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[RESENHA #266] Cantigas cotidiano, por Lucas Alvim

terça-feira, julho 31, 2018

/ by Vitor Lima
Imagem: Mallarmagens


CANTIGAS COTIDIANAS. ALVIM, Lucas. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2017, 140p //  R$32

Cantigas Cotidianas é um livro de poesia escrito pelo autor Lucas Alvim. Publicado originalmente através da Editora Penalux no ano de 2017, a obra poética segue o padrão trovadoresco de cantigas reflexivas datas do século XI. O livro é um emaranhado de questões acerca do cotidiano, da vida e dos reflexos sociais. Aqui, a poesia está por toda a parte, desde o sol que nasce ao amanhecer.

Há quem diga que a reflexão mora na filosofia, mas acredite, sempre achei que a filosofia fosse fruto dos pensamentos e reflexões de um poeta. Não há como definir aquilo que se é indefinível. A obra de Alvim é um poema solto no ar, é como se as linhas fossem lidas automaticamente, elas brotam da existência. Este livro, em especial, é aquilo o que chamamos de definição por excelência, não há o que dizer, já está dito, nítido, transparente, claro e totalmente exposto. As 140 páginas muito bem “pinceladas” por Alvim, são frutos da característica de sua vivência em sociedade, são observações precisas no campo social. As críticas aqui apresentadas mostram-nos uma visão de mundo além daquela com a qual estamos habituados, afinal, é sempre muito mais fácil para alguém viver a realidade, do que encara-la, isto é fato. Talvez, a característica mais marcante da obra de Alvim seja sua prolificidade com relação a descrição assertiva acerca da sociedade. Cirurgicamente falando, poderíamos comemorar o êxito de se extrair tanto neste vasto universo de vivência em um único volume poético. Assinalaria este livro com prolificidade poética e linguística. Ao analisar esta obra, iremos nos deparar com uma ressignificação do campo social ao qual estamos inseridos. A poética presente nesta obra atenta-nos para o condicionamento operante da ausência de liberdade, a condenação dos laços sociais entre indivíduos, e claro, seu sentimento perante o desgaste psicológico, físico e motivacional acerca da existência.  Tudo se resume na ausência de vida entre indivíduos e na supervalorização e objetificação dos valores, colocando o mundo material, acima do sensorial, do espiritual, do social, acima de tudo.

A obra de Lucas Alvim é prolífica, reflexiva e muito, extremamente, sem sombra de dúvidas: instigante. Se levarmos em consideração as cantigas do trovadorismo que deram origem à outros movimentos literários no século XI, poderemos perceber as nuances de uma época onde o sentimento de repulsa, culpa, medo, receio ou paixão se exacerba, se excede e transcede na escrita de Lucas. O autor consegue trabalhar com sua poesia/conto de forma que o leitor, torna-se um investigador de seus próprios sentimentos. As análises aqui dispostas leva-nos à crer que talvez, só talvez, necessitemos reavaliar nossa condição de vida. A poesia ainda persiste, e aparentemente, está mais rica e viva do que nunca. 

O AUTOR

Lucas Alvim, nascido em oito de abril de 1990 em Areado-MG, é um típico e pacato mineiro fã de Rock Progressivo que escreve poemas. Publicou Maço de Março em 2013, finalista no Prêmio Gloria de Sant’ana 2014, e em 2014 publicou Exergia, segundo lugar no Prêmio LiteraCidade jovem 2014 categoria poesia, ambos pela Editora LiteraCidade. Também possui participação em Antologias. E foi menção honrosa com o Livro das Evaporações no Prêmio LiteraCidade 2015, categoria poesia. Em 2016 lançou Contorcionismos e em 2017 Cantigas Cotidianas, ambos pela Penalux.

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