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[RESENHA #315] A rosa selvagem (Família Davon #2), de Simone O Marques

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ISBN: B07N8H76MW
Ano: 2019 / Páginas: 246
Idioma: português 
Editora: Ler Editorial

William, o barão Davon, é um soldado destemido e homem de confiança do rei, mas carrega a terrível fama de ser violento com as mulheres. Sem se importar com os comentários a seu respeito, acredita estar protegido contra as investidas das damas da corte, mas o rei está determinado a lhe arranjar uma esposa. Entretanto, seu coração será atingido por um inesperado e selvagem encontro. Rose O'Kelly viu sua tribo ser dizimada pelo rival de seu pai e foi obrigada a fugir da Irlanda. Sozinha e sem saber falar a língua dos ingleses, ela vai parar nas terras do mal falado barão Davon. Acolhida pela família da pequena Madeleine, após ser atacada por um homem misterioso, Rose vê seu destino se ligar de forma irremediável ao de William Davon.

MARQUES, O Simone. A rosa selvagem. São Paulo: Ler Editorial, 2019. 246p

A rosa selvagem narra a vida de Rose que viu sua vida se acabar diante de seus olhos quando sua tribo fora dizimada diante de seus olhos, como se não bastasse, seu pai, Seth O’kelly, fora morto de forma cruel pelo rival Roony, líder e guerreiro da tribo vizinha. Agora, em fuga, Rose tenta recomeçar a sua vida enfrentando todos os tipos de problemas e ameaças que se possa imaginar. Rose então vê-se acolhida pela família da doce Madeleine, mas a paz não dura muito. Naquele ambiente vive ninguém mais, ninguém menos que o Barão Davon, um soldado muito conhecido por sua fama horrível com as mulheres, era agressivo, ríspido e “acima da lei”,  seu pai, o rei, está determinado a lhe arranjar uma esposa. Agora, o destino de Rose O’Kelly e do Barão estão em rota de colisão. De um lado temos Rose, mulher guerreira, forte, sofrida, que quer apenas paz e nenhum envolvimento emocional, o que a torna uma rosa com espinhos, do outro, temos Davon, um rapaz grosseiro, ríspido e agressivo com as mulheres.

A trama gira em torno de um conglomerado de questões a se resolver logo de início. A autora trabalha seus personagens de forma clara e abrangente, tornando a leitura extremamente fluída e agradável em diversos os sentidos, principalmente naquele que tange a origem do personagem em questão, isso esclarece algumas dúvidas que surgem durante a narrativa. O cenário construído por Simone ao descrever o palácio do barão William, é fantástico. A escrita em torno de como cada um deles se sente é palpável, tangente e emocionante. Honestamente a escrita da autora é muito bem elaborada e sua capacidade discursiva e descritiva vão além das expectativas. A parte mais interessante é a forma inicial sobre como o barão William Davon conhece suas pretendentes à casamento e o segredo que guardara em cumplicidade com seu irmão. O rei Eduardo decidiu que não seria certo que William permanecesse solteiro, e que tentasse não afugentar as pretendentes, mas que as acolhesse para que assim pudesse escolher uma noiva. Mas, a grande verdade é que o barão é extremamente sensível em algumas partes e completamente confusa em outras, nota-se em sua personalidade que ele possui um certo receio com relação aos relacionamentos, isso é algo nítido, e talvez, isso o torne tão ríspido com as mulheres.

“Embora Eduardo tivesse pedido que ele tentasse não assustar as mulheres, pensava em mostrar seu lado mais tenebroso, quem sabe assim a futura abadessa e sua filha viúva saíssem correndo, assustadas, e o deixassem em paz. E, quem sabe, Eduardo desistisse de casá-lo.”

Após sua fuga, Rose encontra-se destinada a vagar sem rumo, até encontrar alguma outra civilização ou quem a possa socorrer. Rose chega até um local habitado não reconhecido, lá ela se esconde em um estábulo/celeiro, pra se repousar, porém, encontra-se com Willian, e claro, após ter sido vítima de diversas tentativas de estupro, ela o golpeia e foge, desde então, ele jamais a tirara de sua cabeça. A narrativa de Simone é altamente intensa e minuciosamente pensadas. Cada linha lida é um fôlego a menos. Este é o segundo volume da duologia "Família Davon", sendo o primeiro "A noiva do barão", claro, no mesmo segmento, medieval. Existem questionamentos que podem a vir nesta edição, caso não se tenha lido o primeiro livro, e isso é normal. Recomento que leia na ordem cronológica para se ter uma noção da abrangência da novela criada pela autora. 


Considerações: A escrita de Simone impressiona em diversos pontos. A autora conseguiu criar uma novela romântica no estilo medieval e separa-la magistralmente em dois exemplares. O primeiro é o princípio e a apresentação geral de seus personagens, o segundo é uma ênfase que complementa de forma coerente o todo construído anteriormente. A escrita adotada pela autora é rebuscada e altamente fluida, o que permite até mesmo aos leitores mais leigos, acompanhar todos os personagens que surgem em meio a narrativa de Davon. Esta autora possui uma capacidade descritiva que não se mede em palavras, e isso é fato. Simone usa de seu poder de escrita para criar um universo só dela dentro de suas criações literárias. O enredo é apaixonante, repleto de suspense, de medo, insegurança e de muito amor e intensidade. Não há o que se falar de negativo acerca desta obra, acertaram em exatamente tudo, sobretudo, na escolha da capa que casou completamente em todos os sentidos com toda a conjuntura da obra. 
Formada em Pedagogia e Mestre em Educação, escreve desde 2007, deixou de lecionar para se dedicar à escrita de ficção e fantasia. Tem vários livros e contos publicados.

[RESENHA #314] O poder dos cinco segundos, de Mel Robbins

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Foto: Astral Cultural


A vida bem-sucedida de Mel Robbins já foi muito diferente: ela evitava encarar desafios, apertava o botão soneca inúmeras vezes e deixava o caos se instalar pelo resto do dia. Tudo mudou quando ela descobriu O PODER DOS 5 SEGUNDOS e a capacidade de um curto espaço de tempo ser tão determinante em suas ações. Com o ponta pé inicial que faltava, Mel descobriu a fórmula para colocar sua vida nos eixos e parar de culpar os outros pelos seus problemas. Mais de 15 milhões de pessoas assistiram ao TEDx Talk de Mel, e executivos das maiores marcas do mundo estão usando a ferramenta para aumentar a produtividade, a colaboração e o envolvimento de seus profissionais. Neste livro, você vai aprender com exemplos reais que nada irá mudar se continuar vivendo a vida no automático e não se arriscar.


“Você não pode controlar como se sente. Mas você sempre pode escolher como você age.”

Sabe aquela regra básica que te ensinam quando criança? Conte até dez para melhorar a respiração e aliviar o estresse, ou, não pare para pensar, apenas aja conforme seu entendimento acerca do que vem a ser correto, enfim, a tática de Mel Robbins é um pouco mais dramática. O poder dos cinco segundos é o poder da decisão, o poder de tomar uma iniciativa nos primeiros cinco segundos de uma dúvida que pode levar anos ou tempos, se você parar para pensar, mas a tática aqui está no que você coloca em jogo, em síntese, atrevo-me a dizer que este livro é um empurrão pra que as pessoas possam – e se encorajam – a pautar o que de fato é importante ou não em suas vidas. Robbins ficou mundialmente conhecida por trazer a tona um pensamento tão simples, mas tão valioso. Contar até cinco e poder decidir que caminho tomar, se deve-se ou não investir, se devemos persistir ou desistir, pensamentos que colocam em julgo a maioria de nossas decisões que interferem diretamente em nosso cotidiano.

“O segredo é saber como se forçar”, não existe tática melhor do que se forçar com uma regra que seja concreta e unanime. Se você estabelece que cinco segundos é o tempo de tomar uma decisão, você tem nas mãos uma via de mão única, não há outra saída, esta é a última: qual a sua decisão? Usando a ciência dos hábitos, do cotidiano, das artes, Mel Robbins oferece uma ferramenta simples e capaz de explorar o melhor que temos a oferecer em uma tomada de decisões. Em apenas cinco segundos você descobrirá que seu poder de tomada de decisões é maior do que imagina, e que com apenas cinco segundos você se tornará autossuficiente, confiante e menos preocupado. A ideia central da obra é o “empurrão” que ela oferece ao leitor em um lapso de momento: ou você decide agora ou a oportunidade irá passar.

O livro em si é interessante. A proposta elaborada pela autora é algo com o qual devemos nos habituar, afinal, todos nós sabemos que temos que tomar decisões, mas estamos sempre adiando e adiando, não mais. Robbins propõe que uma mudança de pensamento seja necessária para que se mude de vida. Tomar uma decisão nunca é fácil, e é por isso que se faz necessário estabelecer um padrão que nos ajude a contornar estes adiamentos que surgem em nosso caminho. Este é um dos poucos livros de autoajuda que não ajuda somente a quem escreve, mas também a quem lê. Robbins possui uma maneira clara de expor suas ideias e pensamentos acerca da vida cotidiana.

Algumas citações desta obra:

Você pode hesitar por apenas um nanossegundo, mas é só isso. Aquela pequena hesitação aciona um sistema mental que é projetado para impedi-lo. E isso acontece em menos de - você adivinhou - cinco segundos.”

“Você está à uma decisão de uma vida completamente diferente”

“Comece antes de você estar pronto. Não prepare, comece. ”

“Há uma coisa que é garantida para aumentar seus sentimentos de controle sobre sua vida: uma tendência para a ação.”

“Sempre existirá alguém que não vê o seu valor, não permita que este alguém seja você.”

A autora:


Traduzido do inglês-Melanie "Mel" Robbins é uma comentarista americana da CNN, apresentadora de televisão, autora e palestrante motivacional.

O Morro dos Ventos Uivantes por Emily Brontë (1847)

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Emily Bronte, em uma pintura a óleo por seu irmão, Branwell. Foto: Apic


A imagem acima de Emily Brontë - reproduzida infinitamente - é menos um retrato, mais um ícone. Intenso, feroz, interior, solitário, indescritível e incognoscível: a jovem autora do Morrodos Ventos Uivantes de perfil faz parte de seu primeiro e único romance.
O trabalho de sua irmã mais velha - Jane Eyre - hipnotiza o leitor com a força calculada de seu tom, suas "revelações suspensas" e suas sugestões de erotismo reprimido. Ele constrói, lentamente, um clímax comovente, no qual, finalmente, seus protagonistas são redimidos, embora não de um modo convencional. Wuthering Heights , em contraste, mergulha impetuosamente em uma exploração selvagem e apaixonada do amor em todas as suas manifestações destrutivas.
A narrativa de Brontë - fragmentada, discordante e tortuosa - gira obsessivamente em torno de uma transgressão única e explosiva, e o tema do ciúme nas vidas de Heathcliff e Catherine, antes de retornar ao tema mais calmo no meio do segundo tempo, muitas vezes negligenciado.
Onde Charlotte vem da tradição puritana de John Bunyan, Emily é filha do movimento romântico, e ambas as irmãs estão imersas no gótico. No entanto, é Emily quem assume os maiores riscos criativos. As primeiras avaliações de Wuthering Heights foram misturadas. Críticos que haviam sido varridos por Jane Eyre não sabiam o que fazer com isso. Durante muito tempo, julgou-se inferior. Os leitores que amam Jane Eyre são, às vezes, menos entusiasmados com o Morro dos Ventos Uivantes . E vice versa. Incluí ambos em minha lista porque sua influência na imaginação inglesa e na ficção subsequente em inglês tem sido incalculável.
Olhando para trás, é claro que onde Jane Eyre vem de uma tradição reconhecível e está consciente dessa afiliação, Wuthering Heights libera novas energias extraordinárias no romance, renova seu potencial e quase reinventa o gênero. O escopo e a deriva de sua imaginação, sua exploração apaixonada de um caso de amor fatal, mas regenerador, e sua brilhante manipulação do tempo e do espaço colocaram-no em uma liga própria. Esta é uma ótima literatura inglesa, fruto de uma infância extraordinária.
Olhando para o futuro, acho que podemos dizer que o trabalho que conhecemos de Thomas Hardy, DH Lawrence e até de Rosamond Lehmann teria sido impossível sem ele. Como um retrato de "amantes de estrelas cruzadas", rivaliza com Romeu e Julieta . Há também algo operístico sobre sua audácia e ambição. Não é de admirar que cineastas, compositores, atores e críticos literários tenham sido atraídos para reinterpretar sua história.
E depois há os seus prazeres mais calmos. Como Hardy e Lawrence, Emily Brontë tem um olho e um ouvido misteriosos para o mundo natural. Quando Lockwood visita os túmulos de Heathcliff e Cathy no final do romance, a poesia na voz é de Brontë:
Fiquei em volta deles, sob aquele céu benigno, observei as mariposas esvoaçando entre a charneca e as lebres; ouvi o vento suave respirando na grama; e imaginou como alguém poderia imaginar um sono inquieto, pois os que dormem naquele terra quieta. "
Magia.
Wuthering Heights foi publicado três meses depois de Jane Eyre em dezembro de 1847. Um ano depois, Emily estava morta, com apenas 30 anos. Charlotte escreveu mais tarde: "Mais forte que um homem, mais simples que uma criança, sua natureza permanecia sozinha".

Uma nota 


Wuthering Heights, A Novel de Ellis Bell, foi publicado por Thomas Newby em dezembro de 1847, três meses depois de Jane Eyre . Vários críticos, impressionados com a força do livro, acreditavam que ele havia sido escrito por um homem. Após a morte de sua irmã, Charlotte Brontë editou uma segunda edição revisada, o texto que geralmente é seguido hoje. Uma carta de Newby sobrevive, o que parece sugerir que Emily Brontë começou a escrever um segundo romance, embora o manuscrito nunca tenha sido encontrado. Se ela tivesse começado um segundo romance, ela foi impedida pelo consumo de completá-lo. Ela morreu no mesmo ano em que Wörther Heights foi publicado, aos 30 anos.

A abadia do pesadelo, por Thomas Love Peacock (1818)

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Thomas Love Peacock, fotografado em 1857. Seu trabalho influenciou a posterior ficção cômica de Jerome K Jerome e PG Wodehouse. Foto: Arquivo Hulton


Nightmare Abbey
 , como Frankenstein (n º 8 desta série) , apareceu em 1818. Estranhamente, também foi inspirado por Shelley, que era amigo de Peacock. Sua sátira, no entanto, era alegre e caprichosa e uma espécie de piada interna. Não há como saber se Peacock realmente leu o romance de Mary Shelley, mas o Nightmare Abbey faz um bom contraponto e fala da importância de um novo público.
A regência foi um ponto de virada para a ficção inglesa. Não só o príncipe regente era um homem de cultura que adorava as obras de Jane Austen, como também havia um mercado totalmente novo para os romances: leitores da classe média com dinheiro, entusiasmo e bom gosto.
Depois de uma longa gestação, a vida literária chegou. Mais de 100 anos depois que Daniel Defoe se sentara nas ações e John Bunyan compusera Progresso do Peregrino na cadeia de Bedford, os romancistas ingleses estavam agora totalmente estabelecidos no centro da vida cultural. Era uma vez, escritores tinham publicado anonimamente ou sob nomes assumidos, temendo desgraça, ou pior. Agora eles eram conhecidos, falados e às vezes até bem pagos.
No início, o processo de revisão havia sido irregular e vulnerável à violência real. Agora havia algumas revistas influentes em jogo; A crítica literária era reconhecidamente a ocupação que conhecemos hoje. Em outros lugares da rua Grub, livrarias como John Murray estavam se tornando editores. Um comércio de tortura estava adquirindo respeitabilidade.
Simultaneamente, os habitantes do mundo literário, especialmente em Londres, estavam começando um diálogo informal, através de seus livros, que faziam da comunidade uma conversa contínua sobre literatura.
É um processo que sobrevive até o presente, um processo que podemos seguir através deste catálogo de 100 romances. Jane Austen, por exemplo, iria satirizar os populares Mistérios de Udolpho, da sra. Radcliffe, na Abadia de Northanger . O mesmo engajamento entre artista e sujeito explica a carreira desse gênio menor meio esquecido, Thomas Love Peacock .
Peacock nasceu em uma família naval em Weymouth em 1785, herdou uma pequena anuidade, começou a escrever poesia e foi passear na Escócia como um verdadeiro romântico, um jovem de sua época. Ele era esperto e bastante ocioso. Para seus amigos, ele deve ter parecido um diletante; Durante toda a sua vida ele se comportou como se houvesse outras coisas para fazer além de escrever.
O pavão é um original e teve poucos imitadores. Sua ficção - Nightmare Abbeyé a melhor de quatro sátiras de casas de campo, incluindo Headlong Hall e Crotchet Castle - ocupa um lugar especial nesta lista e merece ser lembrada como o início agradável e pouco exigente de um fio no cânone que possivelmente inclui o Aldous Huxley da Antic Hay e Stella Gibbons da Cold Comfort Farm .Em 1812, no entanto, ele publicou um longo e difícil poema, A Filosofia da Melancolia . Como resultado, ele conheceu Shelley, caiu sob o feitiço do grande poeta, tornou-se seu amigo e começou a encontrar sua própria voz como escritor, voltando-se para a sátira em prosa. A afirmação de Peacock sobre a posteridade deriva do período muito breve de 1813 a 1818, quando ele se tornou parte da comitiva aleatória de Shelley e até aceitou uma espécie de pensão em vez de deveres domésticos. Em 1814, ele publicou um ataque aos poetas do lago, Sir Proteus: A Satirical Ballad . Seu primeiro romance satírico, Headlong Hall , foi realizado um ano depois.


É muito cedo para saber se esses títulos chegarão aos meus 100 finalistas, mas existe uma conexão real. Eu também acho que há algo da inventividade caprichosa de Peacock em Lewis Carroll, mas isso é apenas um palpite. Eu não tenho idéia se a matemática gagueira não leu qualquer ficção de Peacock.

De qualquer forma, o pavão não é totalmente sem precedentes. Suas influências incluem Swift, Voltaire e Rabelais (que também influenciaram Sterne) . Nightmare Abbey é surpreendentemente alusiva, com referências a Shakespeare, Pope, Pliny e Goethe, entre muitos outros. Os efeitos bastante teatrais e até mesmo teatrais de Peacock encontram ecos na ficção cômica de escritores como Jerome K Jerome, HH Munro ("Saki") e o jovem PG Wodehouse, entre outros. Wodehouse, na verdade, apropria-se do meio de campo de Peacock no atacado.
Seria interessante saber quantos escritores contemporâneos de ficção leve estão familiarizados com o Peacock. Ele certamente merece ser mais conhecido, daí o seu lugar aqui: ele é um favorito pessoal.
O enredo de Nightmare Abbey é fino como papelão, e diz respeito aos ditherings românticos de Scythrop Glowry entre dois objetos amorosos, Marionetta e Stella. Isso parodia as dificuldades das relações de Shelley com Harriet Westbrook e Mary Godwin, mas o verdadeiro prazer do romance está no estilo inimitável de Peacock, no diálogo exagerado e nas músicas divertidas, e na alegria que ele tem em zombar do movimento romântico. O próprio Shelley não era nada além de generoso em sua resposta. "Eu não sei como elogiar a leveza, castidade e força da linguagem do todo. Talvez exceda todas as suas obras nisto."
Shelley, que é Scythrop, estava no jogo desde o começo. Peacock escreveu para ele em 30 de maio de 1818 para dizer que "eu quase terminei a Abadia de Nightmare " e para reclamar que "o quarto canto de Childe Harold é realmente muito ruim ". Peacock se preocupava apaixonadamente com a condição da literatura inglesa e era, de maneira gentil, um feroz defensor dos altos padrões. Em outra carta para Shelley, ele diz que quer "deixar entrar um pouco de luz" na "aparência atractiva" da literatura contemporânea, uma formulação típica de Peacock. Sua preocupação, em geral, é pelo bem-estar da tradição literária inglesa. O fim da civilização como a conhecemos é outro ponto de partida familiar para a sátira alegreAmarelo Cromado .

[RESENHA #313] Arquivos do mal-estar e da resistência, Joel Birman

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Acervo Pessoal | Divulgação

Arquivos do mal-estar  da resistência. BIRMAN, Joel. São Paulo, Civilização Brasileira, 2017. 418p. ISB 978-852-000-737-2 / R$ 44,90


Em 'Arquivos do mal-estar e da resistência', o autor aborda questões como a compulsão por drogas e comida, a disseminação dos estados de pânico e depressão, e o desalento, categoria que ele utiliza para explicar a condição do sujeito da pós-modernidade, em substituição ao desamparo, característica da modernidade. Violência e barbárie também estão em debate, e não poderiam deixar de estar presentes numa discussão na qual o que se pretende é encontrar quais contribuições a psicanálise tem a dar no enfrentamento dos principais problemas da atualidade. Tudo isso serve como cenário para o debate sobre a crise da psicanálise que, explica o autor, realiza uma espécie de autocrítica de todas as ortodoxias que marcaram a sua história. Os 16 textos que compõem este livro têm como ponto de partida a idéia de que as diversas formas contemporâneas de sofrimento guardam forte relação com as profundas transformações impostas pela pós-modernidade. O mal-estar da pós-modernidade, uma relação direta com o célebre texto freudiano sobre o mal-estar da civilização. Com os artigos, o autor apresenta-se como um importante pensador das questões e das transformações da atualidade, impactadas por mudanças vertiginosas, em velocidade ainda maior. Este livro expõe a discussão sobre os elementos da crise contemporânea - o esfacelamento da perspectiva de futuro, os vínculos sociais e afetivos frágeis, a hipervalorização do consumo, a fragmentação do sujeito e as conseqüências da responsabilidade absoluta pela gestão da própria vida.


Acervo Pessoal | Divulgação
Joel Birman é psiquiatra, psicoterapeuta e doutor em filosofia. Nascido em Vitória (ES), Birman é autor de diversos livros. Em Arquivos do mal-estar e da resistência, o autor apresenta-nos em dezesseis textos uma série de problemáticas e suas respectivas causas. A maior delas — presente em quase todos os textos — é a ausência de amparo com aqueles que buscam uma ajuda para superar problemas com drogas, depressão, pânico e até mesmo bulimia.  

Uma obra que nos remete às inquietações presentes nas problemáticas sociais encontradas pela maioria como forma de esconder-se ou alentar-se contra a ausência do companheirismo, ou até mesmo de apoio. Em "Arquivos do mal-estar e da resistência", iremos encontrar uma série de fatores que podem ser facilmente utilizados como objeto de estudo. Eis um emaranhado de questões que se ligam de forma visceral e transitam entre passado e presente da contemporaneidade. Repleto de temas com os quais estamos familiarizadamente problematizados, estes por sua vez, são representados na forma e conceito direto no título como "Arquivos".

O livro propõe-nos um debate acerca dos temas apresentados na forma de problemáticas que podem mostrar a possibilidade de nossa ação frente à fatos e problemáticas por meio da existência da resistência do sujeito. Cabe-nos ressaltar que ao reconhecermos que somos de fato seres que resistem fortemente as problemáticas, seja por costume, por familiarização ou simplesmente por não conseguir abandonar determinados hábitos.

A obra é composta por três partes distintas, sendo elas: Da servidão à fraternidade, poder e subjetivação e desejo e resistência. As partes obviamente de uma forma ou de outra se completam e se cruzam de forma magistral pelos capítulos que as compõe. Aqui iremos compreender o conceito da servidão como sendo voluntária e involuntária e seus respectivos efeitos sob a sociedade e o individuo. Pode-se notar a perplexidade e a complexabilidade com a qual os horrores da contemporaneidade são apresentados sob o mal-estar da sociedade atual. 

A segunda parte da obra nos atenta para o mal-estar contemporâneo que nos cerca, melhor dizendo, como que os diversos mal-estares desta década exigem de nós, resistência. 

A terceira parte do livro trata diretamente do desejo da resistência do sujeito. O autor apresenta-nos a resistência como tática estratégica e metapsicológica para adentramos nas problemáticas. 

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COMENTÁRIOS PESSOAIS

Acervo Pessoal | Divulgação

Esta é uma de outras diversas obras onde Birman nos presenteia com seu intelecto genial sem fim, onde poderemos desfrutar de um arquivo de mal-estares que acomete diariamente nossa contemporaneidade. Sentir-se desconcertado ao deparar-se com esta obra, e principalmente ao lê-la é apenas o início de uma série de fatores que poderão incomodar o leitor que atentara-se aos mal-estares que a vida adentra na vida social.

Psicanalista, Joel Birman apresenta-nos uma narrativa distribuída em dezesseis textos, que procuram explicar as problemáticas sociais do mundo pós-moderno, e como a psicanálise pode ajudar a compreender, entender e ajudar estes indivíduos acometidos por sérios problemas de reintegração social e a estabilização comportamental. Sabendo que a psicanálise é um sistema teórico sobre vivência e comportamento humano, Joel propõe-nos um debate, onde o centro é o mundo contemporâneo, e a ausência amparo social.

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