Responsive Ad Slot

LANÇAMENTOS

lançamentos

[RESENHA #250] Canto aos homens de boa vontade, por Narlan Matos

sexta-feira, julho 06, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: Penalux | Divulgação

Canto aos homens de boa vontade. MATOS, Narlan. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2018 105p. // R$ 36

SINOPSE
As emoções trabalhadas por Narlan são harmonicamente postas em paralelo as demais coisas desenvoltas da vida, a saudade do pai, a ambiguidade da existência, a beleza estética da natureza, assim como a suavidade e ao mesmo tempo, intensa, dos sentimentos de vida e de destruição, de sombras e sol.
            Embora, o poeta entenda que a vida é esta linha descontínua, na qual os altos e os baixos, são em verdade, as oscilações entre prazer e sofrimento, entre luz e escuridão, a fé é encontrada como firmeza e o sustentáculo para suportar as dicotomias da vida, a fé no homem, como quando o autor diz, “eu creio nos homens / quando desafiam as escuridões as incertezas”.
            Esta maneira de enxergar as irregularidades de acontecimentos, de sensações percepções são feito herança, humilde, pois é coisa passada por gerações e gerações, através dos ensinamentos e modos de vida de um povo modesto, campesinato, “nasci de uma gente mui simples e solar / que lavrava a alegria em seus incertos sulcos / aprendi com eles a crer na chuva e nos rios/”.
            A natureza personifica a própria insegurança do homem, como já dito entre pensadores e psicanalistas como Freud, no entanto, também ela é a fonte fornecedora dos ensinamentos, e Narlan sabe disto, e afirma, e aproveita, e exalta estes ensinamentos, assim como o incoercível poder da natureza, “ o sol que explique tudo isso que nos assalta / enquanto atravessamos as planícies da vida / tudo isso que nos indaga enquanto em nós / marcham os exércitos das sombras”

 RESENHA


“Canto aos homens de boa vontade” é um livro de poesia e prosa do autor Narlan Matos. A obra é o mais novo lançamento do catálogo da editora Penalux. O livro possui 105 páginas e 69 poemas que narram o grito de um autor que tem uma mensagem a se transmitir. Incrivelmente único.

Esta é uma das narrativas mais peculiares com as quais tive contato este ano. Narlan Matos é um dos pouquíssimos brasileiros que teve sua obra traduzida para diversas outras línguas, chegando a ser publicado em chinês, sueco, francês e tantos outros idiomas. Esta obra é fruto de todas as viagens realizadas pelo autor ao redor do globo. Aqui ele junta todas as questões que o motivaram a continuar escrever, não somente pelo reconhecimento, mas também pela satisfação e amor pela escrita. Os poemas aqui descritos são caracterizados por uma marca profunda de sentimentalismo, onde o homem e o sentimento são colocados em primeiro plano trazendo a voga o real e o palpável que habita esta experiência no ser humano. O poema que dá abertura ao livro intitula-se idílio (palavra grega que caracteriza um poema curto ou um amor terno, delicado, singelo), onde o autor contrasta e trás a tona o sentimento da saudade de um filho para o pai, é uma carta, uma narrativa prolífica, densa, forte e instigante. Aqui, o autor nos dá abertura suficiente para entendermos que suas emoções estão em nuances perceptíveis, claras e objetivas em cada linha, principalmente quando ousa escrever sobre a saudade e o amor em um único poema. A saudade é um sentimento característico nas páginas, principalmente se analisarmos outros sentimentos aliados à saudade, como por exemplo, o sentimento de satisfação e realização que quase sempre está presente nas páginas, independente do tópico ou da ferida, sempre há algo de positivo a ser escrito e revisto.

[...] Faz tanto tempo que lhe escrevi. Há tanto idílio entre ele você e eu! Ainda é difícil acreditar que você morreu. p. 13

Uma outra característica que me chama (e muito) à atenção é o fato do autor trabalhar a visão poética de sua escrita em um poema. Na página 46 encontramos um belíssimo poema ao qual recebeu o título de “a escrita”, veja este trecho:

Um poema escreve minha vida
(como minhas mãos escrevem este poema)
Com dedos de fábula e hera
Me nutre me fere me propala
Feito a claridade penetrando a gruta

Um amor poético sem precedentes, sou apaixonado em vozes que trazem o contraste da realidade e as nuances de suas reais perspectivas sob a escrita na própria escrita. Tudo o que li nesta obra me fazia lembrar piamente do que me fora dito no prefácio escrito pelo autor, tudo, é como se eu conseguisse estabelecer uma telepatia e ouvindo-o falar “é assim que eu me sinto”.

A vida é este papel em branco
Que recebemos ao nascer
Das indizíveis mãos do invisível
E sobre o qual derramaremos
O sol cotidiano, tardes, manhãs
Escreveremos amizades, ontens
[...] (Trecho do poema “Vida”, p.60)

O que se pode realmente esperar da escrita de Narlan Matos é a intensificação dos sentidos em linhas, a prosa que baila no salão dos sentimentos, é realmente algo arrebatador. Há apenas uma dica ao ler esta obra: esteja pronto. Toda poesia é desafiadora, em nenhum poema escrito no planeta o autor diz apenas aquilo o que se está nas linhas, ele sempre quer dizer além daquilo, e Matos sabe muito bem definir seus traços e contrastes contemporâneos e objetivos com relação ao fluir social e as experiências humanas.

Nenhum comentário

Talvez você se interesse...
© all rights reserved
made with by Google