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[RESENHA #253] Palimpsestos, outras vozes e águas, por Luiz Otávio Oliani

sexta-feira, julho 06, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: Divulgação | Penalux

Palimpsestos, outras vozes e águas. OLIANI, Luiz otávio. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2018, 172p // R$36

SINOPSE

            O núcleo poético, nacional e internacional, fez-se, faz-se e se fará. Existe em cada canto, como pérola rara, um alguém que “se esconde no meio do verbo”, este ser chamado poeta. Na obra de Luiz Otávio Oliani, adorna-se a figura de tal versista, nas suas páginas tomadas feito objeto palimpsesto.
    Com origem grega, a palavra palimpsesto refere-se aos objetos raspados com o intuito de se retirar o conteúdo escrito das suas páginas, para assim, recriar-se novamente um texto, uma obra. Retomando as primeiras palavras ditas acima, percebe-se nas três partes do livro o retomar de escritos, de formas, estruturas, e palavras de consagrados escritores.
Como diz Adriano Nunes, “Luiz Oliani se apropria das palavras de outros poetas, não só para homenageá-los, mas para libertá-los daquele sentido único, daquela visão gasta”. As referências a vozes de escritores alcançam extremos longínquos, como quando se fala de Drummond ou Kafka,mas também demonstra proatividade e atualidade, ao inovar trazendo as vozes de poetas modernos, como Alexandra Vieira de Almeida.
        Após vagar nas memórias, as quais são percebidas como instrumentos para “guardar o mundo”, o autor finca-se no solo fervoroso do contemporâneo, passando pelos mais atuais poetas brasileiros, até chegar, ao final desta movimentação, à simbologia da Água, com poemas potenciais transformadores, os quais permitem a ressurreição da criatividade e da imaginação com suas inéditas poesias.


RESENHA


         “Palimpsestos, Outras Vozes e Águas” é um livro de poesia escrito por Luiz Otávio Oliani e é o mais novo título a compor o catálogo da Editora Penalux neste ano de 2018. O livro é resultado de diversos “ecos” resultantes das excelentes leituras elaboradas pelo autor, podendo citar Carlos Drummond de Andrade, Cecilia Meireles, Manuel Bandeira e outros diversos autores que inspiraram sua composição poética crítica.
           O mundo está gritando, todos estão vendo, muitos estão comentando e uma pequena classe está lutando por melhorias, esta classe decide se reunir em sua consciência e botar para fora em linhas tudo aquilo o que as pessoas assistem de camarote sem fazer absolutamente nada. Estas pessoas, também intituladas de poetas ou poetisas, colocam no mundo todas as questões que incomodam e corroem a existência social e política. Oliani é um poeta apaixonado pelas emoções, pelo livre arbítrio, pela sensações, pela vida. Talvez esta seja a característica mais forte do livro: um mar de questões que se cruzam de forma visceral e formam uma linha tênue de pensamentos, críticas vontades e desejos. Este livro narra tragédias (p.17), elogios (p.,26), apatia (p.38), exílio/ abandono (p.33), dificuldades do cotidiano (p.30), o presente (p. 52),o percurso (p.63), a vocação (p. 86), a revelação (p.93) e tantas outras problemáticas que compõe o nosso cotidiano e nosso ser. Aqui, Oliani nivela sentimentos e sensações acerca do social, do pessoal e de suas experimentações com a alta literatura. Um livro poeticamente apaixonante. E claro que, como de costume, deixarei o poema de que mais gostei para que vocês possam degustar a poética realística por entre as linhas narradas pelo autor, sendo o primeiro poema da obra “Tragédia urbana”:


no meio do caminho
tinha um carro
em alta velocidade

topou num poste
matou uma família
dor espatifada
cacos que não se colam mais
no meio do caminho
tinha a



Um livro palpável, real, único e indissolúvel. Apaixone-se.

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