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[RESENHA #246] Orgulho e Preconceito, por Jane Austen

segunda-feira, julho 02, 2018

/ by Vitor Lima

A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.” (Jane Austen)

ORGULHO E PRECONCEITO. AUSTEN, Jane. Rio de Janeiro: Penguin Companhia, 2011, 576p. // R$42,90

Este livro merece todas as estrelas que um universo de classificações possam lhe oferecer. Orgulho e preconceito foi o segundo clássico que li na vida, tendo sido Alice no país das maravilhas, o primeiro. Quando li as aventuras descritas por Lewis Carroll, fiquei me perguntando por dias, se todos os clássicos que eu tinha em casa superariam as aventuras de Alice no universo paralelo. Então, pesquisei diversos livros e me encontrei com Pride and Prejudice na sala de aula enquanto estudava teoria literária, e claro, subsequentemente me encontrei com esta obra no catálogo do grupo Companhia das letras. Este livro realmente me cativou em todos os sentidos, e hoje posso dizer que ele se tornou o romance que mais amo no universo da literatura.

Orgulho e preconceito é um romance ambientado no século XIX, onde nele Elizabeth Bennet (nossa amabilíssima protagonista) lida com os problemas relacionados à cultura, moral e casamento na sociedade aristocrática. Bennet é uma das cinco filhas de um fazendeiro que reside em Meryton (Hertfordshire).É nesta obra que nasce um dos protagonistas mais amados (ou não) de Austen: Mr Darcy. O livro ainda é um dos romances mais adaptados desde seu lançamento, sendo preferido em todos os sentidos pela critica literária por sua originalidade.

O que mais me chama à atenção nesta obra é a humanidade com a qual Austen trabalha e contrasta em seus personagens. São nítidas suas preocupações, suas vaidades, seus medos e inseguranças, é tudo tão palpável que qualquer um identifica-se ao ler esta narrativa. Impossível não dizer que Austen escreveu uma obra que cativa-nos em todos os sentidos possíveis da palavra. Este é o tipo de obra que não descarta capítulos ou páginas, Austen construiu um império em um livro apenas, construiu personagens que realmente fazem parte de um enredo construtivista, onde cada um possui suas particularidades e as somam em um todo, tornando a obra grandiosa.

Antes de falarmos sobre o enredo desta obra magnífica, vamos falar da frase que impulsiona toda história de Austen, sendo ela: “É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro que possua grande fortuna deve estar à procura de uma esposa”.

O romance narra à chegada de Mr. Bingley com suas irmãs a uma residência próxima da casa dos Bennet — onde mora nossa amada protagonista Elizabeth — e junto consigo trazem um amigo, misterioso, repleto de desconfiança: Mr. Darcy. É óbvio que a família recém-chegada é muito bem recepcionada pela sociedade local e de cara estabelece conexões com o novo ambiente, claro que o mesmo não pode ser dito de Mr. Darcy, que insiste em tomar uma postura de superioridade. É claro que as irmãs ficam extremamente felizes com a chegada dos “novos partidos” na cidade, e todas, absolutamente todas ficam animadas com a ideia de se casar com um destes recém-chegados. Elizabeth, como qualquer protagonista, apaixona-se por alguém que não é muito afetuoso e isso inicia a fase de transição da postura retraída da nossa Bennet para uma mulher espirituosa, bem aventurada e cheia de si.

O gosto pela dança atrai as jovens Bennet ao encontro de Mr. Bingley, que claro, sente-se com vontade de conhecê-las e apresenta-las a sua família e ao seu amigo, Mr. Darcy. É neste ápice da narrativa que iremos definir quem iremos amar (odiar, ou ambos) até o final do enredo. Os diálogos repletos de orgulho descritos aqui são intensos e requerem atenção

Há quatro personagens pelos quais eu me apaixonei, e provavelmente você (se arriscar a leitura) também se apaixonará: Elizabeth Bennet, sua irmã Jane, Mr. Darcy e Sr. Collins (aquele que nós amamos odiar). O livro é um retrato incrível do século XIX, aqui Austen trabalha toda sua visão de mundo acerca dos relacionamentos de uma civilização aristocrata e seus impactos sobre a vida de cinco irmãs.

O período onde ocorrem todos os fatos narrados por Austen é o que me fascina e dá vida aos seus personagens. Enquanto Austen escreve sobre aristocracia, interesses, casamento e sentimentos, ela também escrevia sobre seu desejo de possuir uma protagonista que fosse diferente das outras mulheres da época, ou seja, ela queria uma mulher que fosse livre de padrões, então deu vida à Elizabeth Bennet. Naqueles tempos era normal as mulheres casarem-se e adquirirem status referentes ao marido, pai ou tutor, só que nossa amadíssima Bennet não dá a mínima para estes padrões, realmente, orgulho e preconceito casam-se perfeitamente com Elizabeth Bennet. Um dos pontos interessantíssimos nesta obra é a construção do ambiente retratado, aqui a autora trabalha em cima de questões que antes eram regidas apenas por homens, e o livro é repleto de questões ligadas a  questões de moral, ética cívica e políticas públicas, atrevendo-se a escrever sobre questões das quais não participava naquele período, ainda que pertencesse à nobreza.

Naquele tempo, o homem era a figura chave predominante. A mulher casa-se com um homem culto, de boa índole, riquezas e nome. Este, passa a ser o responsável por manter as aparências de um bom relacionamento, e seu nome passa a ser o principal ponto de referência da família.  E não preciso dizer que este livro veio para quebrar este tabu com uma protagonista inteiramente empoderada. 

Uma leitura realmente compensadora, apaixonante, indispensável e inesquecível.

Uma leitura realmente hipnotizante, apaixonante e atrevo-me a dizer: incrível em todos os sentidos. 

Tá, mas o que tem de tão interessante nesta obra? 

Para responder a esta pergunta terei que contar brevemente uma experiência pessoal: Meu primeiro contato com chamada “alta literatura”, foi em meados de 2016, mas somente no ano passado tive conhecimento acerca das obras de Jane Austen, que aparentemente, estavam vendendo como água gelada no deserto. Meu professor de teoria literária me propôs que talvez fosse bom adquirir o livro e lê-lo intensamente, afinal, a histórias intensas requerem leitores ávidos e intensos na mesma proporção, e ao ler esta narrativa eu consigo pautar diversos motivos pelos quais ela é única e diferente de tudo o que já li anteriormente: O primeiro ponto, talvez, seja a originalidade de Austen e a forma como descreve e constrói seus personagens. “Orgulho e preconceito” é apenas um de seus incríveis livros, sendo todos muito bem elaborados e descritos. Aqui, iremos encontrar diálogos bem construídos, uma sequência de “clímax”, e uma cadeia interminável de acontecimentos que se unificam de forma visceral ao final de cada ponto da narrativa.  Nesta obra Austen consegue introduzir temas de extrema relevância como pano de fundo e/ou rota para o desenvolvimento de um clímax. Austen tralha incansavelmente acerca do crescimento do caráter e moralidade acerca dos jovens, a importância (ou ausência dela) do dinheiro na vida das pessoas e sua visão acerca de titulações, críticas do mundo feminino e à sociedade aristocrática.

Esta obra não tem nada de igual aos outros livros disponíveis no mercado dentro do mesmo gênero, acredito que Austen trouxe uma inovação acerca da criação de um enredo e do desenvolvimento do caráter e moral de seus personagens. Este é um dos poucos livros que li que possui ecos até os dias atuais. Os bennet marcam qualquer um, e disso, eu não tenho dúvida. 


Para responder a esta pergunta terei que contar brevemente uma experiência pessoal: Meu primeiro contato com chamada “alta literatura”, foi em meados de 2016, mas somente no ano passado tive conhecimento acerca das obras de Jane Austen, que aparentemente, estavam vendendo como água gelada no deserto. Meu professor de teoria literária me propôs que talvez fosse bom adquirir o livro e lê-lo intensamente, afinal, a histórias intensas requerem leitores ávidos e intensos na mesma proporção, e ao ler esta narrativa eu consigo pautar diversos motivos pelos quais ela é única e diferente de tudo o que já li anteriormente: O primeiro ponto, talvez, seja a originalidade de Austen e a forma como descreve e constrói seus personagens. “Orgulho e preconceito” é apenas um de seus incríveis livros, sendo todos muito bem elaborados e descritos. Aqui, iremos encontrar diálogos bem construídos, uma sequência de “clímax”, e uma cadeia interminável de acontecimentos que se unificam de forma visceral ao final de cada ponto da narrativa.  Nesta obra Austen consegue introduzir temas de extrema relevância como pano de fundo e/ou rota para o desenvolvimento de um clímax. Austen tralha incansavelmente acerca do crescimento do caráter e moralidade acerca dos jovens, a importância (ou ausência dela) do dinheiro na vida das pessoas e sua visão acerca de titulações, críticas do mundo feminino e à sociedade aristocrática.
Esta obra não tem nada de igual aos outros livros disponíveis no mercado dentro do mesmo gênero, acredito que Austen trouxe uma inovação acerca da criação de um enredo e do desenvolvimento do caráter e moral de seus personagens. Este é um dos poucos livros que li que possui ecos até os dias atuais. Os bennet marcam qualquer um, e disso, eu não tenho dúvida.

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