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[RESENHA/ANÁLISE #222] A parte que falta, de Shel Silverstein

Esta reflexão iniciou-se após a Youtuber Julia Tolezano (26) decidir publicar um vídeo reflexivo acerca do livro “A parte que falta”, do autor americano Shel Silverstein, publicado no Brasil pelo selo infantil Companhia das Letrinhas, selo este, pertencente ao Grupo Companhia das Letras.

quinta-feira, março 01, 2018

/ by Vitor Lima
Julia Tolezano ou joutjout prazer | Youtube | Reprodução


Antes de iniciarmos uma análise textual desta obra — mais precisamente dos sentimentos que ela evoca — iremos analisar um pensamento que contextualiza toda a essência desta obra em poucas linhas, Victor Hugo — autor de “O corcunda de Notre Dame” —, nos diz: “Fazes-me falta, estou ausente de mim própria”.

SILVERSTEIN, Shel. A parte que falta. Companhia das Letrinhas, 2018.

A parte que falta, de Shel Silverstein
Companhia das Letrinhas
A parte que falta é uma das inúmeras obras escritas por Shel Silvertein ao longo de sua carreira como escritor. Nesta obra, o autor evoca o sentimento humano da falta, da ausência da completude de cada ser consigo mesmo. A obra narra à vida de um personagem que vive um dia de cada vez, sempre em busca de algo que aparentemente lhe falta. Este por sua vez, busca a todo custo encontrar a parte que se encontra ausente de sua essência, de seus dias. A “ausência” nesta obra foi adaptada ao personagem, podendo ser caracterizada como alguém que nos valorize da forma como somos, porém, se levarmos essa adaptação em consideração, poderemos perceber que esta falta está presente em todos os setores de nossa vida, não somente na amorosa. Até mesmo por que este personagem possui uma rotina bem alegre, onde ele desfruta de tudo o que a vida lhe proporciona diariamente: a chance de viver um dia de cada vez.

A parte que falta | Reprodução

O dilema retratado na vida deste protagonista é de fato um dilema verídico, não podendo limitar-se aos campos da imaginação. Sendo assim, o livro poderia contar sem nenhum problema a vida de uma pessoa que de fato existe e que está em busca da parte que lhe falta, já que todos os dias algo falta em nós. Porém, acredito que esta busca seja fruto de uma ausência de análise do ser em si, pois quando se compreende o que se quer da vida, o que se almeja encontrar e o que você tem ao seu redor, você para de procurar e começa a estudar as possibilidades que você tem nas mãos e deixa escapar. Thomas Hardy nos diz: A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso do que temos. Às vezes essa falta é apenas a ausência de valorização que demos para aquilo os que de fato já possuímos. Aprofundando nossa análise, tornando-a um pouco mais minuciosa, poderemos observar no estudo e no contexto gramatical de falta que ela nada mais é que “o fato de não estar num lugar onde se poderia ou deveria estar; ausência”, o que me  faz levar uma série de questionamentos: Será que nós realmente estamos onde gostaríamos de estar, ou será que esta ausência existe porque eu não sei onde procura-la? Ou talvez, eu não tenha ideia do que necessita ser preenchido, então acabamos ficando rodando em círculos em busca de algo que talvez nunca chegue. Afinal de contas, a vida é repleta de surpresas e se descobrir todos os dias e preencher nossos vazios com o que temos é apenas uma etapa, a busca por alternativas é uma opção, por que nós temos a plena consciência que dá sim para se preencher o vazio que nos corrompe com o que temos.

E para finalizar com chave de ouro, vamos trazer a tona uma das frases mais incríveis que já li acerca da falta, dita pela maravilhosa (e incrível) romancista brasileira Tati Bernardi: “Sentir falta é diferente de sentir saudade. A saudade bate agonia, estremece. A falta congela, chora, entristece. A saudade é a certeza que a pessoa vai voltar. A falta é o querer ter de volta, mas saber que não vai ter”, por que temos que encarar este fato: ninguém jamais conseguirá suprir a falta e se sentir verdadeiramente completo, por que todo o dia terá uma lacuna para preencher, para suprir, para acabar. E amanhã? Tudo começa outra vez, e assim seguiremos a vida: vivendo.


O AUTOR

Sheldon Allain Silverstein nasceu em 1930, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Em 1961, estreou com o romance Uncle Shelby’s ABZ Book, que despertou a curiosidade de um editor de livros infantis. Dois anos depois, Silverstein lançaria sua primeira publicação para crianças, Leocádio, o leão que mandava bala. Desde então, não parou de escrever. Muitos de seus livros foram traduzidos em dezenas de países.

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