo
O tema
Temível
E fujo dos temários;

Tendo
Tudo
Tão
Translúcido,
Transmigro;

Transubstanciou-me
Em um trôpego;
Tropeço, caio e
Aturdido
Atrofio.

Tento...
p.19

Os assuntos são diversos e a proposta é interessantíssima e convidativa — especialmente para aqueles que querem iniciar seu gosto pelo gênero poesia na literatura —. Repleto de sonoridade, o autor convida-nos para seu mundo, onde a poesia paira sobre todos os setores da vida, incendiando “Um sonho” (p100); “Pesadelo” (p.105); “A seita” (p.106); “As coisas” (p.78); “A chuva” (p.82) e até mesmo a “partida” (p.118).

Realmente uma escrita elucidativamente capaz de transformar nossas horas em segundos. Uma leitura realmente agradável. Realmente um forte concorrente na indústria da literatura brasileira.


O AUTOR

Vanderley Sampaio nasceu em Garças (SP), no ano de1972. Começou a escrever poesia na adolescência, quando também mergulhou no teatro como ator amador. Jurando que iria voltar, “pediu um tempo”, às artes cênicas para cursar Jornalismo na Unesp, em Bauru (SP). Descumpriu sua promessa e seguiu a vida sem palcos, atuando como jornalista por nove anos e depois como servidor público. Mudou-se para São Paulo (SP) e formou-se em direito pela USP. Mas a poesia sempre manteve presente em sua vida. Alguns de seus poemas foram publicados em jornais, sites e nas redes sociais, especialmente no blog “Absurtos”.

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