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[RESENHA #237] O cogumelo Venenoso, de Ernst Ludwig Hiemer

Publicado originalmente em 1938 por Julius Striches, “O cogumelo Venenoso”, foi uma das formas encontradas pelo governo nazista disseminar o antissemitismo por toda esfera social alemã. Esta é uma publicação para fins de estudo, não demonstramos interesse em apoiar o conteúdo do mesmo, e nem de fazer apologia a movimento político algum. Assim como não demonstramos em nenhum momento sermos favoráveis a nenhum dos termos/textos ou afirmações seguintes.

quarta-feira, maio 16, 2018

/ by Vitor Lima
Esse material foi produzido completamente e “ao pé da letra”, somente para fins de estudo - uma vez que é difícil encontrar materiais sobre esse famigerado assunto em nosso idioma que sejam neutros e/ou fiéis aos originais. Não demonstramos interesse em apoiar o conteúdo do mesmo, e nem de fazer apologia a movimento político algum. Assim como não demonstramos em nenhum momento sermos favoráveis a nenhum dos termos/textos ou afirmações seguintes.

O cogumelo venenoso é uma obra infantil publicada em 1938 por Julius Striches durante a ascensão do nazismo na Alemanha. O livro é uma obra antissemita escrita por Ernst Ludwig Hiemer que se propagou por todas as redes de ensino da Alemanha durante o regime nazista. O texto foi adotado como uma forma de propagar o antissemitismo que resultou no holocausto judeu. 

O livro foi uma das políticas adotadas pelo governo para “conscientizar” as crianças sobre os riscos que os judeus traziam para a Alemanha, para economia e, sobretudo, para a sociedade.  O partido nazista “trabalhava” em cima das massas jornalísticas para influenciar as pessoas com seus discursos elaborados e com suas propagandas antissemitas. Após um período, ficou evidente que as crianças precisavam tomar conhecimento do possível mal que estava acometendo a sociedade alemã. Após este período, as crianças judias começaram a sofrer uma onda interminável de Bullying nas escolas, nas ruas e em qualquer outro lugar onde estivessem, e em seguida, ocorreu a expropriação de suas casas, separação de membros de uma família, organização dos transportes (em sua maioria, trens) e concentração massiva do povo judeu nos campos de concentração, também disseminados pelo partido nacional socialista como sendo um “campo de trabalho”.


O foco principal da narrativa adotada por Heimer está ligado diretamente à definição do que vem a ser o judeu.  Enquanto para alguns o que define ser ou não ser um judeu está ligado às crenças e costumes, para os alemães o que definia um judeu era sua herança sanguínea, e sendo assim, era impossível catequiza-los ou convertê-los para uma outra religião, já que é impossível redefinir seu DNA biológico, e seguindo esta linha de raciocínio eles adotaram uma única saída: a destruição completa do povo judeu.  A narrativa também aborda questões que estavam ligadas diretamente à sociedade alemã: A expulsão dos judeus das esferas sociais — locais públicos, proibição de transição entre ruas, estabelecimentos e meios de transportes, e claro, a criação da lei de proteção do sangue de Nuremberg, que previa que o sangue dos alemães deveria se manter puro, expulsando completamente os judeus de toda a esfera social. 




O capítulo doze desta obra enfatiza e questiona: “o que Cristo disse sobre os Judeus?”. Em uma narrativa extremamente curiosa, o autor apresenta um diálogo simples feito por uma camponesa e seus dois filhos em um passeio. Ao avistar uma cruz, a mãe para, reflete e explica para os filhos quem foi Jesus e o que os judeus fizeram com ele.
Leia atentamente:

A mãe camponesa voltava do seu trabalho no campo com seus três filhos, e faz uma pausa quando vê uma imagem de Cristo. A mãe fala para eles sobre a maldade dos judeus.

Ela aponta para a cruz à beira da estrada:

- Crianças olhem ali. Esse homem pendurado na cruz foi um dos maiores inimigos dos judeus de todos os tempos. Ele sabia que os judeus eram corruptos e malvados. Uma vez ele expulsou os judeus com um chicote, pois eles estavam enfiando suas negociações na igreja. Ele chamou os judeus de “Assassinos dos homens desde o princípio” porque queria dizer que os judeus foram assassinos em todos os tempos. Ele disse também sobre os judeus: “Seu pai é o Demônio!”. Sabem o que isso significa crianças? Significa que os judeus descendem do Demônio. E por descender do demônio, eles podem viver como demônios. Então cometem um crime atrás do outro.

As crianças olham pensativas para a cruz, e a mãe continua:

 - Por esse homem conhecer os judeus, por contar essa verdade para o mundo, ele tinha que morrer. Então os judeus o assassinaram. Então cravaram pregos em suas mãos e pés, deixando-o sangrar lentamente. Dessa maneira horrível os judeus tiveram sua vingança. E de modo muito parecido eles mataram muitos outros que tiveram a coragem de dizer a verdade sobre os judeus. Lembrem-se sempre disso, crianças. Quando virem uma cruz, pensam na morte horrível dos judeus no Gólgota. Lembre-se que os judeus são crias do Demônio e assassinos de humanos. Lembre-se do ditado:

“Enquanto os judeus estiveram na Terra
Existiram inimigos de judeus.
Eles avisaram sobre o sangue judeu,
E sacrificaram seu próprio sangue, Para que o mundo pudesse conhecer o Demônio
E não afundar nas ruínas;
Para que o mundo pudesse ser libertado em breve
Da escravidão pelos judeus.”



O capítulo que sucede esta narrativa é o “O dinheiro é o deus do judeus”, reafirmando a ideia de que eles não adoravam a nada, a não ser suas próprias riquezas.

Observe:

- Diga-me mãe, como os judeus são tão ricos? Nosso professor nos disse que milhares de judeus pelo mundo são milhonários. E ainda disse que os judeus não trabalham. E que os nãojudeus é que devem trabalhar. E que os judeus somente negociam. Mas que não se pode se tornar um milhonário negociando papéis, ossos roupas velhas e móveis!.

A mãe então explica como ocorre: O judeu é indiferente se os não-judeus estão passando fome. Os judeus não têm piedade. Esforçam-se só por uma coisa - dinheiro. E não se importam no modo de conseguí-lo.

Liselotte pergunta como eles conseguem se comportar dessa maneira.

E a mãe responde:

—  Filha, perceba uma coisa. Os judeus não são como nós. Os judeus são como demônios, e os demônios não têm senso de honra, tratam apenas de maldades e crimes. Já tens lido a bíblia, Liselotte. Lá diz o que o deus dos judeus disse aos judeus uma vez: "Vocês precisam engolir todo o povo da Terra". Sabes o que significa isso? Significa que os judeus precisam destruir as demais pessoas. Precisam sangrá-las e explorá-las até que morram. É só isso que significa.

O cogumelo venenoso é uma das obras mais assustadoras e terríveis de se analisar, principalmente se partirmos do ponto em que se trata de uma obra de consumo infantil. Em 291 páginas e dezessete capítulos, o autor trabalha em cima de todo antissemitismo, fazendo o leitor acreditar que os judeus eram responsáveis por toda desgraça social, econômica e racial ao qual a Alemanha estava sendo submetida. Após diversas propagandas, obras literárias, anúncios e discursos políticos proferidos, os judeus começaram finalmente à ser extinguidos da sociedade alemã. 

O livro termina com uma pergunta extremamente curiosa: Existem Judeus bonzinhos? E é claro que o capítulo não aborda questões positivas com relação a resposta.

Confira alguns dos trechos presentes nesta obra:

·         “Do mesmo modo que cogumelos venenosos levam a uma terrível calamidade, o judeu é a causa da miséria, sofrimento, falta de saúde e morte” (do capítulo 1, O Cogumelo Venenoso).

·         “Eles se disfarçam, tentam ser amigáveis, afirmando mil vezes suas boas intenções para conosco. Mas não se deve acreditar neles. Judeus eles são e judeus eles serão. Para nosso povo, eles são venenosos” (do capítulo 1, O Cogumelo Venenoso).

·         “Os gentios foram criados para servir os judeus. Devem arar, semear, capinar, cavar, colher, regar e moer. Os judeus foram criados para encontrar tudo pronto” (do capítulo 4, O que é o Talmud?).

·         “Não se deve negociar nada com um judeu. O judeu sempre nos trapaceará e tomará todas nossas posses. Todo camponês deve se lembrar disso.” (do capítulo 6, Como um camponês alemão foi expulso de sua casa e fazenda).

·         “Eu recebia somente pequenos salários e tinha que trabalhar de manhã cedo até tarde da noite, sem ter quase nada para comer. Os judeus me tratavam como um cachorro e sempre me insultavam” (do capítulo 10, Como o judeu trata seus empregados).

·         “Os judeus são um povo criminoso. Com a mesma brutalidade e sede de sangue com que eles matam animais, também matam seres humanos. (…) Desde o princípio os judeus foram um povo assassino. São como demônios na forma humana” (do capítulo 12, Como os judeus torturam os animais).

·         “Por esse homem conhecer os judeus, por contar essa verdade para o mundo, ele tinha que morrer. Então os judeus o assassinaram. Então cravaram pregos em suas mãos e pés, deixando-o sangrar lentamente. Dessa maneira horrível os judeus tiveram sua vingança. E de modo muito parecido eles mataram muitos outros que tiveram a coragem de dizer a verdade sobre os judeus” (do capítulo 13, O que Cristo disse sobre os judeus?).

·         “Os judeus não são como nós. Os judeus são como demônios, e demônios não têm senso de honra, tratam apenas de maldades e crimes” (do capítulo 14, O dinheiro é o deus dos judeus)”

Após o final da segunda grande guerra, todos os livros antissemitas foram banidos da Alemanha, embora haja ainda obras em circulação pela web. 

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