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[CRÍTICA] Verônica, 2009

Verônica (Andréa Beltrão) é professora de um pequeno aluno (Matheus de Sá) cujos pais foram assassinados pelo tráfico. Ela resolve ajudar o garoto, mas descobre que a polícia está envolvida no caso. Sem ter a quem recorrer, ela decide agir sozinha para escapar com o menino.

sexta-feira, março 09, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: Globo Filmes

Após vinte anos dando aulas na rede municipal de ensino, Verônica não consegue mais nem se encantar com os alunos, como no início da profissão. Um dia, Verônica percebe que ninguém veio buscar Leandro, de oito anos, e decide levar o menino até sua casa, mas ao chegar na favela, descobre que traficantes mataram seus pais e estão atrás dele. Sem coragem de deixá-lo à própria sorte, Verônica foge com o menino, mas sente que, quanto mais foge, mais penetra num mundo próximo da sua realidade, mas distante do que deseja! No entanto, ao tentar superar sua resistência e ao tentar conquistar a confiança de Leandro, Verônica encontra uma nova maneira de viver.

Verônica apesar de se tratar de uma ficção muito bem elaborada, é também o retrato verossímil do que se passa no Brasil. O roteiro do filme é uma crítica social sobre como as crianças são afetadas pela dura realidade do tráfico de drogas, em especial, as tão recorrentes nas periferias do Rio de Janeiro. Obviamente o filme inicia-se com uma apresentação básica da vida de um dos protagonistas: Leandro, um garotinho de oito anos. Leandro vive com seu pais em uma comunidade periférica, onde o tráfico rola solto e todos tornam-se reféns  da agressividade daqueles que comandam os negócios. Do outro lado temos a vida de Verônica. Verônica é uma professora exemplar, porém, muito estressada com os problemas, recém-divorciada e repleta de dívidas, sempre se vendo obrigada a pedir dinheiro para seu ex-marido, o que para ela, torna-se uma tortura ter que depender dele para alguma coisa. Um dia, durante as aulas, os pais de Leandro não comparecem para busca-lo, a professora pacientemente aguarda até o pôr-do-sol para leva-lo até sua casa, porém, ao chegar à comunidade descobre que os pais de Leandro foram mortos com dez tiros cada e que o garoto estaria jurado de morte. Sem alternativa, Verônica resolve fugir com o garoto o mais rápido possível, isso acaba gerando uma perseguição pela vida do garoto. O que Verônica não sabia, era que alguns policiais do Rio de Janeiro também estavam envolvidos no esquema de tráfico, o que dificultava ainda mais ajudar o garoto, afinal, eles poderiam tira-lo do conselho tutelar, fundação casa ou de qualquer órgão ao qual ela poderia submetê-lo. Agora, ambos correm contra o tempo para encontrar uma alternativa que beneficie tanto Verônica — que agora está decidida a adotar o garoto — quanto Leandro.

O filme pode ser considerado um dos dramas mais bem elaborados já protagonizados por um ator brasileiro, Andreia Beltrão conseguiu interpretar Verônica sem nenhuma dificuldade, e o melhor de tudo: mais real impossível. O filme é a narrativa da realidade de uma grande porcentagem do povo brasileiro: os que se tornaram reféns do tráfico por não poderem sair; os que entraram obrigados e àqueles que se tornaram reféns sem ter chance ou voz ativa de escolha, estes eu chamo de “reféns do medo”, geralmente são pessoas passivas e pacatas que convivem com o tiroteio, clima de tensão e ameaças de morte em seu cotidiano. A história de Leandro é fictícia, mas isso não significa que não existam outros “Leandros” a solta. Sabemos que o problema das drogas existe, sabemos que ele mata quem consome, quem vende e quem compra. Mas também sabemos que você não precisa estar envolvido para morrer pelos pecados dos outros.

Este é um dos filmes que entram para lista dos “100 filmes brasileiros para se aventurar”, sem sombra de dúvidas. A atuação de Andreia Beltrão, o roteiro, a originalidade por trás das câmeras e a essência que deu vida a todo roteiro tornam o filme ainda mais apaixonante. Indico para universitários, estudantes e qualquer público que deseja entender um pouco mais da realidade atual de alguns brasileiros e claro, se compadecer com a vida do outro e entender seus problemas. 

Confira o Trailer:


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