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[RESENHA #247] Juras Secretas, por Artur Gomes

Juras Secretas promete arrebatar seus sentimentos para um estado de catarse. Infinitamente crucial e indispensável para aqueles que precisam de um choque de realidade.

sexta-feira, julho 06, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: Penalux | Divulgação

Juras Secretas. GOMES, Artur. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2018 136p. // R$ 38,00


SINOPSE:
A poesia de Artur flui feito pluma ao vento, “a lavra da palavra quero seja pele pluma onde Mayara bruma já me diz espero, saliva na palavra espuma onde tua lavra é uma elétrica pulsação de Eros”. No entanto, a despeito da leva da linguagem que segue o ritmo interno da inspiração do poeta, camufla em partes, em outras escancara, o caráter ardente da poesia que chama por Eros.  Repleta de paixão e de fogo, as imagens de amantes, as analogias do sexo desprendem deste clamor contido no peito de Artur, mas que, pelo fazer das letras desenvolve-se na liberação dos desejos mais sensuais, “essa ostra no mar das tuas pernas”, ou mesmo quando o poeta compara a procura pela  palavra com o escavar libidinoso que os amantes fazem um pelo corpo do outro, “tudo o que quero conhecer a pele do teu nome / a segunda pele o sobrenome / no que posso no que quero”.
         Embora, por ser poesia, as palavras sejam como “flor”, esta metáfora, esta alegoria bela e perfumada exala da queimada ardente da linguagem, feito mulher prenhe de libido, “a pele em flor a flor da pele / a palavra dândi em corpo nua / a língua em fogo a língua crua / a língua nova a língua lua”. Esta poesia tão luxuriosa incendeia o solo urbano, tanto quanto a natureza, falando da monotonia urbana de São Paulo, que alucina a sobriedade do poeta com sua beleza cruel, cidade no qual o “matadouro” é a arte concreta.
             Mas feito pluma ao vento a poesia de Artur enxerga o fogo da paixão, da convicção voando também para longe da violência e tribulação urbana, pairando sobre a mágica enamorada das praias, do vento, das sombras, da natureza, local onde residem os aspectos matrimoniais da união homem-mulher, “qualquer que seja a hora em que se beijam num pontal em comunhão total com a natureza”. As juras do poeta ardente profanam o sagrado, quando em sua retórica e discurso extrapolam a rigidez das formas, mas, em ousadia apelam para as rezas e para o caráter inviolável das promessas com uma “violência antropofágica erótica”.

RESENHA:
Foto: Penalux | Divulgação

Juras Secretas é um livro de poesia escrito por Artur Gomes, o livro é o mais novo lançamento a integrar o time de lançamentos do catálogo da Editora Penalux. O livro possui 136 páginas e 103 poemas. A divisão desta publicação foge dos padrões, uma vez que a proposta do livro também se diferencia, produzindo sentidos e emoções com o chamado “Juras”. A poesia de Artur Gomes possui particularidades que o tornam mais prazeroso de se ler.
Entender este livro não é algo fácil, principalmente se você não estiver apto a buscar integralmente o conhecimento implícito nas entrelinhas e se dedicar a esta leitura. Certa vez, Clarice [Lispector], disse com muita ousadia “A palavra é o meu domínio sobre o mundo”, mostrando-nos que a capacidade da escrita se sobrepõe as barreiras de uma vida ou de uma limitação, e agora gostaria de unificar o pensamento de Clarice, com o pensamento de Chaplin: “Conhecer o homem — esta é à base de todo sucesso”, e Artur Gomes possui ambos. Artur conhece os homens e tem domínio sobre a escrita, e a prova viva disto é seu livro, sua obra é seu testemunho de vida como autor, como base sólida de pensamentos. Esta escrita capta a essência da vida, cada jura é a intensificação dos pensamentos que regem a vida: o cotidiano, o sentimentalismo, o amor, a morte, abandono, enfim, um emaranhado de questões que se formam secretamente nas entrelinhas.

fosse Sampa uma cidade 
ou se não fosse não importa 

essa cidade me transporta 
me transborda me alucina 

me invade inter/fere na retina 
com sua cruel beleza 

como Oswald de Andrade 
e sua realidade 

como Mário de Andrade 
e sua delicadeza.
Juras Secretas #7

Os títulos aqui propostos são sempre os de JURAS, nunca nomes que acusem o enunciado. A experiência da leitura torna-se fluída e instigante, uma vez que o leitor precisa desbravar suas páginas para tomar ciência de seus escritos. 

eu tenho a fome entre os dedos
a sede entre os dentes
 e a língua sobre a escrita
que ainda não fizemos
— Juras Secretas #54


Arte: Divulgação
tenho estado
entre o fio e a navalha
 perigosamente – no limite
 pulando a cerca da fronteira
 entre o teu estado de sítio
 e o meu estado de surto
— Juras Secretas #62

Marcante na medida necessária. Sempre que leio uma nova jura, sinto-me degustando uma bebida diferente, como se algo não estivesse descendo, como se estivesse em débito com algo ou alguém, minha consciência fala abertamente sobre os causos que tomam conta. Um livro para se ler nas horas de reflexão, de desejo, vontade, e claro, sobretudo, nas inquietações. Um livro excelente para ser lido ao som Erick Satie ou Beethoven. 

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