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[RESENHA #220] Jaula, de Astrid Cabral

Uma poesia delicada que busca conscientizar por meio da prosa.

sábado, fevereiro 17, 2018

/ by Vitor Lima

Jaula, de Astrid Cabral | Penalux, 2018 | Acervo Pessoal


JAULA. CABRAL, Astrid. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2018, 101p ISB 978-85-5833-276-7/ R$ 40,00

Um livro incrivelmente selvagem, escrito por uma amazona para todos nós que desejamos de uma forma (ou de outra) visitar por um instante uma jaula, um zoológico. Na segunda edição de seu livro intitulado “Jaula”, Astrid Cabral aumentou o número de poemas, melhorou a capa e deu um novo sentido a sua escrita reflexiva, poética, sonora e onipotente.

Em “Jaula” todos os poemas fazem referências à liberdade dos animais, o que demonstra que há um paradoxo no título da obra, a princípio supõe o leitor que os animais na poética estão todos presos em cativeiro, mas no decorrer da leitura, nota-se que todos eles possuem liberdade e são livres na natureza. Assim, também cabe mencionar uma questão importante identificada na obra Jaula: de uma forma irônica a autora Astrid Cabral revela que o homem é quem está enjaulado em sua arrogância, crueldade, insensibilidade e superioridade humana. Pode-se analisar de forma clara e objetiva a escrita da autora com referência ao princípio de Alteridade dos animais (¹que é quando um terceiro não pode intervir sobre os direitos de outro, ²Se colocar no lugar do outro), sendo assim, uma crítica relacionada à forma como os animais são tratados, sendo colocados em cativeiros e tendo o seu direito de liberdade invadido pelo ser humano. Essa crítica com relação ao direito de ser livre está presente na alusão construída pela autora no título da obra e nas reflexões poéticas que contradizem o título da narrativa, contradição esta que enfatiza a necessidade de refletirmos sobre como a sociedade age perante os direitos de um terceiro. Se estes mesmos problemas que se utilizam da figura do ser animal para ilustrar uma problemática, fosse elaborada rente a uma visão onde o animal enjaulado é o ser humano, a visão de que algo — ou alguém — invade o espaço de outrem, criando vínculos com a libertinagem, é imensa.  

         A linha poética de Astrid Cabral é algo extremamente reflexivo, onde não se pode interpretar suas palavras ao pé da letra, pelo menos  até que se tenha absorvido todas suas ideias e críticas. Os poemas são uma conjuntura de uma parte essencial de uma ideia reflexiva. Toda reflexão proposta pela autora está presente (principalmente) no conto da página 94, cujo título é “À sombra da papouleira”, onde há um diálogo breve entre uma garotinha e uma popoula, acerca da insatisfação da garota com a possível ideia de que seu pai possa vir a colocar a árvore abaixo somente para aumentar o jardim de sua casa. A partir daquele momento inicia-se uma conversação reflexiva entre a garotinha que reconhecia tudo o que recebia da árvore (um canto para descansar, sombra e etc) e uma árvore.
Enfim, o livro é incrível em todos os detalhes e pode — e vai — virar um de seus livros de cabeceira mais queridos. A escrita, sonoridade e estilística adotada pela autora é algo que realmente chama a atenção. Encare este livro da forma como sentir-se tocado: uma crítica social ou uma crítica social ambiental? De toda forma, a leitura flui perfeitamente e pode-se dizer que este é realmente um livro para se viajar pelas linhas.

A AUTORA

ASTRID CABRAL FÉLIX DE SOUSA nasceu a 25/09/36 em Manaus, AM, onde fez os primeiros estudos e integrou o movimento renovador Clube da Madrugada. Adolescente ainda transferiu-se para o Rio de Janeiro, diplomando-se em Letras Neolatinas na atual UFRJ, e mais tarde como professora de inglês pelo IBEU.

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