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[RESENHA #224] EXTRAORDINÁRIAS, de Aryane Cararo e Duda Porto de Souza

sábado, março 10, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: Acervo Pessoal | Companhia das Letras, 2018

Elas mudaram (e estão mudando) a nossa história. Mas você conhece a história delas?
CARARO, Aryane. SOUZA, Duda Porto. EXTRAORDINÁRIAS. Companhia das Letras, 2018.

Dandara foi uma guerreira negra fundamental para o Quilombo dos Palmares. Bertha Lutz foi a maior representante do movimento sufragista no Brasil. Essas e muitas outras brasileiras impactaram a nossa história e, indiretamente, a nossa vida, mas raramente aparecem nos livros. Este volume, resultado de uma extensa pesquisa, chega para trazer o reconhecimento que elas merecem. Aqui, você vai encontrar perfis de revolucionárias de etnias e regiões variadas, que viveram desde o século XVI até a atualidade, e conhecer os retratos de cada uma delas, feitos por artistas brasileiras. O que todas essas mulheres têm em comum? A força extraordinária para lutar por seus ideais e transformar o Brasil.

Foto: Acervo Pessoal | Companhia das Letras

Dandara, Maria Felipa, Pagu, Zuzu Angel, Chiquinha Gonzaga, Nise da Silveira, Carolina Maria de Jesus, Dona Ivone Lara, Antonieta de Barros, Maria Firmina…

Você reconhece estes nomes?

A história acontece ao passo que vivemos, porém, algumas pessoas vivem mais intensamente que outras. Seja por ousadia, coragem ou determinação, estas pessoas acabam alcançando sonhos, metas e realizações jamais imaginadas, e a decisão destas pessoas em não se contentar com determinadas situações, trouxe a revolução para os dias de hoje. Aryane Cararo e Duda Porto abriram os olhos para aquelas mulheres que estavam, de certa forma, esquecidas na história. É muito fácil se lembrar da história ou celebrar um fato histórico, porém, as pessoas esquecem-se de que para que um fato histórico torne-se possível, antes alguém tem que dar o primeiro passo e causar uma revolução, e foi assim que nasceu o livro EXTRAORDINÁRIAS, lançado recentemente pelo maior selo editorial brasileiro, o Grupo Companhia das Letras.

Foto: Acervo Pessoal | Companhia das Letras

O livro é uma aposta ousada por parte da editora, isso caracteriza-se por dois fatos: Este não é o primeiro livro que possui como foco/objetivo enaltecer os grandes feitos/acontecimentos das mulheres, porém, ele é o primeiro a focar apenas nas conquistas de grandes nomes que revolucionaram o Brasil para que ele fosse o que é hoje.

Escrito em 208 páginas, o livro nos trás a tona uma listagem de personalidades femininas que tornaram-se cruciais para o desenvolvimento da história do Brasil, totalizando um total de 44 nomes. É claro que o livro narra as conquistas de cada uma destas figuras ilustres, como também fatos e curiosidades sobre cada uma delas. Ah, e claro, o livro é totalmente ilustrado, o que deixa a leitura ainda mais interessante.


Confira alguns nomes citados na obra:

ADA ROGATO

Foto: Acervo Pessoal | Companhia das Letras

Foi à primeira mulher a obter licença como paraquedista, a primeira volovelista (piloto de planador) e a terceira a se brevetar em avião (1935). Também se destacou pelas acrobacias aéreas e foi a primeira piloto agrícola do país. Voando em aeronaves de pequeno porte e – ao contrário de outras famosas aviadoras – sempre sozinha, a fama nacional e internacional cresceu a partir dos anos 1950, graças à ousadia cada vez maior das proezas, que fizeram dela.

GRAZIELA MACIEL BARROSO


Foto: Acervo Pessoal | Companhia das Letras

Nascida em Corumbá, filha de Salustino Antunes Maciel e Alzira Martins Maciel, Graziela foi educada para ser dona de casa, casando-se com apenas 16 anos com o agrônomo Liberato Joaquim Barroso. Devido ao trabalho do marido, morou em várias regiões do país. Com os filhos crescidos, aos 30 anos, seu marido perguntou se Graziela gostaria de voltar a estudar, ensinando-lhe botânica em casa.
Assim, Graziela foi trabalhar como estagiária no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foi a primeira mulher a fazer o concurso para ser naturalista do Jardim Botânico. Em 1946, ingressou na instituição e começou a trabalhar com seu marido em sistemática botânica. Graziela não tinha curso superior na época, mas treinava novos estagiários, alguns deles mestrandos e doutorandos.


MARIA FIRMINA DOS REIS

Foto: Acervo Pessoal | Companhia das Letras

Maria Firmina dos Reis nasceu na Ilha de São Luís, no Maranhão, em 11 de março de 1822. Foi registrada como filha de João Pedro Esteves e Leonor Felipe dos Reis. negrabastarda, era prima do escritor maranhense Francisco Sotero dos Reis por parte da mãe. Em 1830, mudou-se com a família para a vila de São José de Guimarães, no continente, município de morta e viva Viveu parte de sua vida na casa de uma tia materna mais bem situada economicamente. Em 1847, concorreu à cadeira de Instrução Primária nessa localidade e, sendo aprovada, ali mesmo exerceu a profissão, como professora de primeiras letras, de 1847 a 1881.”

ZUZU ANGEL

Foto: Acervo Pessoal | Companhia das Letras

Personagem notória do Brasil da época da ditadura militar, ficou conhecida nacional e internacionalmente não apenas por seu trabalho inovador como estilista de moda mas também por sua procura pelo filho, militante, assassinado pelo governo e transformado em desaparecido político, em que enfrentou as autoridades da época e levou sua busca a se tornar conhecida no exterior.
Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade recebeu de Cláudio Antônio Guerra, ex-agente da repressão que operou como delegado do Departamento de Ordem Política e Social do Espírito Santo (DOPS – ES), a confirmação da participação dos agentes da repressão na morte de Angel.

AS AUTORAS


ARYANE CARARO: É jornalista há vinte anos, com foco no universo materno e infantil, especialmente em literatura infantojuvenil. Trabalhou como editora-chefe da revista Crescer e foi editora do suplemento infantil Estadinho, além de ter colaborado com jornais e revistas diversos. Tem pós-graduação em jornalismo literário pela ABJL e mestrado em estética e história da arte pelo MAC-USP.

DUDA PORTO DE SOUSA: É responsável pela criação da primeira Biblioteca Multilíngue Infantil pública do Brasil, localizada em São Paulo. Jornalista, já colaborou com diversas publicações do segmento infantil. Já participou do desenvolvimento de exposições de grande público, além de atuar como consultora na criação da primeira galeria de arte de Manaus. É professora-convidada do curso de Artes Visuais do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.

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