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[DROPS #4851] Os 120 dias de Sodoma, de Marquês de Sade

Os Ecos de Sade perpetuam-se até os dias atuais. Uma obra polêmica, emblemática e ao mesmo tempo, misteriosa. Confira conosco um pouco desta obra fantástica de 1785.

segunda-feira, junho 25, 2018

/ by Vitor Lima
Grupo de teatro "Satyros" representando "Os 120 dias de Sodoma" | Foto por: André Stéfano

Os 120 dias de Sodoma | Marquês de Sade
Uma das coisas que mais gosto na boa literatura é sua capacidade de romper os limites do convencionalismo. A literatura, nesse sentido, é equivalente a ser um libertino. Este romance leva o leitor ao mais escuro dos cantos mais escuros do comportamento escatológico possível, degradante e violento. E, no entanto, o fato de criar um certo fascínio que não permitirá que o leitor pare de ler o texto é uma conquista em si.

Os 120 Dias de Sodoma é uma viagem de crueldade, a mesma que o Marquês recebeu em sua extremidade do arco-íris, e serve também como um reflexo sombrio de seus tempos. Não nos esqueçamos de que o tempo em que ele teve que viver era extremamente escuro, sangrento, violento e bastante monstruoso em si. Não nos deixemos enganar por nossas sensibilidades feridas quando lemos esta magnum opus. Pois é um dos melhores textos da humanidade, um dos mais esclarecedores, e certamente um dos 20 ou 30 livros que eu ficaria feliz em levar comigo se eu morasse numa ilha deserta.

A obra foi alvo de muitas reflexões artísticas ao redor do globo, a mais recente talvez, seja a apresentação política satírica do Grupo de Teatro "Satyros" (+Informações/Fotos)

Escrito no ano de 1785, esta obra retrata a história de quatro amigos de alto poder aquisitivo, [libertinos] que resolvem experimentar a definitiva gratificação sexual em orgias. Para tal experiência, eles se trancaram por quatro meses num castelo inacessível com um harém de quarenta e seis vítimas, a maioria adolescentes, de ambos os sexos, e recrutaram quatro cafetinas para contar a história de suas vidas e suas aventuras. A narrativa das mulheres se torna inspiração para abusos sexuais e tortura das vítimas, que escala gradualmente em intensidade e termina em assassinato. Após a publicação desta obra, seu enredo se difundiu por todo continente Europeu, provocando choque e estranhamento social, o que ocasionou, claro, na tentativa de censura desta obra com uma lei proibitiva. Marquês de Sade tornou-se então um autor censurado e seu manuscrito foi proibido de forma permanente, uma vez que seu conteúdo rompia com aquilo o que se era considerado “natural”, “normal” ou aceitável.

É claro que este livro narra atrocidades com as quais muitas pessoas não se atreveriam dialogar-se, porém, podemos encarar esta obra por duas visões distintas: 1. O livro pode ser considerado uma crítica social, todo enredo trabalhado em dor, sofrimento e prazer sexual pode ser uma alusão ao encarceramento no qual foi submetido, uma vez que a obra foi escrita em seu período de cárcere, anterior ao ataque a prisão da bastilha naquele mesmo ano. OU, podemos encarar que esta obra é só mais um manuscrito depravado sem nenhum conceito ou ideia representativa significante.

Porém, considero que esta obra possui um valor histórico significativo, e como disse no início desta análise: O levaria comigo para uma ilha deserta. Só para analisar o contexto, para pensar fora da caixa, para encontrar problemáticas dentro de outras problemáticas que são claras e óbvias nesta narrativa. O termo utilizado no título deste livro é uma representação/ligação direta aos manuscritos bíblicos que retratam a cidade de Sodoma e Gomorra, onde aconteciam as piores atrocidades e perversidades sexuais, e aqui, neste contexto, não é diferente. Marquês de Sade, enquanto encarcerado conseguiu criar uma narrativa que fugia completamente de sua realidade naquele instante: preso, sem nada poder fazer ou progredir, e assim nasceu os 120 de Sodoma: em um isolamento dentro de uma prisão.

Esta não é uma obra qualquer. Requer estômago, força de vontade, requer coragem.
Vamos sintetizar de forma clara e objetiva o enredo desta obra:

Ø  Esta é mais uma história de pessoas que possuem dinheiro e o usam de má fé. Quatro homens, ricos, cheios de desejos e alto apetite sexual, decidem ter as mais loucas experiências sexuais com diversos adolescentes em um ambiente fechado. Neste ambiente, estes figurantes passam por todas as formas de submissão possíveis — principalmente àquelas que submetem um ser contra sua vontade.
Ø  Aqui as pessoas são sangradas, esfaqueadas, escaldadas, presas a pregos, caixas, baús, caixões e etc.
Ø  Comem merda (própria e alheia). São sufocadas, chicoteadas, espancadas e têm muitos de seus membros arrancados durante o ato sexual.

Enfim, uma vez posto que esta obra retrata tudo aquilo com o qual não estamos habituados, podemos criar uma ênfase em cima da criatividade do autor, ah, e como era criativo.

Enfim, um livro realmente estarrecedor, com uma narrativa que choca e afeta miseravelmente nosso ser. Não me admira que as pessoas tenham gostado tanto deste livro para que ele se tornasse um cânone de referência literária, afinal, ele expressa (na maioria das vezes) alguns dos desejos e vontades que muita gente gostaria de fazer, mas que não seria socialmente bem visto ou aceito, então eles leem para ter uma noção de como seria.


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