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[RESENHA #257] Areia (à fragmentação da pedra), por Milton Rezende

segunda-feira, julho 09, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: Acervo Pessoal


“Areia, à fragmentação da pedra” é uma obra poética escrita pelo poeta Milton Rezende e publicado pela Scortecci Editora no ano de 1989, data de sua primeira edição. Como em quase todas as obras poéticas deste ilustre autor, aqui há de se verificar a presença constante e contínua da solidão e do sentimento de vazio. O termo “pedra” utilizado no título é um aforismo que dá sentido e ideia de segmentação para complemento textual poético.

Esta é a primeira edição, a primeira edição, a primeira versão desta obra, e lendo-a hoje posso sentir que sua escrita já se tornava tão atual quanto os sentimos que a compõe. Rezende fala-nos da solidão e da ilusão do agora como sendo o processo de vida ao qual todos devemos passar, afinal não há um ser sobre a face da terra que não passou ou conheceu o sentimento de vazio, de incompletude ou de satisfação plena.

Agora que essa presença onírica
Ocupou parte do deserto em que me fiz,
Já não posso prolongar minha estadia
No inferno da certeza de que o sonhado
Caminha para a negação de seu princípio.

Acho que Rezende é como Clarice diz: “Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”.
Posso ficar sentado
Aqui nesta praça
Sem ser notado.

Esta obra escrita de forma tão prolífica e sábia, nos remete a um mar de questões em torno de nossa própria realização pessoal e o sentimento de vazio que nos toma.

Sinto no sangue
O fracasso dos poetas
Que se debatem
No vácuo e no isolamento.
E sinto por mim,
Pois sou todos eles
Mais essa angústia de não-ser.

 Uma obra para dizer em síntese, fantástica.

O AUTOR
Milton Rezende nasceu em Ervália (MG), em 23 de setembro de 1962. Viveu em parte da sua vida em Juiz de Fora (MG), onde foi estudante de Letras na UFJF. Funcionário público, atualmente reside em Varginha (MG). Escreve em prosa e poesia e sua obra consiste de dez livros publicados: “O Acaso das Manhãs” (Edicon, 1986), “Areia (À Fragmentação da Pedra)”, (Scortecci, 1989), “De São Sebastião dos Aflitos a Ervália – Uma Introdução” (Templo, 2006), “Uma Escada que Deságua no Silêncio” (Multifoco, 2009), “A Sentinela em Fuga e Outras Ausências” (Multifoco, 2011), “Inventário de Sombras” (Multifoco, 2012), “O Jardim Simultâneo” (Penalux, 2013), “A Magia e a Arte dos Cemitérios” (Penalux, 2014), “Um Andarilho Dentro de Casa” (Penalux, 2017).

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