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[RESENHA #269] Bella Mafia, por Vitto Graziano

Um enredo fictício para críticas reais da marginalidade contemporânea brasileira

sexta-feira, agosto 03, 2018

/ by Vitor Lima
Foto: Blog “Eu curto literatura” / Divulgação

BELLA MAFIA. GRAZIANO, Vitto. São Paulo: Luva Editora, 2016 388p ISBN 97-885-933-500/09
APRESENTAÇÃO

Sócio majoritário da maior mineradora do Rio de Janeiro, Salvador Lavezzo também é a cabeça por trás de um sofisticado esquema de narcotráfico no eixo Brasil-Suíça; contudo, vê sua fortuna ser ameaçada após a apreensão de dez toneladas de pasta base de cocaína no Mato Grosso. Investigado pela Polícia Federal e jurado de morte por seus superiores, Lavezzo terá 24 horas para virar o jogo a seu favor.
A beleza desta obra vem da organização da guerra. No sentido óbvio e explícito, por tratar-se de uma organização criminosa; hierarquizada, regulada por normas rígidas, disciplinares e voltada para o enriquecimento ilegal, mas também no sentido de tudo funcionar como um relógio; as mortes, as ameaças, as palavras, nada está fora do contexto; tudo é necessário lá onde acontece e lá onde aparece. Este livro é uma máquina de guerra, pontual como a engrenagem do fuzil, bem lubrificado como o tanque e delicado como a pólvora.

RESENHA

“Atingido por um bocejo, preparava-se mentalmente para o merecido descanso, ao escutar algumas passadas sobre o espelho d'água, num giro veloz empunhou a pistola. Ao invés do disparo foi surpreendido pelo olho mágico da morte.”

Escrito pelo autor e editor Vitto Graziano, “Bella Mafia” consolidou-se como sendo um dos livros mais marcantes do ano de 2017, para mim. Este ano, refazendo a leitura de todo cenário quase que “palpável” criado por Graziano, pude obter uma nova ótica acerca da realidade na qual somos submetidos em nosso cotidiano, uma vez que o livro traz a tona toda marginalidade social e política na qual nos encontramos. Drogas, agressividade, morte e lavagem de dinheiro, são apenas recursos utilizados pelo autor para dar ênfase à história de nosso protagonista, Lavezzo.

Um livro um tanto quanto complexo. Bella Mafia tornou-se, para mim, como dito anteriormente, um livro curioso e instigante. Aqui, a narrativa de Graziano instiga-nos e convida-nos a desvendar seus segredos. Lavezzo é o foco narrativo desta épica história, onde ele controla toda situação na palma de sua mão. A síntese desta obra é a vida de nosso protagonista, onde, ele, controla pessoas influentes no meio do crime (e fora dele) com sua riqueza e periculosidade. Manipulador, inteligente, astuto, sempre um pé a frente de seus inimigos e rivais, Lavezzo é o retrato ideal de quem sempre consegue “dar um jeitinho”, afinal, ele pode silenciar qualquer boca, se não conseguir com dinheiro, um gatilho nas mãos de Tupinambá resolve.


Ler esta obra é como caminhar por becos escuros em ruas desconhecidas: você nunca sabe o que te espera ao final da caminhada, só sabe que deve continuar, pois o risco de não prosseguir e se arrepender é maior do que prosseguir e obter êxito. Esta leitura flui fortemente, o cenário criado pelo autor contribui grandiosamente para criação de uma atmosfera densa, pesada e repleta de incertezas. O cenário desta máfia é idêntico ao de qualquer outra: O chefão, mandante de todas as organizações, tráfico e execuções, e claro, os subordinados que cumprem ordens e se encarregam para que pessoas inconvenientes mantenham-se caladas, dentre elas, policiais e pessoas comuns próximas ao cenário da máfia.

É interessante como podemos ligar este cenário fictício às realidades encontradas nas grandes metrópoles, inclusive, claro, no Rio de Janeiro (onde se passa a história). O livro é uma crítica ao sistema falho de segurança pública, o domínio do tráfico, a desonra e ganância daqueles que traem pessoas boas em prol de si próprias. Uma leitura realmente instigante do início ao fim.


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