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[RESENHA #215] Réquiem para o sonho americano — os 10 princípios de concentração de riqueza & poder, de Noam Chomsky

Réquiem para o sonho americano, Noam Chomsky. | Acervo Pessoal

CHOMSKY, Noam. Réquiem para o sonho americano: os 10 princípios de concentração de riqueza & poder. 1º Ed. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2017.

“Réquiem para o sonho americano” é um ensaio escrito pelo linguista, filósofo, cientista cognitivo e ativista político Noam Chomsky. Este é o primeiro livro do autor a abordar questões ligadas de forma direta à desigualdade social de renda e capital. Lançando sobre a problemática um olhar cauteloso e claro acerca dos princípios fundamentais do neoliberalismo, o autor conduz uma leve e instigante investigação acerca dos dez princípios de concentração de riqueza e poder no trabalho na América nos dias atuais.

Como disposto no subtítulo da obra, o livro divide-se em dez capítulos, onde cada capítulo procura explicar de forma clara um princípio diferente com relação ao poder de capital no meio trabalhista na América. Já em sua nota de abertura, Chomsky, enfatiza que tudo “desmoronou” nas políticas públicas da América, após comparar o estado atual da política e da realidade vigente com tempos passados. Acreditava-se que realmente um sonho americano de igualdade e plenitude para todos era possível, mas com o tempo as políticas foram beneficiando apenas aqueles que não necessitavam dos privilégios que recebiam por já serem demasiadamente ricos. Restringir democracia, moldar ideologias, reestruturar a economia, transferir o fardo, atacar a solidariedade, controlar os reguladores, eleições, manter a “ralé” na linha e marginalizar a população tem sido a única forma de tornar o sonho realmente possível.

“Durante a Grande Depressão, que tenho idade suficiente para lembrar, era ruim — muito pior subjetivamente do que hoje. Mas havia a sensação de que vamos sair disso de alguma forma, uma expectativa de que as coisas iriam melhorar...” — do Requiem para o sonho americano — (Nota de abertura).

O livro não trata-se apenas de um ensaio de quem viveu a tentativa de reerguer o sonho americano inúmeras vezes, ele também trata de educação política, onde nós, os leitores, poderemos inclinar nossos pensamentos aos designs de propagandas cedidos no eleitorado, tornando a maioria de nós refém das aparências e vítimas da casualidade em meros expectadores. Uma busca reflexiva que leva-nos diretamente para explicação de como a maioria do capital americano tornou-se “quase que uma propriedade privada” de apenas 1% de um todo.

Acervo pessoal

A visão sombria de Chomsky sobre o estado dos Estados Unidos é que é completamente controlada pelos poucos — e muito ricos —, porque as concentrações de dinheiro produzem concentrações de poder. Será que somos realmente livres ou vivemos em uma rede corporativista dominada por empresas que buscam frisar seus próprios interesses? O fato é que sempre teremos duas alternativas: ou buscamos os nossos próprios interesses e deixados à sociedade de lado diminuindo o poder da democracia,       ou diminuímos a desigualdade social e aumentamos a participação ativa dos civis na tomada por decisões que afetam a todos, porém, as duas ideias que se chocam não podem trabalhar juntas, ou não querem.

A América corre um risco seríssimo de acabar tornando-se uma oligarquia, uma sociedade de duas classes que consiste em apenas os muito ricos e os muito pobres. Tudo o que lutamos entre nós: a economia, a educação, o meio ambiente, o emprego, a raça e a religião fazem parte de uma campanha bem criada para consumidores e eleitores desinformados que fazem escolhas irracionais. Ele é projetado para nos amarrar com dívidas e para nos fazer votar contra os nossos próprios e até os interesses futuros das gerações futuras. 

Como Chomsky observa: “O poder tornou-se tão concentrado que não só os bancos são muito grandes para falhar”, mas como um economista afirmou que eles também são “muito grandes para a prisão”.. E qualquer um que acompanhe de perto eventos na sociedade americana hoje — seka pelo rádio, tevê ou jornal — diria o mesmo sobre essa observação de Chomsky: “os ricos e poderosos, eles não querem um sistema capitalista”. Eles querem poder correr para o “estado de babá” assim que estiverem em dificuldades e serem resgatados pelo contribuinte.

Os editores de “Réquiem The American Dream”, Peter Hutchison, Kelly Nyks e Jared P. Scott - intercalaram curtas passagens de outras fontes entre os 10 Princípios. As fontes variam ao longo dos séculos: de Aristóteles e James Madison a Harry Truman e Martin Luther King Jr.. Estes breves trechos de documentos clássicos, discursos, relatórios de imprensa e comentários sociais aumentam a apresentação do livro e melhoram a compreensão da mensagem de Chomsky.

Um ensaio elucidativo, muito bem elaborado e descrito. Chomsky possui uma facilidade descritiva acerca das problemáticas contemporâneas de um ponto de vista — e partida — selecionados minuciosamente dentro dos quatro anos de estudo, das inúmeras anotações e das preocupações com a concentração de riqueza e poder. Dedico esta leitura a todos os fãs de economia, política, sociedade e para todos que amam e querem o melhor para seus países.

O AUTOR

Noam Chomsky  é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como "o pai da linguística moderna", também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica.

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