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[RESENHA #264] Meu coração é um bar vazio tocando Belchior, por Diego Moraes

A miscelânea de Diego Moraes é prolífica em nos deixar sem ar, sem fôlego e sem o que dizer

sábado, julho 28, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: DIVULGAÇÃO

MEU CORAÇÃO É UM BAR VAZIO TOCANDO BELCHIOR. MORAES, Diego. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2016 116p // R$ 34

Meu coração é um bar vazio tocando Belchior é uma miscelânea poética escrita por Diego Moraes. Publicada originalmente através da Editora Penalux, a obra foi lançada no ano de 2016 contando com 116 páginas divididas em 3 partes intituladas pelo termo “onda”, onde, cada qual, sugere uma frequência cardíaca, lírica e sonora.

Neste livro, o autor trabalha o sentimento de abandono e lembranças do eu-lírico, onde este, por sua vez, traz a tona durante cada divisão, a intensificação das lembranças do passado, dos amores perdidos e dos remorsos dentro de um bar qualquer em Manaus. Ao ler esta obra, observa-se que, o autor traz para sua escrita de forma clara e definitiva – conforme disposto no título — o cenário de um bar. No primeiro conto, intitulado “catástrofe”, é nítido o desejo do eu lírico de se encaixar aos parâmetros ou grupos sociais, dizendo-nos: “Às vezes você sente aquele engasgo de inadequação em toda parte”. E claro, este poema de abertura também carrega em si a essência primordial do livro: as ondas. Estas ondas retratadas na obra constituem a divisão da obra, bem como as fases de vida enfrentadas pelo eu-lírico, e claro, seus batimentos cardíacos, ou seja: ondas “triunas”: As ondas da música que toca no plano de fundo conforme se bebe do passado e das lembranças que amargam o ambiente – esta é a interpretação principal — disposto nas linhas: “Que poeta anda com chiados de uma estação lírica fora de sintonia dentro do peito”. E claro, as ondas também estão ligadas diretamente com a intensificação dos acontecimentos dentro da divisão poética criada pelo o autor. O livro possui três divisões, sendo elas: ondas médias, ondas longas e ondas curtas. A sequência destas ondas não é mera coincidência, é pura estática de vida. Quando estamos enfrentando uma situação complicada de abandono, choro, mágoa, tristeza, abandono e solidão, passamos pelas ondas médias da vida, ainda não certeza se aquilo irá persistir, então a dor não nos consome de forma tão nebulosa e drástica,  já não se pode dizer o mesmo de quem está nas ondas longas desta vida, este, por sua vez, está desiludido, conheceu a verdade da pior maneira possível, está enfrentando de uma maneira não tão agradável que talvez o quadro de solidão não será revertido, mas esta onda é necessária para se chegar às ondas curtas. As ondas curtas são o período em que começamo-nos a nos acostumar com a realidade de que talvez, só talvez, tenhamos sido criados para viver só, ou que talvez, aquela não era para ser a nossa realidade.  Acostumar-se com a ideia do abandono não é algo fácil e torna-se ainda pior quando olhamos para óticas negativas, quando decidimos não encarar a realidade, então, criamos um paralelo para que a dor se amenize dentro de nós. Este livro é um manual ideal de como o sentimento humano nos comanda, de como somos previsíveis. Aqui, Diego Moraes não somente escreve, mas descreve toda uma situação de desfeche amoroso, desde o abandono à ideia de acostumar-se com esta condição, passando pela dura realidade dos momentos de alcoolismo crônico, das músicas que nos lembram quem amamos, das tristezas que sentimos por nos sentirmos só, daquilo o que fazemos para matar um pouco mais de nós, tudo isso é concretizado e observado sabiamente na página 32, em um poema intitulado “cavalo de troia”, aqui, o autor trabalha a visão de alguém que acabou de sofrer uma decepção amorosa e suas fases subsequentes: a negação, a bebida, o cigarro, as musicas melancólicas, a busca por fotos e lembranças conjuntas, dentre outros variáveis problemas que atacam nosso ser quando estamos fragilizados emocionalmente.

Enfim, este não é um romance, não é um livro de finais tão felizes, mas é uma excelente receita para se acostumar com a ideia de que talvez, só talvez, nada dure para sempre, e que por mais que isso nos doa, momentos como este passa, sempre passa. Enfim, este livro foi fabricado como água: sem contraindicações e pode ser aproveitado por qualquer idade, em qualquer lugar e momento e a qualquer hora.

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