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[RESENHA #218] Revolução, de Emmanuel Macron

segunda-feira, janeiro 22, 2018

/ by Vitor Lima
Revolução, Emmanuel Macron, Best Seller, 2017. | Foto: Acervo Pessoal

MACRON, Emmanuel. Revolução, a biografia de um líder. Rio de Janeiro, Best Seller. 2017, 223p

“Revolução”, este é o título da autobiografia de Emmanuel Macron, o homem mais jovem a presidir o senado na França. Nesta obra, Macron compartilha seu descontentamento com o atual cenário político na França e pensamentos acerca de mobilidade social, empregabilidade, setores de finanças e de toda conjuntura que rege o campo social. Aqui, iremos discorrer sobre os problemas do multiculturalismo, as saídas disponíveis para melhorar o setor de empregos e muitas outras dúvidas e melhorias que poderiam ter ocorrido há anos, mas que por um motivo ou outro, foram deixadas no papel — e até mesmo, esquecidas.

O livro é um emaranhado de questões políticas que colocam em pauta as questões fundamentais para o funcionamento de uma sociedade. Já na nota de abertura, o atual presidente da França evoca as questões principais para que haja um relacionamento claro e transparente entre sociedade e governo. Macron acredita que a França pode mudar o curso da história e progredir como nunca, não preocupando-se com o fracasso, mas com a mudança. O autor também enfatiza que atualmente estamos encontrando uma nova era, uma era de mudanças, onde existem preocupações maiores dentro de um mundo globalizado, repleto de perigos climáticos, conflitos geopolíticos, terrorismo e a degradação da Europa, que caracterizam um mundo em mudança constante. Macron acredita que a sociedade precisa adequar-se com as mudanças que estão ocorrendo e não tentar ajusta-las ao seu “padrão de vida”, buscando antigas soluções para problemáticas novas, quando na verdade a resposta para que haja uma nova realidade, um novo mundo é baseada apenas em seguir em frente.

A resposta a essa grande transformação não pode ser dada com os mesmos homens e as mesmas ideias, imaginando que seria possível voltar atrás. Pensando, simplesmente, em aperfeiçoar ou ajustar nossas instituições e nosso “modelo”, como alguns gostam de chamar, sendo que ninguém — no fundo nem nós mesmos — quer continuar a se inspirar nele. (p.8)

Macron acredita que a sociedade está pronta, apta e ciente de que precisa passar por uma repaginação política, social e cultural, porém, seus dirigentes não estão tão cientes quanto seu eleitorado.

Nós nos acostumamos a um mundo que nos causa preocupação. Que, no fundo, não queremos identificar nem enfrentar. Então, nos queixamos e reclamamos. E é ai, que surgem os dramas, e também o desespero. O medo se instala. Mas não o levamos a sério. Queremos a mudança, mas, sem a desejar de verdade. (p.9)

E como toda autobiografia, Macron também conta sua história de vida e inicio na carreira política. Sempre desacreditado por outros políticos mais experientes e por outros escalões, Macron sempre viu-se diferente de toda aquela multidão, por que sentia que existia em si a necessidade e a vontade de ouvir a voz do povo, ouvir suas exigências e fomentar um governo baseado na verdadeira essência da vitalidade democrática, onde o presidente sabe, conhece e se informa a respeito de quem ou de quê se trata determinada exigência, examinando sempre os fatos e ouvindo as pessoas e o que elas tem a dizer. Macron também abre seu coração e comenta a respeito das conversas e especulações que surgiram por conta de sua idade, afirmando que “Não é preciso passar toda uma vida na política para pretender assumir as funções supremas. Ter liberdade real em relação a esse sistema e, ao mesmo tempo, conhecer a intimidade da fábrica da lei e da decisão pública, tudo isso, estou convencido, é uma força.”.

O autor atribui à desgraça e o “fracasso francês” à desindustrialização existente no país. É necessário reestabelecer a estrutura industrial do país, produzindo e comercializando para adquirir as condições de uma nova prosperidade. Evocando seus antecessores, Macron enfatiza que a indústria está no sangue Francês e que ela sempre incentivou e motivou os empresários e assalariados. “A França nunca se pensou de maneira diferente de um país que cria, inventa, inova, que assume sua parte na construção do progresso humano”. (p.56)

Galeria de fotos da trajetória de Emmanuel Macron até a presidência | Best Seller, 2017. | Foto: Acervo Pessoal


Algo extremamente excepcional no discurso do autor é sua sinceridade com relação aos fatos no qual se propõe a comentar e abordar. Macron sabe, acredita e expõe sua real opinião sobre a realidade dentro da política, de que é falho prometer a felicidade a um povo sabendo que a política não consegue resolver tudo, muito menos de uma única vez, em um único mandato em um país que precisa de uma evolução e de reparos constantes. Prometer a felicidade para um povo é prometer um mundo sem misérias, sem desequilíbrio, sem desavenças, desacordos, e isso, é improvável e passível de culpa.

Em que ponto estamos hoje no que se refere a promessa? O mercado de trabalho na França está doente em todos os níveis. A taxa de desemprego se instalou de forma duradoura em índices elevados — ela afeta uma em cada dez pessoas em idade produtiva, um em cada quatro jovens e, em algumas regiões mais carentes, uma a cada duas pessoas. (p.103)

A obra é dividida em quinze capítulos com pouco mais de dez páginas cada. Cada capítulo apresenta fielmente o conteúdo que lhe é proposto no título. O autor possui uma facilidade descritiva sem precedentes, onde consegue catalogar todas as problemáticas separadamente, de forma que, os problemas sociais e políticos sejam abordados separadamente para que assim haja uma conclusão mais sucinta em seu ultimo capítulo, intitulado “Devolver o poder àqueles que o fazem”, onde o autor defende o direito de dar voz ao povo para que a verdadeira essência da democracia se instaure na sociedade e no campo político francês, visto que, muitos tentaram e fracassaram, por que com ele seria diferente? A diferença é que a França regride, avança, regride e avança com a mesma constituição, e o problema não é ela como muitos pensam. O problema é a ausência de contato entre sociedade e governo, onde a democracia fica em segundo plano, e para Macron, a democracia deve ser sempre a primeira a manifestar-se para melhorar um sistema coletivo.

O livro é realmente uma leitura interessante para os amantes de política. A visão de Macron pode (e deve) ser usada como modelo para qualquer governo existente no mundo. Todas suas pautas e comentários nos levam a crer que o sistema político é falho na maioria das vezes, por que a voz do povo é silenciada na tomada de decisões que afetarão a todos. O problema não é a democracia, por que ela existe, o problema é a forma como governo a coloca em prática sempre em seu favor, e não em favor do povo, e isso muda tudo.

O AUTOR
Emmanuel Macron é um político, funcionário público e banqueiro francês, atual presidente do seu país. Macron estudou filosofia na Universidade de Paris X - Nanterre, concluiu um mestrado em políticas públicas no Instituto de Estudos Políticos de Paris, e depois se formou na Escola Nacional de Administração em 2004. Em seguida, passou a trabalhar na Inspeção-Geral de Finanças antes de se tornar um sócio do banco Rothschild.

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