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[RESENHA #283] Memórias da infância em que eu morri, de Hugo Pascottini Pernet

Realidade ou ficção? "Memórias da Infância em que morri" é um misto de ambos. Hugo Pascottini Pernet é o mestre da escrita dramática e fará você se apaixonar por sua criação literária poética e pulsante.

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

/ by Vitor Lima
Foto: PENALUX/DIVULGAÇÃO

PERNET, Hugo Pascottini. Memórias da Infância em que eu morri. Guaratinguetá, SP: Editora Penalux, 2018, 172p.

A história do menino Hugo  traz, já no prólogo, a situação pela qual a história se envolve e desenvolve. A narração do ambiente da casa do protagonista é descrita primeiramente com a exposição de um relacionamento saudável entre seus pais.
De repente, sem muitas razoáveis explicações, surgem entre marido e mulher as primeiras discussões, seguidas de uma enormidade de atitudes estranhas, como choros, rezas... Os pais de Hugo, devotos de Nossa Senhora, entregam ao poder da divindade suas súplicas vindas do desespero. Conforme as aflições dos seus pais se alastram, o protagonista vai tomando esclarecimento sobre a situação.
Todos os acontecimentos levam o personagem a concluir que há algo de muito perigoso acontecendo em seu organismo. Ele, que havia passado por diversos exames médicos, sem saber ao certo o porquê de todos eles, começa a ser proibido pelos pais de tomar conhecimento sobre o que de fato lhe está acontecendo.
Após esta introdução, o romance aos poucos ganha uma grande contextualização sobre a vida pessoal do menino Hugo: seus gostos, seu estilo de vida, suas peculiaridades, sua afetividade. A obra, narrada pela voz do protagonista infantil, soa bastante íntima ao leitor, que se apega e se envolve com a história no desejo de descobrir o que está acontecendo com o narrador e qual o desfecho tomará o enredo, formando assim a sina última de Hugo. 

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❝Memórias da Infância em que morri❞ é um livro semi-biográfico, ou uma ficção biográfica do autor Hugo Pascottini Pernet, publicado através da editora Penalux no ano de 2018. O livro possui três divisões (sem contar o prólogo), sendo elas: Fragmentos do diário¹, Fragmentos das fitas Cassete², Fragmentos das gravações³. O livro narra a vida de Hugo, um garoto de nove anos que narra toda sua história em primeira pessoa. A obra é dividida de forma que o autor conduza o leitor pelos caminhos de sua narrativa de uma forma mais intensa. Aqui, nota-se todo o cuidado ao narrar os fatos e acontecimentos de um garoto e seu cotidiano. O livro poderia ser facilmente enquadrado dentro do gênero drama, uma vez que todo o enredo gira em torno de um acontecimento que fere diretamente quem a conta.

Memórias da infância em que eu morri é um romance narrado em primeira pessoa pelo menino Hugo, de nove anos. Fã de esportes e da leitura de Fernando Pessoa, Hugo recebe o diagnóstico de uma doença grave, logo após ele, os pais e o irmão mais velho se mudarem para uma casa grande, num novo bairro na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O diagnóstico não é bem recebido pelos pais, que passam a frequentar a Igreja com mais afinco e se apegam à religião durante o tratamento do menino. A mãe, principalmente, parece fechar-se em si mesma, isolando-se no quarto do segundo andar, trancada, o que deixa Hugo desnorteado, sem saber a quem recorrer para compreender melhor o que se passa consigo. Numa tentativa de comunicar-se com a mãe, para desabafar sobre seu sofrimento íntimo e tentar entender melhor o que se passa, Hugo começa a gravar fitas de áudio. (Amazon)

A primeira parte do livro intitulada Fragmentos do diário, narra um período específico da vida de Hugo, que mantinha um diário onde ele escrevia toda a sua vida, desde as pequenas coisas e a felicidade que o tomava, até a descoberta de uma doença que mudou os caminhos de sua vida. Esta parte é dividida em duas partes e ambas contam com uma narrativa que conduz o leitor de forma clara ao próximo capítulo intitulado Fragmentos das fitas cassete. Neste outro capítulo, Hugo trabalhará em cima de uma outra alternativa que encontrou para manter contato com sua mãe, que afastou-se por um motivo bem específico, então o garoto via-se com a necessidade de realizar gravações para que sua mãe ficasse informada sobre tudo o que estava lhe acontecendo. E claro, temos também a última parte do livro que é o Fragmento das gravações, aqui iremos compreender todas as questões que se fizeram no decorrer do livro. 

Não há muito o que se falar desta obra, acho que a mesma já fala por si. Este romance dramático é um clímax e uma mistura de tudo aquilo o que as pessoas temem em uma literatura dos dias atuais: um cenário ideal e propício para lágrimas. Uma criança, uma família devota, lágrimas, preces, sentimentos a flor da pele, a inocência de quem não está entendendo a gravidade da situação e um misto de fé, esperança e força de vontade. Este livro é definitivamente um ideal para quem ama se emocionar com uma escrita simples, concisa, bem elaborada e direta.

Como dito no início desta publicação, este livro é uma mistura de ficção com realidade. Aqui, o protagonista é o autor e a história é um misto de sua infância com um toque de ficção. A decisão de unificar sua vida ao enredo foi sábia, inteligente, interessante. Pernet soube conduzir com delicadeza uma narrativa densa, pesada e repleta de tristezas. O legal de tudo isso é que nós nunca iremos saber de fato o que ocorreu ou não. Para uns é algo instigante, para outros a formula da loucura: afinal, o que nesta narrativa é verídico e o que não é? Fica a pergunta no ar. O livro é indicado para fãs de romances dramáticos.

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O AUTOR


Hugo Pascottini Pernet nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Formou-se em jornalismo pela PUC-Rio. Participou de algumas coletâneas, como Contágios, organizada pelo escritor José Castello, e Escritor profissional – Vol.3, ambas publicadas pela editora Oito e meio. Além disso, já publicou seus textos em sites e jornais de literatura. Integra o grupo literário Os Quinze.

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