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[RESENHA #357] A sociabilidade do homem simples, de José de Souza Martins

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[...] é nos limites, nos extremos da realidade social, que a indagação do cientista se torna fecunda. A explicação sociológica é incompleta e pobre se não passa pela mediação do insignificante. O relevante está no ínfimo, na vida cotidiana fragmentária e aparentemente sem sentido. Este livro, escrito por um dos mais importantes sociólogos brasileiros contemporâneos, trata da vida social, do imaginário e da visão de mundo do homem simples e cotidiano.

A sociabilidade do homem simples é um livro de não-ficção escrito pelo professor e sociólogo José de Souza Martins, publicado pela editora contexto no ano de 2008. Nesta obra, o autor de “Uma sociologia da vida cotidiana” e “a política do Brasil”, se desdobrará acerca dos aspectos sociais que formam o cotidiano do homem simples, para tal, o autor delineará através das teorias de Henri Lefebvre, ao qual, assegura que o processo de produção social contemporânea dá-se por intermédio das composições temporais encontradas no “desencontro”, a teoria social constituinte do homem simples contemporâneo e sua relação com a história. Este ritmo de desencontro acende um modo bastante subjuntivo da modernidade particular nas chamadas regiões periféricas. É dentro desta ótica que o professor José Martins constrói sua teoria social do homem simples dentro da realidade contemporânea através de uma série de entrevistas e ensaios que tratam de forma clara e objetiva a relação do homem com a história.  

Há algo de muito interessante neste livro, e eu não falo de sua escrita ou temática, falo de sua força e capacidade de nos fazer enxergar as relações sociais em suas diversas óticas de forma mais transparente, nos fornecendo um aparato histórico, filosófico e sociológico que nos ajuda a regressar ao passado para uma compreensão mais assertiva acerca das intempéries da desigualdade do desenvolvimento histórico capitalista e social. A sociabilidade do homem simples possui uma força magnética reflexiva, onde o autor nos convida à um possível reencontro do homem com o homem, em outras palavras, uma proposta de reflexão acerca da singularidade brasileira no mapa sociológico dentro do contexto histórico reflexivo. A relação que se estabelece dentro de seus ensaios e entrevistas dentro da temática do social volta-se para uma proposta metodológica clara acerca das condições construídas em seu enredo de elaborações interligadas de questão sobre questão. O homem simples, a história e a construção social são o “triângulo ápice” deste estudo, ao qual, claro, o autor nos convida a compreender, refletir, estudar e progredir em suas análises de uma terra latino-americana. A realidade latino americana é temporal, breve, passageira, pois esta é constituída de uma série de ritmos que emitem sua especificidade social, para tal análise, faz-se necessário uma compreensão de primeiro mundo acerca do que se vem a ser modernidade. De acordo com o autor, modernidade vem a ser “[...] realidade social e cultural produzida pela consciência da transitoriedade do novo e do atual” (MARTINS, 2008, p.19), em outras palavras, podemos definir a modernidade como o confronto do atual com o atemporal, ou melhor ainda, a travessia lenta entre o passado e o presente.  Partindo deste ponto, analisa-se a modernidade brasileira no encontro popular atual, contemporâneo com seus resquícios históricos.

Este livro é magnífico, não há palavras para descrevê-lo em sua totalidade. A pesquisa elaborada pelo professor José de Souza Martins, permite-nos buscar nossas próprias questões através de todo um aparato sociológico social e estrutural estabelecido em suas linhas. Esta análise social acerca do homem contemporâneo brasileiro, latino, em relação à história é um dos trabalhos mais proeminentes que já li dentro deste segmento. O autor traz à baila uma série de questões históricas que transitam entre os núcleos periféricos brasileiros e as diversas indagações que possuímos acerca da desigualdade capitalista e social através da figura do homem “simples”, que para todos os efeitos, é maioria absoluta.

Livro indicado para todo leitor e estudante da área de sociologia, história e filosofia. Também é indicado para leitores interessados em compreender um pouco mais acerca da desigualdade social contemporânea através das análises (ensaios/entrevistas) propostas pelo professor e autor.
  
O AUTOR

José de Souza Martins é um dos mais importantes cientistas sociais do Brasil. Professor titular aposentado de Sociologia e professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), foi eleito fellow de Trinity Hall e professor da cátedra Simón Bolívar da Universidade de Cambridge (1993-1994). É mestre, doutor e livre-docente em Sociologia pela USP. Foi professor visitante na Universidade da Flórida (1983) e na Universidade de Lisboa (2000). Foi membro da Junta de Curadores do Fundo Voluntário da ONU contra as Formas Contemporâneas de Escravidão (Genebra, 1996-2007). Professor Honoris Causa da Universidade Federal de Viçosa, doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba e doutor Honoris Causa da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Autor de diversos livros de destaque, ganhou o prêmio Jabuti de Ciências Humanas em 1993 – com a obra Subúrbio –, em 1994 – com A chegada do estranho – e em 2009 – com A aparição do demônio na fábrica. Recebeu o prêmio Érico Vannucci Mendes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 1993, pelo conjunto de sua obra, e o prêmio Florestan Fernandes da Sociedade Brasileira de Sociologia, em 2007. Pela Contexto, publicou os livros A sociabilidade do homem simples, Sociologia da fotografia e da imagem, Fronteira, O cativeiro da terra, A política do Brasil lúmpen e místico, A Sociologia como aventura, Uma Sociologia da vida cotidiana, Linchamentos, Do PT das Lutas Sociais ao PT do Poder e coautor do livro O Brasil no Contexto 1987-2017. 

[RESENHA #356] O Segundo sexo, de Simone de Beauvoir

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O Segundo Sexo é um livro escrito por Simone de Beauvoir, publicado originalmente em 1949 e uma das obras mais celebradas e importantes para o movimento feminista. O pensamento de Beauvoir analisa a situação da mulher na sociedade.¹ Para que posamos compreender a totalidade dos pensamentos de Simone de Beuavoir, faz-se necessário compreender a linha filosófica que à qual pertence, sendo, o existencialismo. No existencialismo, o indivíduo se caracteriza por sua essência, ou existência. Kierkgaard, sustentava a ideia de que o indivíduo é o único responsável pelo significado existente em sua vida, tendo de vivê-la de forma sincera e apaixonada, mesmo com todos problemas contemporâneos que nos acometem: ansiedade, alienação, tédio, dentre outros. O existencialismo tornou-se popular nos anos após as guerras mundiais, como maneira de reafirmar a importância da liberdade e individualidade humana. Esta essência, também chamada de Verdade, à qual, segundo Platão, deveríamos buscar, tornou-se mais difusa com o advento do Cristianismo, seguindo a ideia de que todas as coisas tiveram um criador, dando uma essência própria a todas as coisas,  Mas é claro que este ideal de essência torna-se cada vez mais complicado de se sustentar, uma vez que vivemos em um mundo de constantes descobertas, sejam elas políticas, econômicas ou sociais. O ideal de essência torna-se cada vez mais complicado de se ser alcançado, afinal, já não existe mais a ideia advinda do cristianismo de que toda essência criada pelo criador é imutável, afina, segundo Darwin, não existe uma essência para nada, pois todas as coisas estão em um constante devir (transformação). É a partir deste ponto que poderemos compreender o pensamento de Jean Paul Sartre: A existência precede a essência. Ou seja, segundo Sartre, as coisas estão, elas não são. Tudo o que há agora passa por uma transformação contínua e sua essência é passageira, cabendo a nós dar sentido à ela. 

Antes de adentrarmos esta obra, fiquemos com esta belíssima citação de Beuvoir, para que possamos finalmente compreender a grandiosidade e importância de sua contribuição filosófica:

“Eles [Rosa Luxemburgo, Marie Curie] demonstram com brilhantismo que não é a inferioridade das mulheres que determinou sua insignificância histórica: é sua insignificância histórica que as tornou inferiores.”


FATOS E MITOS

Reconhecer um ser humano na mulher não é empobrecer a experiência do homem: esta nada perderia de sua diversidade, de sua riqueza, de sua intensidade, se se assumisse em sua intersubjetividade; recusar os mitos não é destruir toda relação dramática entre os sexos, não é negar as significações que se revelam autenticamente ao homem através da realidade feminina; não é suprimir a poesia, o amor, a aventura, a felicidade, o sonho: é somente pedir que as condutas, os sentimentos, as paixões assentem na verdade”

Fatos e mitos é a primeira parte do manuscrito de Simone de Beauvoir. Aqui, a autora trabalhará arduamente em cima da desmistificação dos pressupostos que dizem respeito a vivência da mulher.  Aqui, Beauvoir trabalhará na explicação do porquê as “essências existentes” da mulher na sociedade não explicam como se dá a subordinação da mulher em relação aos homens.

A EXPERIÊNCIA VIVIDA

“Uma ética verdadeiramente socialista, ou seja, buscar a justiça sem suprimir a liberdade, que impõe ônus aos indivíduos, mas sem abolir a individualidade, ficará muito embaraçada com os problemas impostos pela condição das mulheres.”

Segunda parte do segundo sexo. Se na primeira parte, Beauvoir busca desmistificar a vivência da mulher no social, na segunda parte, ela coloca em prática como realmente essa existência e essência funcionam. Como que a mulher constrói a sua existência? Citando diversos exemplos de outras mulheres e suas construções e caracterizações, Beuvoir compreende de forma abrangente a real explicação do por que estas mulheres foram se construindo da forma como se construíram e não de outra forma. 

“Há um princípio bom que criou a ordem, a luz e o homem, e há um princípio mau que criou o caos, as trevas e a mulher.” (Aristóteles)

“Tudo o que os homens escreveram até hoje sobre as mulheres deve ser suspeito, pois eles sao, a um só tempo, juiz e parte.” (Fançois Poullain de La Barre)

A partir dos pensamentos acima, a autor inicia uma investigação através de uma série de outros pensamentos, buscando a compreensão por meio de questões. Aqui, Beuvoir critica a Biologia, o ponto de vista psicanalítico e o ponto de vista materialista. Ao questionar a biologia, a autora não nega que exista uma natureza feminina que se difere da natureza masculina, porém, ela também não acredita que essa diferença seja o suficiente para explicar os motivos pelos quais a mulher é sempre colocada em ponto de subordinação com relação ao homem.  Já o ponto de vista psicanalítico de Freud e Adler é confrontado, afinal, são pensamentos masculinos acerca da essência da mulher que dependeram de um contexto histórico para se solidificarem. Em outras palavras, se existe, de fato, um complexo de inferioridade feminino em relação aos homens, é porque a mulher está inserida dentro de um contexto social que valoriza muito mais a virilidade masculina, do que a virilidade feminina. Nesta parte, a autora também busca compreender o que dá à mulher o status de feminina levantando diversas questões. Afinal, o que dá a uma mulher o status de mulher? Seriam suas vestes, unhas pintadas ou uma essência pré-existente platônica da essência feminina? Ou esta essência estaria presa à um conceito biológico de que a feminilidade está ligada diretamente as questões biológicas? Será que basta pintar o cabelo, unhas e usar saia para ser mulher? E partindo de questões como estas que Beauvoir sintetiza toda a sua ideia em uma única frase, sendo ela: Não se nasce mulher, torna-se. 

Enfim, o livro é incrivelmente rico e merece ser lido, estudado e folheado dezenas de vezes, até que suas palavras tornem-se efetivas em nosso eu. Como estudante de Ciências Sociais, é interessante ler Beauvoir. A teoria da autora acerca da formação da figura feminina no campo social, a construção da identidade feminina, o lugar da mulher na sociedade segunda a concepção e visão histórica, a mulher como objeto e não somo sujeito, dentre outros diversos temas abordados pela autora, tornam a experiência de leitura extremamente densa e rica. É necessário uma capacidade intelectual que exceda as linhas desta obra. Em outras palavras, para que se compreenda de fato as ideias de Beauvoir, faz-se necessário ler as diversas contribuições citadas pela autora ao longo de sua narrativa. A compreensão das correntes filosóficas e das inúmeras contribuições de outras correntes para a compreensão da teoria e formação da mulher como ser no campo social é indispensável. Este é um livro que merece destaque na prateleira, não por ser um livro que estuda àquilo o que buscamos compreender, mas por ser um livro que excede as expectativas do leitor com relação as teorias estudadas e apontadas por Simone de Beauvoir. Uma leitura realmente intrigante.

Algumas citações presentes nesta obra:

“Mas, de qualquer maneira, criar, cuidar não são atividades, são funções naturais; nenhum projeto está envolvido; é por isso que a mulher não encontra aí a razão de uma afirmação arrogante de sua existência; ela passa seu destino biológico passivamente.”

 “A ideologia cristã não contribuiu muito para a opressão das mulheres.”

“A razão subjacente às mulheres história dedicada em trabalho doméstico e proibidos de tomar parte na construção do mundo é a sua subserviência à função geradora.”

“Mas, na verdade, as vozes femininas silenciam onde a ação concreta começa; eles foram capazes de provocar guerras, não sugerir as táticas de uma batalha; eles têm orientado a política apenas na medida em que a política é reduzida à intriga: os comandos reais do mundo nunca estiveram nas mãos das mulheres; eles não agiram nas técnicas ou na economia, não fizeram ou derrotaram estados, não descobriram mundos. É através deles que certos eventos foram desencadeados: mas eram pretextos muito mais que agentes.”

“O privilégio econômico mantido pelos homens, seu valor social, o prestígio do casamento, a utilidade do apoio masculino, todos comprometem as mulheres a desejarem agradar aos homens. Eles ainda estão em uma situação geral de vassalagem. Segue-se que a mulher conhece e escolhe a si mesma não como ela existe para si mesma, mas como o homem a define.”

“As costuras, os padrões são muitas vezes apliquées para cortar o corpo feminino tem transcendência: os chineses com os pés enfaixados mal consegue andar, garras envernizado de Hollywood estrela privar suas mãos, saltos altos, espartilhos, as cestas, as vertugadinas, as crinolinas tinham menos intenção de acentuar a composição do corpo feminino do que aumentar sua impotência.”

 “O homem conseguiu escravizar a mulher: mas a esse ponto ele a despojou do que a tornava desejável.”

“Ninguém é mais arrogante em relação às mulheres, agressivo ou desdenhoso, do que um homem preocupado com sua virilidade.”

__
¹Trecho da abertura da introdução retirado de Wikipédia.org

A AUTORA

Simone de Beauvoir foi uma autora e filósofa francesa. Ela escreveu romances, monografias sobre filosofia, questões políticas e sociais, ensaios, biografias e uma autobiografia. Ela é agora mais conhecida por seus romances metafísicos, incluindo Ela veio a ficar e os mandarins, e por seu tratado de 1949 sobre o segundo sexo , uma análise detalhada da opressão das mulheres e um trato fundamental do feminismo contemporâneo.

[RESENHA #355] O Príncipe, de Nicolau Maquiavel

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O Príncipe é um livro escrito pelo autor, historiador, filosofo e diplomata Nicolau Maquiavel em 1513, cuja primeira edição foi publicada postumamente, em 1532. O livro é considerado hoje um dos pilares fundacionais da ciência política moderna, pelo fato de descrever o Estado e o Governo como eles de fato são e não como deveriam ser, em outras palavras, o enredo descrito por Maquiavel descreve as práticas, não as teorias relacionadas ao governo, poder e hierarquia. Para que se torne efetiva a compreensão do livro, o príncipe, faz-se necessário compreender antes de mais nada o conceito de virtude, política, sociedade e as relações do autor com este meio. Maquiavel viveu durante o período da República Florentina durante o governo de Lourenço de Médici, o que o fez entrar para a política aos vinte e nove anos de idade no cargo de secretário. Neste cargo, Maquiavel teve contato com grandes nomes, ao qual, observou seus comportamentos e inseriu em sua obra.

O Príncipe é uma obra inspirada no estilo de governo de César Bórgia, um ambicioso comandante político conhecido por sua tomada de decisões consideradas “impiedosas”. Bórgia desde então, tornou-se modelo para os demais governantes da época. A obra é o retrato da preocupação de Maquiavel com o momento histórico ao qual a Itália estava passando, fragilizada pela ausência de unidade nacional, sendo alvo de invasões e problemas diplomáticos, incluindo a decadência moral no meio político fez com que Maquiavel dirigisse conselhos a um príncipe imaginário, com o objetivo de tonar a Itália forte novamente e na esperança de unifica-la novamente como uma potência moderna e poderosa. 

Para Maquiavel, um governante deveria fazer absolutamente tudo o que estivesse ao seu alcance para realizar o que se desejava, independente da forma de governo, monarquia ou república, não importa, tudo torna-se justificável, até mesmo a violência. Os fatores religiosos, morais e econômicos que regem a sociedade podem e devem ser utilizados por seu governante como um “escape” para tornar o estado mais forte através de suas decisões.

A partir deste ponto, poderemos analisar as divisões existentes na obra. O livro é dividido em vinte capítulos, cada qual com sua particularidade complementar do capítulo anterior. Poderemos notar já no primeiro capítulo os resquícios dos tempos em que Maquiavel atuou na política, sendo “de quantas espécies são os principados e como são adquiridos”, seguidos por: Os principados hereditários, os principados mistos, a razão pela qual o reino de Dario III, ocupado por Alexandre, não se rebelou contra seus sucessores após a morte deste, de que modo devem-se governar as cidades ou os principados que, antes da conquista, possuíam leis próprias, dentre outros diversos assuntos aos quais a obra se propõe a desbravar. 

A autonomia política descrita por Maquiavel é a dissociação dicotômica da virtude política em relação a virtude moral. Se na visão tradicional faz-se necessário a virtude para o exercício da arte de governar, para Maquiavel, tudo isso é diluído. Isso ocorre por que o homem está inserido em um meio onde ele está suscetível à erros e fracassos, onde tudo pode escapar de seu controle, porém, ainda que não possa controlar todas as situações, pode-se moldá-las.



“Há, porém, uma tão grande distância entre o modo como se vive e o modo como se deveria viver, que aquele que em detrimento do que se faz privilegia o que se deveria fazer mais aprende a cair em desgraça que a preservar a sua própria pessoa. Ora, um homem que de profissão queira fazer-se permanentemente bom não poderá evitar a sua ruína, cercado de tantos que bons não são. Assim, é necessário a um príncipe que deseja manter-se príncipe aprender a não usar a bondade, praticando-a ou não de acordo com as injunções.”

Há aqui uma nova definição de virtude. Agora virtude não está mais relacionada a arte de agir segundo os paradigmas da moral. Maquiavel se distancia drasticamente da tradição moralista, mas mantem-se próximo ao ideal de que torna-se necessário agir tendo em vista um bem.



“César Bórgia foi reputado cruel; entretanto a sua dita crueldade reconciliou internamente a Romanha, fê-la coesa, reconduzindo-a a um estado de paz e de fidelidade. Considerando tudo atentamente, veremos que ele foi muito mais piedoso que o povo florentino, o qual, para evitar a fama que advém da crueldade, permitiu a destruição de Pistoia. Um príncipe, portanto, para poder manter os seus súditos unidos e imbuídos de lealdade, não deve preocupar-se com esta infâmia, já que com algumas poucas ações exemplares, ele mostrar-se-á mais piedoso que aqueles que, por uma excessiva comiseração acabam deixando medrar a desordem da qual derivam as mores e os latrocínios.”

Agora a virtude do homem habita na capacidade que ele possui em transitar entre o homem, a moral e o animal. Em outras palavras, saber o momento correto entre reconhecer-se como governante [homem], tomada de decisões baseadas em seus conceitos preestabelecidos [moral], e momento certo de usar de sua força, astúcia e poder para agir [animal]. Para Maquiavel, há apenas dois modelos de governos, sendo a república, e o principado. Claro, que como denunciado anteriormente, o autor irá ater-se apenas à segunda alternativa. A ciência política promovida pelo autor consiste na separação de política e moral, esta ideia fica cada vez mais evidente, visto que os pressupostos de Maquiavel são todos voltados para a manutenção do Estado. 

Algumas citações desta obra:

“Todo mundo vê o que você parece ser, poucos experimentam o que você realmente é.” 

“Se um ferimento tiver que ser feito a um homem, deve ser tão severo que sua vingança não precise ser temida.” 

“O leão não pode se proteger das armadilhas e a raposa não pode se defender dos lobos. É preciso, portanto, ser uma raposa para reconhecer armadilhas e um leão para assustar os lobos.” 

"Não há outra maneira de se proteger contra a lisonja do que fazer os homens entenderem que dizer a verdade não vai ofendê-lo." 

“O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que ele tem ao seu redor.” 

“Nunca tente ganhar pela força o que pode ser ganho por engano.”.

“É muito mais seguro ser temido do que amado porquê ... o amor é preservado pelo vínculo de obrigação que, devido à baixeza dos homens, é quebrado em todas as oportunidades para sua vantagem; mas o medo te preserva com um pavor de castigo que nunca falha.”. 

“Porque existem três classes de intelectos: uma que compreende por si só; outro que aprecia o que os outros compreendem; e um terceiro que não compreende por si nem pela exibição de outros; o primeiro é o mais excelente, o segundo é bom, o terceiro é inútil. ”.

“Os homens em geral julgam mais pelo sentido da visão do que pelo sentido do tato, porque todos podem ver, mas poucos podem testar pelo sentimento. Todo mundo vê o que você parece ser, poucos sabem o que você realmente é; e esses poucos não ousam tomar uma posição contra a opinião geral.”. 

“Como vivemos é tão diferente de como devemos viver, que aquele que estuda o que deve ser feito, e não o que é feito, aprenderá o caminho para sua queda, em vez de sua preservação.”

O AUTOR

Nicolau Maquiavel foi um filósofo, músico, poeta e dramaturgo político italiano. Ele é uma figura do Renascimento italiano e uma figura central de seu componente político, mais conhecido por seus tratados sobre teoria política realista (O Príncipe), por um lado, e republicanismo (Discursos sobre Lívio), por outro.

“1984”, de George Orwell: 70 anos de publicação

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O clássico de George Orwell continua sendo uma obra incontornável, o livro a que recorremos sempre que a verdade é mutilada e a linguagem, distorcida; sempre que governos autoritários ocupam o poder e queremos saber quão ruins as coisas podem ficar.

Para celebrar a data, a partir de hoje, quem comprar o romance de Orwell na Amazon, Submarino, Saraiva online ou em uma de nossas lojas físicas parceiras (Livraria da Travessa, Livraria Cultura, Martins Fontes Paulista etc.) receberá o pôster cima, desenhado por Fido Nesti.

O artista paulistano está trabalhando na adaptação de 1984 para os quadrinhos — a graphic novel será lançada no início de 2020 pelo selo Quadrinhos na Cia.!

Normalmente lido como uma distopia, 1984 (que já vendeu dezenas de milhões de cópias em todo o mundo) é também uma sátira, uma profecia, um grito de alerta, uma extraordinária ficção científica, um thriller de espionagem, um terror psicológico, um romance pós-moderno e uma história de amor.

Se você não leu, aproveite para conhecer uma das obras mais influentes do século vinte! Promoção válida até o fim dos estoques.


Normalmente lido como uma distopia, 1984 (que já vendeu dezenas de milhões de cópias em todo o mundo) é também uma sátira, uma profecia, um grito de alerta, uma extraordinária ficção científica, um thriller de espionagem, um terror psicológico, um romance pós-moderno e uma história de amor.

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[RESENHA #354] O que falar quando conversar sozinho, de Shad Helmstetter

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Todo mundo fala consigo mesmo que seja apenas algumas veze na vida. Não, não é sempre uma coisa de louco. De fato, conversar sozinho pode ser usado de várias formas, podendo trazer muitos benefícios e até demonstrar genialidade.

Diferentemente do que muita gente pensa, o que você fala para si mesmo pode afetar, e muito, seu subconsciente. Na verdade, nosso cérebro é como uma máquina que vem com uma programação de fábrica, mas pode ser facilmente reprogramada, seja para o bem ou para o mal.

Portanto, para quem está sofrendo com pensamentos negativos, esse livro é obrigatório. 

Entenda o poder por trás da conversa solitária, seja apenas mentalmente ou proferindo palavras, e aprenda a lidar melhor com raiva, frustração e diversos outros sentimentos ruins que assola cada vez mais a humanidade.

OS PROGRAMAS E NÓS:

ü A qualidade de cada vida é determinada de acordo com a qualidade de suas respectivas programações
ü A maior parte das pessoas está executando programas velhos e ruins.
ü Imagine que você esteja tentando operar sua vida com um "sistema operacional" que foi desenvolvido há mais de duas décadas.
ü Para quem conhece um pouco da história dos computadores, sabe das limitações daquele tempo.
ü Vários fatores práticos e teóricos, principalmente o conhecimento, eram bem mais limitados que os de hoje.
ü Então, você precisa atualizar sua "programação" para os dias mais atuais.
ü Sua programação direciona suas crenças, que direciona suas atitudes, direcionando suas emoções e ações.
ü Das ações vêm os resultados. Contudo, para obter bons resultados, você precisa duma boa programação.
ü Como fazer isso? 

FALANDO SOZINHO:

Ø  Há cinco níveis:

1. Negatividade:
Você constantemente se bombardeia com pensamentos e falas negativas, como "não consigo", "sou burro", "minha vida é muito ruim", "não gosto de...", "hoje não foi meu dia", "nunca consigo fazer nada certo".~

2.  Ilusão:
Não há uma decisão, mas um reconhecimento. É ilusória porque reconhecer não é por em prática.
"Seria melhor parar de fumar", "Deveria não ter falado aquilo", "preciso duma dieta mais saudável".

3. Declarativo:
Decisão concreta. Normalmente, evoca mudanças.
"Não vou mentir mais", "Vou estudar hoje", "Vou falar com aquela garota".

4. Inspiração:
Realçar as coisas boas que possui e reafirma quem almeja ser.
"Eu sou bonito, saudável e inteligente e possuo uma linda namorada".
"Sou amando e querido".

5. Espiritualidade:
O livro pede para focar no nível quatro.
Envolve conexão com o universo e conhecimento superior de si próprio.
Por fim, você deve se livrar dos dois primeiros níveis e manter os (ou ir aos) níveis três e quatro.
Você deverá tentar chegar ao nível 5 apenas após estar bem acostumado com o nível quatro.



VOCÊ E VOCÊ MESMO:
Imagine que haja duas versões de você.
Ø  A primeira versão é você atualmente. A segunda versão é você no futuro após ter aplicado todo o conhecimento e aprendizado que absorveu.
Ø  Agora, imagine que essa versão do futuro veio te visitar.
Ø  Quem você acha que vai está mais feliz e realizado? 
Ø  Qual das duas versões possui um propósito mais sólido e uma vida com sentido?
Ø  Qual dela está mais saudável, rico e de bem consigo mesmo?
Ø  Então, busque ser quem você "já é" no futuro com a ajuda do poder de falar consigo positivamente.

DESAFIOS E MENTE SOB DOMÍNIO:
Ø  Dominar a mente é tido como um dos maiores desafios do ser humano. Porém, quando realizado, é também o maior presente que a pessoa pode se dar.
Ø  Então, todo o processo de maturação e de sermão (dado pela própria pessoa) será superiormente gratificante. 
Ø  Desafie-se a ser alguém melhor e poder afirmar que daqui a dez anos sua versão do futuro agradecerá suas decisões do passado.

O AUTOR


SHAD HELMSTETTER, pesquisador do comportamento humano e conferencista na área de motivação, é presidente do The Self-talk Institute, organização sem fins lucrativos que oferece programas Self-talk (que inclui mais de duas mil frases que a pessoa pode dizer para si mesma). É convidado especial de diversos programas de rádio e televisão por todo os Estados Unidos.
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