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[RESENHA #234] Poemas para metrônomo e vento, de Roseana Murray

Novo Livro de Roseana Murray propõe reflexões acerca do tempo e do cotidiano.

quarta-feira, abril 25, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: Divulgação | Penalux

POEMAS PARA METRÔNOMO E VENTO. MURRAY, Roseana. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2018.

Poemas para metrônomo e Vento — Como definir aquilo o que sentimos quando a nossa vontade e o nosso desejo se sobrepõe as nossas ações? Viver requer tempo e dedicação. É necessário abrir os olhos, afinal, tem gente apenas existindo, enquanto a vida passa por elas. Atrevo-me a dizer que Roseana Murray sente, vivencia e transmite a vivência passando pelas veias, como alguém que sente a brisa tocar o rosto, como quem observa e participa da cena enquanto ela acontece como quem faz acontecer. A inteligência das palavras e da astúcia da autora se evidencia através da escolha do título de sua obra: “Metrônomo e Vento”, o metrônomo é um aparelho utilizado para emitir pulsos sonoros com duração regular para indicar o andamento de um som musical, neste caso, ele poderia representar a vivência de quem sente as experiências na pele, de quem vive a vida que tem, porém, também pode indicar a própria música, que é um tema abordado com frequência nas linhas reflexivas da autora ou até mesmo um indicativo de que o tempo passa, já que a frequência de um metrônomo é medida através de um pêndulo, que também é utilizado em relógios - que obviamente, serve para marcar o tempo de acordo com o qual vai passando -. Já o vento, pode representar de forma significativa as oportunidades, momentos e sentimentos que passam e nada deixam, são momentos que não nos lembramos, afinal, enquanto ocorriam estávamos em êxtase com coisa alguma, deixando a vida passar.

O livro possui 110 páginas e 97 poemas sobre as diferentes sensações que a vida pode emitir a quem se vive: Liberdade, Momentos, Ausência, A espera, O medo, O vazio, e tudo aquilo o que ajuda a formar nossa identidade no decorrer de nossa caminhada.

O poema que dá abertura a toda sequência musical em prosa, intitula-se “Asas”, e é definido pelo desejo de quem transmite a emoção e a vontade de viver intensamente cada instante:

Se não temos asas, temos palavras [...] com pedaços de vida [...] Se o tempo explode dentro do corpo, então os fios da memória para misturar sal e açúcar. (ASAS, p.09)

...Mas também fala sobre a saudade de forma intensa, de forma nostálgica:

Os mortos se alimentam da nossa memória, sua comida é o fiar contínuo dos nossos pensamentos, o ruído que fazemos enquanto existimos, enquanto abrimos e fechamos nossos olhos e as mãos, para recolher a luz e guardar estrelas. Carregá-los entre os ossos, a saudade feito notas musicais, é o mais duro ofício, mas, às vezes, em certos dias, podem ser mais leves que um sopro, uma lágrima, e com seu silêncio, desenham o esboço de nossas vidas. (OS MORTOS, p.23)

A leve tecedura com a qual a autora conduz seus manuscritos é algo que me instiga a refletir sobre como alguém consegue encaixar tão bem uma palavra a outra e dar sequência a uma série de escritos que são distintos, mas que casam muito bem com a vida e com os sentimentos. Sempre existirá um verso para um momento específico, mas este livro, narra todos os momentos já vivenciados por alguém, eu poderia chama-lo de “livro da saudade”, já que toda vez que leio um novo poema eu experimento uma sensação já vivida: A saudade de alguém que se foi, a vontade de progredir, o sentimento que me toma sempre que penso em desistir.

SAUDADE, reflexões, SENTIMENTO, mudanças e DESEJOS. Um encontro misto de sensações dentro de uma única leitura. Um livro indispensável para se ter na prateleira, para ler durante o café, uma pausa no trabalho, uma tardezinha ensolarada e até mesmo em casa sozinho.


A AUTORA

Roseana Murray (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1950). Autora de livro infantil e juvenil. Gradua-se em língua e literatura francesa em 1973, na Universidade de Nancy, França. Estréia como escritora com o livro de poesia para crianças, Fardo de Carinho, de 1980. Dois anos depois publica os primeiros contos em No País das Coisas Impossíveis. A partir de então, Roseana torna-se uma referência na poesia infantil e juvenil, com mais de quarenta títulos publicados em edições caprichosamente ilustradas. Além de dedicar-se à literatura, participa de trabalhos de estímulo à leitura no Rio de Janeiro, como o projeto Saquarema, uma Onda de Leitura, desenvolvido a partir de 2003, com a Secretaria Municipal de Educação. Integra, com o livro Tantos Medos e Outras Coragens, a lista de honra do International Board on Books for Young People - Ibby desde 1994. Espanha. Tem poemas publicados em dois volumes de autoria do jornalista Juan Arias, Um Deus para 2000, de 1999, e Maria, Esta Grande Desconhecida, de 2005, com tradução para seis línguas. Em 2002, recebe o Prêmio Academia Brasileira de Letras de literatura infantil pela publicação de Jardins. Sua obra compõe a coleção Literatura em Minha Casa, do Ministério da Educação - MEC, com os títulos: A Bailarina e Outros Poemas, Palavras de Encantamento e Meus Primeiros Versos.

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