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[RESENHA#229] Édipo Rei, Sófocles

segunda-feira, abril 09, 2018

/ by Vitor Lima

SÓFOCLES. Édipo rei. São Paulo: Paulinas, 2016 / R$ 42,50
Édipo Rei, Sófocles | Edição L&PM 

Em uma narrativa digressiva, o autor Sófocles escreve-nos uma história trágica, dramática e instigante com relação à narrativa, onde o protagonista — rei Édipo — é colocado como centro de sua própria ruína. Ao nascer, Édipo foi entregue pela rainha Jocasta a um velho senhor para ser morto, mas que por algum motivo, apiedou-se e o levou para um outro reino para ser criado  junto a um rei e uma rainha. Sua vida estava marcada por uma terrível maldição que o acomete desde pequeno: De acordo com os oráculos, Édipo mataria seu pai, tomaria sua mãe por esposa e constituiria uma família. Temendo que isso de fato fosse acontecer e que o velho acataria suas ordens, Jocasta dá seu filho amaldiçoado para ser morto, mas que por uma infelicidade do destino cresce em um reino não muito distante por outros reis.

Após derrotar a terrível esfinge, Édipo recebeu a mão da rainha Jocasta em Casamento e se tornou rei de Tebas. Com Jocasta Édipo teve quatro filhos, os meninos Eteócles e Polínices e as meninas Isménia e Antígona. Muitos anos se passaram, e Édipo apesar de possuir alguns defeitos, era visto como um rei justo e bom. Contudo, a cidade de Tebas é acometida com uma terrível que doença que passa a ceifar os habitantes da cidade. Desesperada, a sociedade recorre ao seu rei que já havia salvado a cidade no passado, suplicando-lhe que fizesse o que fosse necessário para poupar Tebas de tal praga. Inclinando-se para seu povo, Édipo decide tomar providência dos acontecimentos ordenando a Creontes — Seu amigo e cunhado — que vá ao oráculo de Delfos para descobrir a causa de tamanha desgraça. Após um tempo, Creontes retorna com os motivos de tão grande calamidade.

"Vou revelar o que me foi dito pelo glorioso oráculo de Delfos. Ele ordena que expressamente por vivermos na cidade sagrada de Tebas, revelou que a peste persistirá até que o culpado pela morte de Laio, antigo rei de Tebas seja expulso da gloriosa cidade fundada por cadmo, a qual ele usa como refúgio".

Tudo o que se sabia era que o rei Laio havia sido assinado em uma encruzilhada por um bando de ladrões, mas suas identidades eram até então, desconhecidas. Édipo chama para si a responsabilidade de desvendar a identidade de tão vil elemento que se esconde dentro das muralhas de tebas e diz:

— "Qualquer um que saiba a real identidade do assassino, está intimado a relatar o que sabe a mim. Não tema nenhum tipo de represália quem quer que seja o criminoso, você será devidamente recompensado. Quero que saiba que sua integridade física será preservada e não sofrerá nenhuma pena, a não ser claro, o exílio exigido pelo oráculo.  E quero que todos saibam que não descansarei até que o homem responsável pela morte de Laio encontrado e expulso, mesmo que ele faça parte de minha corte ou família e rogo aos deuses que castiguem tal sujeito e lhe imponham toda dor e sofrimento."

Creontes sugere que seja chamado Tirésias, o velho era um notório adivinho, e com a ajuda de seus poderes, o criminoso poderia ser encontrado. O velho Tirésias se apresenta perante Édipo, que lhe diz:

— Sabe ancião, a sua reputação como adivinho lhe pertenci-a a me ajudar a descobrir a identidade do verdadeiro assassino de meu antecessor, então, ordeno que revelo tudo o que sabe. 

— Terrível é o conhecimento que só trás desgraça a quem o conhece. Deixe-me ir meu rei e carregue seu próprio fardo, e deixe que eu carregue o meu. Será melhor para os dois. 

— Se tem ciência da identidade do assassino, revele agora. Não permita que a cidade de Tebas continue a sofrer por sua missão.

— Não sabes o que pedes, tal conhecimento só trará desgraças e de minha boca nada saberás.

— COMO OUSA TRAIR A PÁTRIA QUE O ACOLHEU? Tal traidor só pode ser cúmplice de tal crime.

Tirésias fica profundamente ofendido com tal acusação e decide revelar o que sabe:

— Você insistiu em buscar a sua própria ruína, pois saiba que o ímpio que profana a nossa cidade és tu, rei de Tebas.

— Tirem este homem da minha frente, ele não passa de um velho demente. 

— Você queria a verdade e me forçou a dizê-la, agora imponha a si mesmo os castigos devidos e receba os frutos da maldição que rogou, pois quem conhece a verdade poderosa do que está dito e esta dito. 

— Levem-no daqui, este velho só pode estar aliado a creontes, que trouxe este homem aqui para roubar a minha coroa. 

Édipo acusa creontes de conspirar juntamente a Tirésias em uma forma de removê-lo do poder. 
As mãos ensanguentadas de Édipo, após furar seus olhos. 

A partir deste ponto, seu amigo e fiel companheiro Creontes decide partir da cidade de Tebas a fim de não ser mais humilhado e o Tirésias amaldiçoa Édipo com suas falácias e ausência de comprometimento com seus próprios ideias, já que prometeu exilar o responsável pela desgraça da cidade de Tebas, no qual era o próprio rei, que recusou-se de aceitar a profecia do sábio Tirésias e o mandou retirar daquele local o considerando um terrível demente. 

Após a saída de creontes e tirésias, Édipo é ludibriado pela rainha Jocasta a não buscar novas informações sobre seu passado, uma vez que a profecia ainda está em voga. Só que Édipo recebe uma feliz noticia: Seu pai faleceu — mau sabendo que este era seu pai de criação, não biológico — não tendo sido morto por suas mãos, o que alegrou o coração do rei de certa forma, fazendo-os acreditar que os oráculos estavam terrivelmente enganados com relação a profecia, uma vez que o oráculo de Apolo errou na previsão de que Édipo mataria seu pai. Só que com o coração repleto de medo, Édipo decide não comparar ao reino, afinal, ele poderia ter matado seu pai de outra forma: desgosto pela sua ausência, e seu comparecimento no reino ocasionaria a terrível maldição de tomar sua mãe por mulher, e com ela constituir uma família.

Antes que pudessem comemorar, Édipo recebe a triste noticia de que aqueles não eram seus pais verdadeiros e que este, por sua vez, recebeu-lhe quando ainda pequeno de uma senhora, e o levou para o reino de Corinto. Ao ouvir estas revelações, Jocasta sentiu profundo aperto no coração e começou a dissuadir Édipo de sua ideia original que era descobrir a verdadeira identidade de seus pais e quem é o real responsável pela desgraça em Tebas. 

Édipo não entende a reação exaltada de sua esposa que sai correndo rumo aos seus aposentos reais em prantos. Obviamente que Édipo não detém conhecimento das preocupações de sua esposa, mas acha que o motivo de tal prantos talvez seja o fato de que seus pais possam ser de uma classe inferior, manchando assim o nome da família real de Tebas. 

Édipo ao lado do mensageiro que lhe dissera sobre seus pais adotivos, aguardam a chegada do servo que o recebeu dos braços do mensageiro após a entrega de Édipo por Jocasta, que havia lhe dado para morrer no monte citerão. Este, por sua vez, revela ao rei aquilo o que desejas saber: ele era filho daquela com quem constituiu uma família. 

Após esta terrível revelação, houve luz nos caminhos que buscavam explicação pelo rei. Édipo, porém ficou sabendo de um terrível acontecimento, a rainha Jocasta havia cometido um terrível ato desesperado, então, Édipo vai correndo ao seu encontro tentando impedi-la, porém, a mesma encontrava-se morta amarrada por uma corda enforcada em seus aposentos reais. Édipo a coloca sem vida no chão remove seus broches e fura seus próprios olhos e amaldiçoa sua vida em exílio, conforme falaste outrora.

A vida de Édipo possui uma continuação intitulada "Antígona", o mesmo nome de uma de suas filhas. 

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