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[RESENHA #239] Irmã Dulce - O anjo bom da Bahia, de Gaetano Passarelli

sexta-feira, junho 15, 2018

/ by Mariana Belize




PASSARELLI, Gaetano. São Paulo. Editora Paulinas. Irmã Dulce - o anjo bom da Bahia, 2018. 232 p. / R$ 26,00


“A caridade não pode ter as mãos amarradas.” Irmã Dulce

À propósito da biografia de Irmã Dulce escrita por Gaetano Passarelli, o que se pode dizer é que, mais do que uma estrutura de mera narrativa de fatos, leva ao leitor uma história narrada de forma lírica e mística.

Esse fato aproxima o leitor da figura biografada de maneira irreversível e toca no coração daqueles a quem a vocação religiosa se apresenta como uma dúvida, uma chama tremulante. A biografia desperta, assim como a sobre Padre Pio também já resenhada neste site, a certeza de que escolher um caminho de fé é um desafio e uma alegria de alma.

“Uma vez, preparava-se para dar sopa a um doente que havia recolhido na esquina de uma rua, completamente abandonado, e, depois da primeira colherada, ele cuspiu a sopa no rosto dela. Dulce, sem perder minimamente a paciência, deu-lhe outra colherada, dizendo: ‘A primeira era minha, mas a segunda é sua. Coma, que vai fazer bem para você.’”

O exemplo que Irmã Dulce deixa a nós, leigos andarilhos, é o da tolerância e profundo amor a uma humanidade vacilante além de também representar o que o Cristo disse: “Tivestes fome e me destes de comer...”

Aos pobres, Irmã Dulce foi um alento, devotando sua vida, mesmo antes de usar o hábito religioso e professar seus votos, sendo também um exemplo a que nós podemos seguir, mostrando que é possível sim diminuir as dores dos nossos irmãos menos afortunados.

Sendo assim, fica para nós esse chamado. Não apenas para uma vida religiosa, seguindo dogmas. Mas para uma caminhada pela senda da fé, essa “noite escura da alma”, segundo São João da Cruz. Irmã Dulce representa uma insígnia de caridade e esperança, um ponto vivo de paz a que podemos buscar também pela oração de forma a apaziguar nossos instintos de destruição e impiedade. Assim como Francisco de Assis, temos nela, uma semente de paciência infinita e que esteve tão perto de nós, sentindo o peso e a responsabilidade de fazer parte de uma nação tão complexa como é o Brasil.

“Acontecia, então, que ela lançava mão de tudo e, um dia, ao entrar numa loja, pediu: ‘O senhor pode me dar alguma coisa para os meus pobres?’, e estendeu a mão. Como resposta, o homem lhe deu uma cusparada.

Dulce não se perturbou; ao contrário, ela respondeu-lhe com tranquilidade: ‘Meu senhor, isso é para mim… Agora, dê alguma coisa para os meus pobres.”

O homem olhou-a atônito, mas, para não deixar transparecer o seu embaraço, reagiu com violência: ‘Saia daqui imediatamente!’.

Dulce ofereceu aquela humilhação a Jesus crucificado e agradeceu-lhe.

Tempos depois, o comerciante se arrependeu e se tornou um de seus benfeitores.”

Ela é, não apenas uma referência no ponto de vista religioso, mas também de uma arte de viver. Tolerância, misericórdia, persistência e sabedoria – palavras para nós, para Irmã Dulce… leis.

Que a partir de seu exemplo pela leitura desta biografia possamos seguir seus passos e pelo caminho da fé e da ação, lutar para promover uma vida mais justa e igualitária para aqueles que, desafortunadamente, o sistema capitalista mói todos os dias e sobrevive pisando nos cadáveres: os mais pobres.

“Miséria é falta de amor entre os homens. Deus não gosta dos insensíveis. O problema é estrutural, pois as pessoas, individualmente, ajudam, como fizeram até hoje comigo. Eu não entro na área política, não tenho tempo para me ocupar com as implicações partidárias. O meu partido é a pobreza. Eu só não gosto quando usam o meu nome para conquistar simpatias. Isto prejudica o meu trabalho.” (Irmã Dulce em Revista Manchete de 1983)

Salve, Irmã Dulce, anjo bom da Bahia!

Mariana Belize
Projeto Literário Olho de Belize
olhodebelize.wordpress.com

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