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[RESENHA #263] Guerra, por Guilherme Aniceto

GUERRA é um emaranhado de questões e sentimentos em prol do bem comum. Conheça Aniceto e toda sua prolificidade com a escrita militante

sexta-feira, julho 27, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: DIVULGAÇÃO

GUERRA. ANICETO, Guilherme. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2017. 90p // R$ 17

SINOPSE


A “Guerra” de Guilherme Aniceto é armada de versos. O autor propõe uma revolução de palavras, de amor, de sentimentos, como fortaleza para a luta contra o sufocante duelo com as misérias impostas pela ambição, pela corrupção, pela discriminação. Guilherme aponta, que a guerra vivenciada pela humanidade é direcionada para o naufrágio, contra isto o autor sugere a salvação dos versos, “parece tão mais simples / versejar, que velejar / a nau rumo ao naufrágio”. As palavras do escritor, são resistência, principalmente contra a discriminação, o autor almeja um mundo orientado pelo o amor, no qual as diferenças possam ser contempladas sobre viés de encantamento pela diversidade. Os amigos do poeta, são, como ele afirma, “Josés e Marias”, aqueles que sobrevivem conservando o estigma do amor, mesmo entre os obstáculos, a miséria e a dura realidade. O autor lembra que embora as batalhas, a violência e a insensibilidade possam receber as vitórias materiais, o amor, os abraços, a amizade, ficam para aqueles capazes de se doar, de perseverar. Algumas vezes em torno da melancolia, o autor denuncia a marcha da bala, o perigo da urbanização, a falta de afeto, mas o faz em meio aos seus versos, que embora carregam a maturidade angustiante de um astuto observador, sensível as mazelas da humanidade, trazem também a esperança de que os versos superarão o ódio; nos poderosos escudos da palavra descansam resguardados a sensibilidade e a essência do amor.

RESENHA

“escrever também é estar armado
 preparado pra luta e pro amor
por isso é no punho fechado
onde habita a pena do escritor”
Léo Ottesen

GUERRA é um livro de poesia escrito por Guilherme Aniceto no ano de 2017, publicado pela Editora Penalux. O livro é uma coletânea de cinquenta poemas que abarcam diversas temáticas, como a diversidade e busca pela paz em um mundo onde o espaço do outro não tem vez.
O punho fechado é o símbolo mundial da militância, da luta pela paz, da busca incessante por mudanças, do desejo de um renovo, e claro, da luta pelo direito da chamada minorias. Aniceto é, abertamente, um militante que luta pelos direitos de todos, principalmente dos LGBT’s. O poema de Léo Ottesen, presente na nota de abertura desta obra, traz-nos uma visão profunda acerca dos manuscritos desenvolvidos por Aniceto. Aqui, o autor trabalha com uma visão de mundo onde o poema torna-se a voz que ecoa entre o espaço da desigualdade, da falta de oportunidade, da dura realidade classe trabalhadora, a supressão da identidade daqueles que merecem/buscam viver suas vidas, mas as têm interrompida pelo descaso social. Talvez, só talvez, o poema que melhor caracteriza a figura do homem em todos os escritos, seja o poema localizado da página 22, “fabrica de pombos”, onde o autor compara a figura do homem, com a de um pombo. O pombo, visto como símbolo da paz é apreciado por algum motivo que se sabe, e tudo o que o pombo faz é pousar em nosso telhado, perturbar a nossa paz, defecar em locais públicos e ser soberbo, tal como o homem: soberbo, altivo e semelhante a todos os outros, mas tal como o pombo, acha-se o homem, diferente da multidão, ainda que seja igual, acha-se individuado, a parte, separado, diferente, acha-se único, e isso causa discórdia, separação social, problemas individuais e coletivos, e tantos outros que se somam às questões acumuladas de um complexo social. Algumas páginas a diante, mais precisamente nas páginas 24 e 25, o autor aborda uma questão extremamente recorrente: a condenação social para com os LGBT’s e seus discursos homofóbicos de condenação baseados nos preceitos de uma religião. Intitulado “Formas de se deitar”, o autor trata a visão do “Não te deitarás com homem como se fosse mulher”, com uma sutileza extrema, esclarecendo, trazendo a tona, deixando ao sol, ao público e de forma clara e objetiva a figura de dois homens que se deitam, e sim, permanecem homens, permanecem sendo duas pessoas que se deitam com a ciência de que estão se deitando com um homem, tal como ele é. É realmente um livro complexo, de difícil deglutição, afinal, a realidade nunca é fácil de ser encarada. Aniceto possui uma visão esclarecedora e complexa acerca do mundo e dos problemas sociais com os quais temos que conviver, tal como a transfobia (33), o ódio pelo que o outro é (37), medo (38), dentre tantos outros.
E claro, vamos esclarecer o conceito de GUERRA utilizado pelo autor no título desta obra. Diferente de outras obras, nesta, o autor deixou claro nas primeiras páginas de sua obra (15) um poema que carrega a essência daquilo o que se quer transmitir: GUERRA. E agora, claro, compartilharei com todos vocês:

Antes de colocar
um versus o outro,
 por que não dizer
 uns versos e outros?

Parece tão mais simples
 versejar, que velejar
 a nau rumo ao naufrágio.

O coração é frágil
e a única guerra que vale
ocorre dentro do poema.

Em síntese: PAZ. “A única guerra que vale, ocorre dentro de um poema”, onde a militância e a voz são livres. Um belíssimo livro para todas as ocasiões.


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