Responsive Ad Slot

LANÇAMENTOS

lançamentos

[RESENHA #217] Trópico de Capricórnio, de Henry Miller

segunda-feira, janeiro 22, 2018

/ by Vitor Lima
Trópico de Capricórnio, José Olympio | Foto: Acervo Pessoal

MILLER, Henry. Trópico de Capricórnio. 2ª Ed. Rio de Janeiro, Jose Olympio, 2017.

Sucessor de Trópico de Câncer. Publicado originalmente em 1939, este livro foi aclamado como parte da revolução sexual. Trópico de Capricórnio mantém a sexualidade e o erotismo em primeiro plano, porém não é simplseguesmente uma repetição dos temas e do estilo apresentados em Trópico de Câncer. Por meio de uma narrativa ainda mais densa e subjetiva, Henry Miller desfia seu passado em Nova York durante os anos 1920 – antes de embarcar para Paris e fazer da capital francesa a sua festa individual. Com toques autobiográficos, a história se passa nos anos 1920 e relata um passado permeado por considerações existenciais e em tons de cinza, da falta de trabalho e de dinheiro a um emprego odioso. Trópico de Capricórnio não é libertário como Trópico de Câncer. Pelo contrário, nele, o sexo parece mais escapismo do que celebração, fuga de uma realidade cruel e opressora. Mas, mesmo pessimista, a situação extremada parece pedir uma reação, que, como se sabe, viria com a ida a Paris.

Foto: Acervo Pessoal

Trópico de Capricórnio é um romance semiautobiográfico do escritor americano Henry Miller, publicado em Paris em 1938 — Mesmo ano onde realizou-se em Paris a primeira exposição internacional do movimento surrealista, acontecimento que marca o apogeu deste movimento antes da Segunda Guerra Mundial —. Situado na cidade de Nova Iorque, o romance conta a história do despertar espiritual do autor enquanto trabalhava como funcionário em uma divisão pessoal de uma empresa telegráfica. Grande parte do enredo gira em torno de seus anos conturbados com sua esposa, June Miller, e o processo de encontrar sua voz como escritor. Embora o narrador de sua obra compactue de seu mesmo nome e seja inspirado em sua vida, o romance é considerado uma obra de ficção.

Considerado por muitos como obsceno o livro acabou sendo retirado das prateleiras dos Estados Unidos em 1934 e permaneceu até 1961, até que o departamento de leis que estava em vigor desconsiderou toda obscenidade do livro. O livro narra a história de Miller em uma viagem pela Europa, até retornar para Nova Iorque, acumular capital e viajar novamente para Espanha, porém, os planos acabaram tomando outro rumo, e Miller acabou permanecendo em Paris, onde morou até 1940.

Em 1934, ele publicou em Paris o seu primeiro romance, o Trópico do Câncer, que reflete a visão de um expatriado americano em Paris sobre uma multiplicidade de tópicos, como a sociedade americana, a economia, a política, a sociedade e a literatura e a sexualidade, com um papel preponderante. O romance foi censurado em seu país até 1961, após o que ele foi objeto de vários julgamentos por obscenidade e pornografia até o Supremo Tribunal dos Estados Unidos declarou que era uma obra literária em 1964.



As aventuras descritas nele livro podem ser consideradas inapropriadas se analisarmos bem as palavras de Henry com relação ao sexo, ao prazer e a carnalidade. Miller é o tipo de escritor que não pensa, apenas escreve o que sente, e talvez seja isto, que tenha tornado o livro tão excitante e interessante.

Ninguém entendeu o que estava escrevendo ou porque escrevi dessa maneira. Eu estava tão lúcido que eles disseram que eu era um bêbado.

Mas apesar de toda escrita despretensiosa do autor, há o que se aprender neste livro. Aqui, iremos acompanhar a narrativa de alguém que realmente vive a vida da forma como deve ser vivida, Henry é ousado, destemido, atrevido, impulsivo e incompreendido.

“Eu queria sentir o sangue correndo de volta para as minhas veias, mesmo com o custo da aniquilação. Eu queria apertar a pedra e a luz do meu sistema. Eu queria a fecundidade escura da natureza, o poço profundo do útero, o silêncio, ou então o lapidão das águas negras da morte. Eu queria ser naquela noite que o olho sem remédio iluminava, uma noite com listras de estrelas e cometas de fuga. Para ser de noite tão assustadoramente silencioso tão incompreensível e eloquente ao mesmo tempo. Nunca mais falar ou ouvir ou pensar.”

“O sorriso era tão dolorosamente rápido e fugaz que era como o flash de uma faca.”

“Toda vez que você chega ao limite do que é exigido de você, você enfrenta o mesmo problema - ser você mesmo!”

“Eu procurei por algo para me amarrar e não encontrei nada. Mas, ao alcançar, no esforço para entender, para me amarrar, deixando alto e seco como era, encontrei algo que eu não procurei - eu mesmo.”

“— Eu acho que algum dia você vai ser um grande escritor —, disse ele. “mas”, ele acrescentou maliciosamente, — primeiro você terá que sofrer um pouco. Quero dizer, realmente sofrer, porque você não sabe o que a palavra significa ainda. Você pensa apenas que você sofreu. Você deve se apaixonar primeiro.”.

Poderemos observar que a escrita de Miller sofre uma constante evolução. A cada nova situação iremos descobrindo que as palavras começam a ganhar novos significados, conforme Miller descobria sua verdadeira vocação com as palavras.

Agora, vamos ser mais diretos com relação a como a escrita de Henry tornou-se algo inexplicavelmente inebriador. Em sua primeira obra "Trópico de Câncer", podemos ver que Miller possuía características claras de um louco apaixonado viciado em sexo e com uma mentalidade completamente machista, porém, toda essa visão estereotipada de um boêmio em busca de satisfação carnal cai por terra em trópico de capricórnio, isso acontece por que aqui, neste livro, o autor busca intensificar seus sentimentos trazendo a tona seus pensamentos, vontades e desejos. Ele escreve sobre retrospecção, percepção e introspecção de sua própria vida e pessoas ao seu redor. O "Miller" do "eu" desta história enfrenta uma espécie de dilema existencial, um processo de auto-descoberta, mas não de maneira muito típica. No final da novela, Miller usa uma metáfora para descrever seu processo como indo de patinação para natação até ser uma pedra. O "eu", como aprendido por produto da "alteridade" — algo que nos ensinamos a ser — é considerado com grande suspeição e como viver ou vitalidade. Esta é a patinação ao longo da superfície, algo que ele costumava fazer como uma criança para passar. Chegar a algum tipo de realização disso permite que alguém nade, que esteja nele e dele. 



Indico o livro para todo bom leitor apaixonado pela auto descoberta.

Nenhum comentário

Talvez você se interesse...
© all rights reserved
made with by Google