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[DROPS #4853] As sufragistas (2015)

segunda-feira, julho 02, 2018

/ by Vitor Lima


Vamos falar sobre conquistas, mas não de qualquer conquista. Nada de Alexandre o Grande ou Napoleão Bonaparte, vamos falar de mulheres, de conquista, de espaço, de luta e igualdade. Lembro-me como se fosse ontem minha avó sentada na cadeira de balanço ao meu lado no sofá, ela me contava sobre como era à representatividade das mulheres nos anos 60, me falava sobre como se sentia só naqueles tempos, desprovida de amigas, de vontades e direitos. Nunca me esquecerei de quantas vezes a ouvi falando de como se sentia com o feminismo, ainda soa na minha cabeça as palavras que diziam “o começo de uma nova era transcendente”.

Em 2015, a ingenuous Média juntamente com as produtoras BFI, Pathé, Ruby Filmes e o Canal+ lançaram um filme que traçaria a trajetória e as primeiras conquistas feministas: as sufragistas. A intenção do filme em si, é boa, porém, poderia ter sido melhor. Há três pontos que o filme não narra, não aborda e não discorre: O enredo desenvolvido minuciosamente por Alison Owen e Faye Ward deixou a desejar. O filme é fiel aos acontecimentos históricos da luta pelo direito ao voto, mas ele também omite informações. A primeira delas (e a mais nítida) seja o fato de que ele só narra o direito ao voto das mulheres brancas, uma vez que as mulheres negras só obtiveram tal poder 60 anos depois. O filme também não conta com personagens negras, nem primarias, secundárias ou como plano de fundo, são 106 minutos de mulheres inteiramente brancas. A segunda nota que podemos pautar é a ausência de referências significativa dentro da conquista do espaço (irei discorrer melhor sobre, continue lendo), e claro, protagonistas negras.


SOBRE O FILME: No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.

O filme narra à revolução feminista na pós-revolução industrial, quando um grupo de mulheres cansadas de ceder mão de trabalho de forma escrava, via seus direitos indo por água abaixo, uma vez que seus trabalhos eram bastante desvalorizados, e por este motivo, ganhavam consideravelmente menos que os homens. O trabalho era precário, abusivo e cansativo. As trabalhadoras eram humilhadas enquanto trabalhavam e obrigadas a trabalhar até tarde, saindo muitas das vezes de seu trabalho a noite. Enquanto isso do lado de fora destas fábricas da era industrial, os homens tomavam conta da civilização e do poder monetário e construtivista social, regendo o direito de todos e exercendo todos os cargos públicos de alta remuneração.

Em 1893, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a garantir o sufrágio feminino, graças ao movimento liderado por Kate Sheppard. Kate encontrou forças para ir à luta em inspirações iluministas voltadas para igualdade e liberdade de direitos, decidindo então partir para representação direta social feminina em favor da participação da vida política e social. O sufrágio é considerado a primeira conquista do movimento feminista na era pós-industrial.

O filme possuiu como protagonistas grandes atrizes, como: Meryl Streep, Brendan Gleeson, Anne-Marie Duff, Ben Whishaw, Helena Bonham Carter e Carey Mulligan. Uma das frases mais chocantes que se pode ouvir durante todo filme é o comentário feito por um dos proprietários das fabrica onde as mulheres trabalhavam: “Deixe o voto para os homens, para vocês nós deixamos a casa...”, ou seja, ainda predominava o estereótipo de que a mulher deveria ser submissa ao homem, a casa e aos filhos, e é nesta hora que uma delas rebate a crítica “eu já trabalhei até tarde na quarta e na quinta, outra pode facilmente continuar por mim”, e adivinha o que ocorre depois. Você saberia responder? Ele a ameaça de agressão, porém, ela se vira e decide que está na hora de tudo mudar. Além de trabalhar até tarde, tinham seus direitos de privacidade invadidos, uma vez que falar sobre voto causou incômodo profundo em um dos proprietários da fábrica.

Os dias passam e as condições de trabalho só pioram. A especulação de que é possível SIM votar começa a se popularizar entre as mulheres da cidade e as boas novas começam a circular rapidamente. Algumas mulheres sentem-se retraídas, sem vontade de participar, cheias do medo do que pode vir a ocorrer. Após a popularização das boas novas, Millicent Fawcett decide tomar providências e funda a União Nacional Pelo Sufrágio Feminino. O movimento das sufragistas, que inicialmente era pacífico, questionava o fato de as mulheres do final daquele século serem consideradas capazes de assumir postos de importância na sociedade inglesa como, por exemplo, o corpo diretivo das escolas e o trabalho de educadoras em geral, mas serem vistas com desconfiança como possíveis eleitoras. As leis do Reino Unido eram, afinal, aplicáveis às mulheres, mas elas não eram consultadas ou convidadas a participar de seu processo de elaboração.

O movimento feminino ganhou, então, as ruas e suas ativistas passarão então a ser conhecidas como "sufragistas", sobretudo aquelas que participavam da União Social e Política das Mulheres, que era responsável por revelar o sexismo institucional na sociedade britânica e o descaso com as mulheres nas indústrias.

MOVIMENTO SUFRAGISTA NO BRASIL
Informações de Wikipédia.pt (Wikipédia Livre).

A luta dos movimentos femininos inclui em seus registros o nome da cidade de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte. Em 1928, esse estado nordestino era governado por Juvenal Lamartine, a quem coube o pioneirismo de autorizar o voto da mulher em eleições, o que não era permitido no Brasil, mesmo a proibição não constando da Constituição Federal. A Inglaterra alguns meses depois regularizou o voto feminino no mesmo ano.

No Consultor Jurídico do jornal "O Estado de S. Paulo", encontra-se a informação de que logo após a proclamação da República, o governo provisório convocou eleições para uma Assembleia Constituinte. Na ocasião, uma mulher conseguiu o alistamento eleitoral invocando a legislação imperial, a "Lei Saraiva", promulgada em 1881, que determinava direito de voto a qualquer cidadão que tivesse uma renda mínima de 2 mil réis. Mas a primeira eleitora do país foi a potiguar Celina Guimarães Viana, que invocou o artigo 17 da lei eleitoral do Rio Grande do Norte, de 1926: “No Rio Grande do Norte, poderão votar e ser votados, sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas por lei”. Em 25 de novembro de 1927 ela deu entrada numa petição requerendo sua inclusão no rol de eleitores do município. O juiz Israel Ferreira Nunes deu parecer favorável e enviou telegrama ao presidente do Senado Federal, pedindo em nome da mulher brasileira, a aprovação do projeto que instituía o voto feminino, amparando seus direitos políticos reconhecidos na Constituição Federal”.

Após Celina Guimarães Viana ter conseguido seu título eleitoral, um grande movimento nacional levou mulheres de diversas cidades do Rio Grande do Norte, e de mais outros nove estados da Federação, a fazerem a mesma coisa.

Cumpre citar igualmente o pioneirismo da estudante de direito mineira, Mietta Santiago (pseudônimo de Maria Ernestina Carneiro Santiago Manso Pereira). Mineira educada na Europa, com 20 anos retornou do velho mundo e descobriu, em 1928, que o veto ao voto das mulheres contrariava o artigo 70 da Constituição Brasileira de 24 de fevereiro 1891, então em vigor. Com garantia de sentença judicial (fato inédito no país), proferida em Mandado de Segurança, conquistou o direito de votar. O que de fato fez, votando em si mesma para uma vaga de deputada federal. Carlos Drummond de Andrade, impressionado com a conquista do voto feminino, dedicou a Mietta o poema "Mulher Eleitora":

loura poeta bacharel
Conquista, por sentença de Juiz,
direito de votar e ser votada
para vereador, deputado, senador,
e até Presidente da República,
Mulher votando?
Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?
O escândalo abafa a Mantiqueira,
faz tremerem os trilhos da Central
e acende no Bairro dos Funcionários,
melhor: na cidade inteira funcionária,
a suspeita de que Minas endoidece,
já endoideceu: o mundo acaba".Mietta Santiago
A "Revista Feminina" de São Paulo, julho de 1926, número 146, ano XIII, traz sob o título 'Poetisas mineiras da moderna geração' um registro do episódio, redigido por Djalma Andrade: "Mietta Santiago... ...defendido teses arrojadas de Direito Constitucional. É feminista. Há tempos, raiou brilhantemente o direito de voto às mulheres".
Com a mulher eleitora, vieram outras conquistas de espaço na sociedade. Veio a primeira mulher a eleger-se deputada estadual no Brasil, e a luta pela emancipação feminina foi ganhando impulso em todo o país, levando o voto feminino a ser regulamentado em 1934 no governo Vargas. O episódio tem importância mundial, pois mais de uma centena de países ainda não permitia à mulher o direito de voto.
Os primeiros exemplos de organização de mulheres nos vieram das regiões norte e nordeste, no final do século XIX, e eram voltados para a causa abolicionista. Nascida no Ceará, em 1882, a "Sociedade das Senhoras Libertadoras ou Cearenses Libertadoras", presidida por Maria Tomásia Figueira, em parceria com Maria Correia do Amaral e Elvira Pinho, atuou em defesa da liberdade fundando associações em Fortaleza e no interior do estado, contribuindo para que, em 1884, a Assembleia Legislativa provincial, finalmente, decretasse o fim da escravidão no Ceará. Nesse mesmo ano, foi criada, na cidade de Manaus, a associação "Amazonenses Libertadoras", fundada por Elisa de Faria Souto, Olímpia Fonseca, Filomena Amorim, entre outras – todas brancas e representantes da elite local. Contudo, elas defendiam a emancipação de todos os escravos do solo amazonense, o que aconteceu, em 30 de março de 1887, um ano antes da Lei Áurea.
Em 1910 Leolinda Daltro e outras feministas, entre elas a escritora Gilka Machado, fundaram, na então capital federal, o Partido Republicano Feminino, cujo objetivo era “promover a cooperação entre as mulheres na defesa de causas que fomentassem o progresso do país”. O objetivo maior da agremiação era a luta pelo sufrágio feminino, uma vez que as mulheres não podiam votar e nem ser votadas. Esse grupo de feministas adotou uma linguagem política de exposição pessoal diante de críticas da sociedade, realizando manifestações públicas que não foram tratadas com indiferença pela imprensa e os leitores. O Partido Republicano Feminista teve o mérito inegável de lançar, no debate público, o pleito das mulheres pela ampla cidadania.
Em 1917, a agitação social das greves operárias, o movimento anarquista e a maior escolaridade de mulheres da elite, trouxeram à tona uma outra geração de feministas. No ano de 1920, surgiram vários grupos intitulados Ligas para o Progresso Feminino, embrião da poderosa Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Fundada em 1922 e dirigida por Bertha Lutz, a Federação teve papel fundamental na conquista do sufrágio feminino e, por extensão, na luta pelos direitos políticos da mulher, e destacou-se, também, como organização feminista com maior inserção nas esferas de poder da época. Suas militantes escreveram na imprensa, organizaram congressos, articularam com políticos, lançaram candidaturas, distribuíram panfletos em aviões, representaram o Brasil no exterior.
A poetisa Laura Brandão e a operária Maria Lopes integravam o "Comitê das Mulheres Trabalhadoras", fazendo propaganda em porta de fábricas e tentando aproximar o operariado feminino e o Partido Comunista Brasileiro. A sufragista gaúcha Natércia da Silveira, dissidente da "Federação Brasileira pelo Progresso Feminino", fundou em 1931 a "Aliança Nacional de Mulheres", para prestar assistência jurídica à mulher. Com 3 mil filiadas, a Aliança foi fechada pelo golpe de 1937, que aboliu as liberdades democráticas e abortou as organizações políticas e sociais do país.
No plano nacional, o Presidente Getúlio Vargas resolve simplificar e todas as restrições às mulheres são suprimidas. Através do Decreto nº. 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, é instituído o Código Eleitoral Brasileiro, e o artigo 2 disciplinava que era eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma do código. É de ressaltar que as disposições transitórias, no artigo 121, dispunham que os homens com mais de 60 anos e as mulheres em qualquer idade podiam se isentar de qualquer obrigação ou serviço de natureza eleitoral. Logo, não havia obrigatoriedade do voto feminino.

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