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[RESENHA #327] Noites em (azul) claro, de Júlia Loyola

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Loyola, Júlia. Noites em (azul) claro; Ilustrações por Santiago Régis. Cachoeira Paulista, SP: Passarinho, 2018. 120p.


[...] assim que ficou claro que tudo não passava de um sonho, ambos concluíram que a figura do outro era apenas imaginação, e que, em segredo, cultivavam um súbito sentimento que misturava curiosidade, conforto e confiança que os dominava quando se encontravam. Conviver nos sonhos não lhe parecia má ideia. (p.38)

Noites em (azul) claro é um romance escrito pela paulista Júlia Loyola, com ilustrações de Santiago Régis e apresentação de Silvana Salerno, autora do livro “viva a chuva”. O livro faz parte do catálogo da Editora Passarinho.

Um romance sobre descobertas. Noites em Azul claro é o livro de estreia da autora Júlia Laoyola, e devo acrescentar: fabuloso. Este é um livro sobre o amor, e como a escritora Silvana Salerno nos diz na abertura desta obra: “E, como o amor não tem sexo, este poderia ser um romance entre um menino e uma menina, entre duas meninas ou dois meninos”. Este livro também é uma desconstrução social em diversos sentidos e momentos de sua narrativa. A arte que da capa que descreve com delicadeza a escrita e a proposta da autora é algo palpável e inteligível, nota-se um cuidado demasiado com relação a relação construída entre enredo x capa. Na capa podemos notar um garoto (ou garota) tirando sua camiseta, e logo abaixo, nota-se que se segue uma porção de peças, como os de um quebra cabeça, estas peças representam o ciclo ao qual somos submetidos na vida ao vivê-la, afinal, estamos constantemente nos descobrindo, fazendo com que nossa construção seja contínua, então sempre faltarão peças que nos completem, pois na há fim na caminhada.


O protagonista deste livro se chama Lawrence (ou Lawreeeh), bolsista da escola de Cardiff. Ao encontrar problemas de sociabilização por consta de sua renda e aparência – do tipo nerd —, Law vê-se deslocado, e isso o acaba perturbando, afinal, quem é que gosta de ser alvo de chacota? Ninguém. A história começa a ficar realmente intrigante já nas primeiras páginas, quando Law veste-se para dormir e acaba acordando em um quarto de paredes na cor azul bebê, em um universo completamente paralelo. Neste universo Law desconhece tudo – tudo mesmo – tudo soava bastante estranho, até que Law conhece Neville, um garoto belíssimo de olhos verdes, com quem, aparentemente, tinha muito em comum. A partir dai, desenvolve-se uma história que nos deixa perplexos com relação a forma com a qual é contada. A autora consegue fazer uma transição muito rápida entre o universo real e o paralelo sem que o leitor sem dê conta, isso faz com que o leitor sinta-se introduzido nas páginas de uma maneira muito rápida. A narrativa desenvolvida por Júlia é palpável ao extremo, e tudo ganha ainda mais vida com as ilustrações acrescentadas por Santiago Régis, tudo “casando” perfeitamente bem.

Humberto Gessinger, disse certa vez: “Há sempre um trecho da viagem que se faz sozinho.”. E as viagens aqui retratadas foram todas trilhadas solitariamente, afinal, descobrir-se e descobrir aquilo o que nos traz paz, é sempre uma viagem solitária, não importa quantas pessoas estejam ao nosso redor, se envolve nosso íntimo, ninguém pode nos acompanhar. Devo dizer que este livro superou as minhas expectativas, aliás, ele foi além de tudo o que eu esperava, afinal, a autora possuí uma sutileza e uma capacidade descritiva que vai além do imaginário, que transcende nossas expectativas, ela simplesmente consegue extrair o melhor de sua capacidade prolífica com a escrita em uma narrativa infanto-juvenil. Não é comum encontrar uma obra de estreia tão bem escrita e tão bem elaborada quanto a escrita de Júlia Loyola, devo parabeniza-la por escrever tão lindamente, tão sutilmente e de forma tão sublime. Ah, Santiago Régis: que beleza produzistes neste livro.

Certamente um livro especial, com uma narrativa intrigante, instigante e inesquecível. Realmente a literatura infanto-juvenil está cada vez mais intensa.

[RESENHA #326] As ações do tempo, de Érico J. Santos

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As emoções e o tempo fazem-nos sentir, fazem-nos chorar, fazem-nos sorrir, fazem-nos entender a paciência da dor e fazem-nos entender a paciência do amor.
Tudo em nossas vidas acontece muito rápido, tudo no nosso dia a dia acontece em tempo real. Se não percebermos o tempo que já passou, se não tivermos o entendimento do tempo que já chegou, se não entendermos o tempo que ainda vai passar, não conseguiremos viver as emoções positivas e o tempo do agora. Sabemos que não é possível viver todo o tempo sentindo apenas as emoções positivas, sabemos que não é possível amar tudo o tempo todo.
Se não entendermos o tempo do futuro, o quão rápido o tempo passa, a velocidade em que ele anda, as emoções que ele nos faz sentir, as emoções que ele nos faz viver de verdade, o que esse tempo deixa em nossas vidas, marcaremos para sempre a nossa alma de emoções negativas, pois as emoções que nos importam, que nos enriquecem, que nos fazem sentir, que nos fazem entender, não importando onde estejamos, sempre nos transformando em seres humanos felizes, são as emoções positivas que construímos ao longo da vida.

“As ações do tempo” nos mostra a que viemos ao mundo: para crescer, agradecer, perdoar e amar.


    Capa comum: 168 páginas
   Editora: Talentos da Literatura Brasileira (16 de julho de 2018)
   Idioma: Português
   ISBN-10: 8542813758
   ISBN-13: 978-8542813753




RESENHA/CRÍTICA


Então, você tem vinte anos e ainda não possui habilitação? Como assim você está chegando aos trinta e ainda não é mãe? Quer dizer que você mora com seus pais? Poderiam ser perguntas retóricas, mas não são, as pessoas que as fazem geralmente esperam por uma resposta, e nem sempre estamos prontos pra dá-la. Sempre que as pessoas nos questionam com relação a quem somos e o que temos, de uma forma ou de outra, elas estão fazendo uma alusão ao tempo, afinal, as pessoas estão habituadas a acreditar que o tempo funciona do mesmo modo pra todos, quando não é. O amadurecimento não vem pra todos, nem os recursos ou oportunidades. É necessário entender que ninguém está mais incomodado com a situação do outro, do que ele próprio. Não questionar seria o primeiro grande passo pra entender o lado do outro. A vida é feita de ensinamentos diários.

Em “as ações do tempo”, o autor Érico J, Santos nos apresenta uma ótica exteriorizada do tempo, uma visão que procuramos não encontrar ou não entender, por que entender o tempo requer entender nossas fraquezas, sobretudo, o reconhecimento que não somos imortais. O livro é um convite à uma poderosa reflexão acerca do tempo que passa por nós como a brisa durante o dia – rápida e sem retornos, seguindo sempre um caminho em linha reta — e que é necessário avaliar-se enquanto ser humano, pensante, racional e emotivo o caminho que se deve seguir e os planos que se devem colocar em prática. Não, este não é um livro de autoajuda, ele é muito além disto.

Há neste livro uma passagem que resume tudo o que foi dito até agora: A pressão existente entre sua idade, conquistas e realizações, o medo, o remorso, a dor e o receio de perceber as nuances do tempo passando, e claro, a ausência de tato que temos as vezes com nossos planejamentos, sendo este:

Tempo que passa rápido, tempo que não volta mais, tempo que nos chama sempre a nos mantermos em equilíbrio e paz. Normalmente, as nossas emoções, somadas às ações do tempo, vão criando reações opostas para nossas vidas, mas insistimos em realiza-las, insistimos em desafiar as ações do tempo, e isso acaba nos tirando a paz. — p.97

O psicoterapeuta Laerte Leite nos adverte com sua opinião sensível acerca da escrita de Érico: “Érico assume o ato corajoso de falar sobre algo que parece ter esgotado suas formas de expressão. Consegue retratar com simplicidade e originalidade seus momentos de encontro com este sentimento que chamamos de amor”. Este comentário complementa-se com a chamada para esta obra: As emoções e o tempo fazem-nos sentir, fazem-nos chorar, fazem-nos sorrir, fazem-nos entender a paciência da dor e fazem-nos entender a paciência do amor. De fato, tudo leva tempo, mas como já advertia Miriam Lewer: Que não se tenha pressa, mas que não se perca tempo. O tempo é vale ouro para os que tem vontade de viver.

E agora? A capa. Nela podemos observar que o autor optou por trabalhar em cima da simbologia do infinito, isso pode ser considerado uma forma de alusão ao conteúdo da obra, já que o livro é um convite ao leitor pra compreensão do tempo que é infinito em si, mas não em nós, ou, podemos simplesmente inferir  que nós temos em nós a vaga (e vã) consciência de que temos tempo de sobra, de que talvez o tempo seja realmente infinito para alguns. Mas creio eu, que o tempo só se é infinito pra quem o compreende a ponto de conseguir eternizar cada momento, não apenas passando por eles, mas vivendo-os da maneira correta.

Estes dias eu me reencontrei com um amigo. Era ávida a lembrança de que nós havíamos “morrido” de rir em nosso último encontro, decidimos ficar conversando por umas duas horas e meia até nos darmos conta de que a última vez na qual havíamos nos falado foi no ano de 2012. Estamos em 2019. Então, Érico reflete mais uma vez sobre estas questões:

Em uma noite de inverno, já cansado pelas marcas do tempo, ouvindo o barulho da chuva, pegamo-nos a pensar no tempo que vivemos e como ele passou rápido por nossas vidas. —p.97

novamente...

O futuro chega tão rápido que, em alguns momentos, acreditamos que o dia de hoje ainda é terça feira, mas, na verdade, já é sexta feira [...] — p.73

Enfim, o que podemos concluir? Concluímos a partir desta leitura, que o tempo tem pressa de ser vivido. Que o dia inicia-se às sete, não às dez. Que o almoço é das onze pra uns, meio dia pra outros e as vezes, até as uma hora da tarde, mas nunca a noite. Entendemos que devemos ter em nós uma noção de tempo, de vida, de sonhos. Devemos caminhar conforme o nosso passo suporta, mas também devemos ser realistas em nossos objetivos. Acredite, o tempo passa e nossa missão é não permitir que ele passe por nós e leve consigo a nossa vida sem a termos vivida da forma como gostaríamos. Viva sem arrependimentos e aprenda com seus erros e com o seu hoje. O tempo presente é o tempo nos apresentando uma nova oportunidade de lutar pelo nosso dia. Um belo livro, pra grandes pessoas.

CRÍTICA: Entre irmãos (2009)

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Imagem: Reprodução
FICHA

DATA DE LANÇAMENTO: 5 de março de 2010 
DIREÇÃO: Jim Sheridan
ROTEIRO: David Benioff
INDICAÇÕES: Prêmio Globo de Ouro: Melhor Ator em Filme Dramático
DISTRIBUIDORES: Relativity Media, Lions Gate Entertainment, Columbia Pictures 

Sam Cahill é um fuzileiro naval casado com Grace e com ela tem duas filhas: Isabelle e Maggie. Tommy é seu irmão caçula, um andarilho que deixou recentemente a prisão. Logo em seguida, Sam é enviado para o Afeganistão. Quando ele é abatido e dado como morto, Tommy promete cuidar da esposa de Sam, Grace, e de suas sobrinhas. Tommy e Grace se aproximam, e quando Sam retorna para casa inesperadamente, as consequências das ações de todos ameaçam a base de toda a família.

SOBRE O ENREDO
Imagem: Reprodução
Um filme pra se refletir acerca da vida e das pessoas que delas fazem parte. Quando Sam é recrutado pelo Exército dos Estados Unidos para uma missão no Afeganistão, ele escreve uma carta para sua mulher, Grace, encarregando um amigo próximo de entrega-la, caso houvesse imprevistos que tornassem sua volta para casa utópica. Tommy, é irmão de Sam, porém, por viver sempre se aventurando, não possui os mesmos atributos aos quais seu pai considera primordial em um homem: coragem, serviço ao país e trabalho. Durante a execução da missão, o helicóptero onde Sam encontrava-se é abatido por rebeldes do Afeganistão, que decidem capturar os sobreviventes e matar um por um, exceto Tommy e um amigo próximo a ele, a esta altura sua mulher e família já foram notificadas do acidente aéreo, fazendo com que todos pensem que Sam esteja morto. Uma cerimônia é organizada pelo exército para que cada família possa se despedir de seus familiares através de uma  homenagem póstuma. A história começa a desenrolar-se quando Grace e Tommy começam a ficar próximos devido ao luto, as crianças apaixonam-se pelo tio que as cativa diariamente, e claro, cativa, de certa forma, Grace, que se vê enlutada, mas com o conforto da presença de um  familiar tão próximo.

TRAILER


Imagem: Reprodução
CRÍTICA: O exército decide enviar uma equipe de busca para localizar os corpos de seus soldados, porém, Sam é encontrado com vida e sua família notificada. Sam está em choque e traumatizado, para que pudesse viver e voltar pra sua família, Sam teve de fazer algo horrível e isso o corrói por dentro. O desespero de passar por uma situação de quase morte nas linhas inimigas, o choque ao retornar pra casa e perceber a proximidade de seu irmão e sua mulher o abalam constantemente, fazendo-o enlouquecer de fúria e pensar em tomar medidas desesperadoras.

Se formos analisar o Diretor desta obra nós não iremos sequer ficar surpresos: Jim Sheridan. Aparentemente Sheridan adora dirigir filmes dramáticos, como “em nome do pai” (1993); “Meu pé esquerdo” (1989); “A escritura secreta” (2016), e agora, entre irmãos (2009). O enredo é um drama psicológico muito bem elaborado, há diversas óticas pelas quais podemos trabalhar a história tirar dela um proveito, ou seja, pelo sim ou pelo não, diga-se que por todo e qualquer caminho este enredo é – e há de ser – proveitoso. A família é a base da confiança e do apoio, porém, a confiança se quebra quando algo se coloca a frente de nossos interesses. Sam vê-se em um caminho sem saída pra rever seus familiares, e decide toma-lo por certo. Esta decisão o abala de forma significativa, afinal, ele carrega um peso em sua consciência e está retornando para casa, onde ele espera que seus esforços (ainda que você tenha uma opinião negativa sobre eles) valeram a pena. Perceber de alguma maneira que sua mulher está agindo de forma diferente, que suas filhas não o tratam como antes e que seu irmão pode – e como pode – ter dormido com sua mulher, não é nada animador, muito pelo contrário, entende-se todo constrangimento e tristeza onde Sam se encontra naquele momento de desamparo. Porém, Sam estava de luto, entristecido, depressivo e com traumas que deveriam ser tratados, isso o faz pensar que tudo ao seu redor está diferente, quando tudo o que realmente mudou foi sua perspectiva de vida devido à culpa que carrega em si.  O filme é fantástico e acredito que todos devam vê-lo pra tirar suas próprias conclusões acerca da vida desta família e das decisões que tomam em momentos de crise.

[RESENHA #325] Introdução à Morfologia, de Maria Carlota Rosa

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ROSA, Maria Carlota. Introdução à Morfologia. São Paulo: Contexto, 7ed, 2019. 208 p.

Neste livro, a professora Maria Carlota Rosa traz aos leitores uma obra introdutória aos estudos de Morfologia. Todo o trabalho reflete a atuação da autora em sala de aula, partindo de questões levantadas pelos próprios alunos e que envolvem desde o número de classes gramaticais até a nomenclatura empregada. Trata-se de um manual didático, que encerra os conhecimentos básicos exigidos pelos programas dessa disciplina, no qual aspectos teóricos da área são abordados de modo claro e acessível, de forma precisa e sem concessões. Embora o pano de fundo seja a visão lexicalista da morfologia gerativa, termos e conceitos são apresentados de maneira que possam ser compreendidos por estudantes que, nos anos iniciais do curso de Letras, estejam entrando em contato com diferentes orientações teóricas. A autora discorre sobre a criação do termo morfologia, demonstrando por que os estudiosos sentiram necessidade de criar uma nova denominação para um campo de estudo da gramática, fazendo ainda uma ponte com trabalhos relevantes do passado. A professora passa também pela análise das noções de morfema e de palavra para os estudos da Morfologia e, em “As subdivisões da morfologia”, examina os processos de flexão, derivação e composição de palavras. Tudo isso sempre trazendo e/ou discutindo a herança de teóricos de grande relevância para a área. Os leitores terão acesso, ainda, a um glossário com definições de termos-chaves. Obra voltada principalmente para graduandos e professores de Letras.

RESENHA

Introdução à morfologia é uma obra proemial ao campo da morfologia, direcionada a alunos graduandos e professores universitários que buscam de forma clara e objetiva traçar uma metodologia de maior precisão com relação ao ensino de morfologia em sala de aula. Assim, como toda obra visa explicar seu material de estudo de forma objetiva e o mais amplamente possível, aqui a autora trabalha quatro divisões, cada divisão responsável pela catalogação e apresentação de seus subtemas, sendo estas divisões: 1. Um lugar para a morfologia; 2. O morfema; 3. A palavra; 4. As subdivisões da morfologia.  O maior atrativo presente nesta obra é a riqueza de detalhes e descrições elaborados pela autora no decorrer de cada afirmação elaborada, usando uma série de teóricos e uma contextualização adequada que permite ao leitor encontrar-se de frente para um tema complexo, mas acessível, tornando a compreensão tão acessível quanto à leitura. Uma das maiores e mais complicadas tarefas dentro do campo da morfologia na atualidade é a introdução aos elementos morfológicos para compreensão dos níveis de análise. As perspectivas existentes dentro do estudo da morfologia nos ajudam a compreender as abordagens que são melhores pra um melhor entendimento, podendo ser pela utilização da palavra ou do morfema, mas para isso, se faz necessário uma compreensão ampla acerca do tema, uma explanação que ajude o indivíduo a compreender a morfologia em sua totalidade, não apenas em sua descrição breve de estudo da forma.

Encontrar um livro como este é um presente e uma dádiva. Como aluno do curso de letras, devo dizer que são poucas (e escassas) as obras que se voltam para uma preocupação realmente palpável como as de Maria Carlota Rosa, a autora definitivamente conseguiu sanar um emaranhado de questões e dúvidas com seu livro. Esta edição possui uma profundidade que não se mede e que não é capaz de medir. Capítulos que se completam, descrição explanada e uma série de indicações teóricas que complementam todo e qualquer comentário elaborado e apontado pela autora. O desenvolvimento do tema junto a clareza e o rigor terminológico adotado pela autora tornam este livro indicado para qualquer leitor que detenha em si o interesse pelo referido campo.



A AUTORA

Maria Carlota Rosa é doutora em Letras (Linguística) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professora titular do Departamento de Linguística e Filologia, lecionando Linguística para o bacharelado e a licenciatura em Letras, na mesma instituição. Atua também no Programa de Pós-Graduação em Linguística (mestrado e doutorado) da UFRJ, em que faz parte do corpo docente permanente. É autora de numerosos artigos e resenhas em periódicos nacionais e internacionais e de livros, como Introdução à (Bio) Linguística, pela Contexto, além de ter participado da organização de diversas obras.

[RESENHA #324] As religiões que o mundo esqueceu, Org. Pedro Paulo Funari

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FUNARI, P.P.A. (Org). As religiões que o mundo esqueceu. Como egípcios, gregos, celtas, astecas e outros povos cultuavam seus deuses. São Paulo: Contexto, 2009, 216 p., ISBN 978-857244-4316.

Junto à capacidade de produzir e transmitir cultura, a experiência religiosa é a marca mais distintiva da humanidade. E isso desde os primórdios. Registros de dezenas de milhares de anos já retratavam a fé em deuses e cultos. Esta obra dedica-se a algumas das mais interessantes e marcantes religiões que deixaram de existir ou quase desapareceram. São pequenas pérolas, escritas por especialistas, que convidam o leitor a viagens mais profundas pelos domínios de deuses tão diversos como An, Ra, Zeus, Thor e Huitzilopochtli. Cada capítulo apresenta um panorama da época em que a religião era praticada e o seu papel na sociedade. Isso, claro, recheado com os principais ritos e crenças, sempre em linguagem clara e direta. Aceito o convite, o leitor encontrará parte da sua própria história, mas também se deparará com facetas desconhecidas de seus próprios sentimentos e emoções.

RESENHA

Tudo o que se pode dizer sobre este livro, aplica-se também ao organizador e seus contribuintes: fantástico. As religiões que o mundo esqueceu, organizada pelo professor Pedro Paulo Abreu Funari apresenta-nos um rico estudo de contribuições das diversas formas religiosas da antiguidade. O livro possui uma ideia e aspecto claro com relação ao seu propósito: apresentar ao leitor algumas informações acerca das religiões que regeram a antiguidade. A visão desta obra permiti-nos compreender enquanto leitores e participantes ativos no campo social, a importância da religião no seio da humanidade. O aspecto mais interessante desta obra – após a explanação do conteúdo, claro – talvez seja a forma com a qual a escrita flui entre um texto é outro, nota-se uma preocupação visível com a compreensão textual dos indivíduos, facilitando assim, uma compreensão por parte de um leitor leigo com relação à história.  Também é possível observar um cuidado extremo com relação a delimitação das estruturas desta obra, principalmente no tocante aos parâmetros adotados para uma explicação mais sucinta em relação ao tempo, espaço, sociedade e cultura na qual a religião "x" foi praticada, sendo enriquecidas com comentários valiosos acerca da cultura de cada povo e de suas práticas. Todos estes recursos nos permitem analisar as informações cedidas, estudá-las, confrontá-las e refleti-las, afinal, a história nos é contada sob as diferentes óticas dos autores que possuem uma metodologia de estudo, e como leitores, temos – e podemos – confrontar toda e qualquer ideia através de estudos mais aprofundados, que irão sem sombra de dúvidas, ajudar em uma maior compreensão acerca da escrita.

Quando pensamos em religião, logo nos vem à cabeça a definição básica da crença na existência de uma entidade ou ser superior, mas crer em uma entidade que tudo vê, pode e controla é encontrar-se com conflitos, e estes conflitos nos fazem compreender um pouco mais de como a sociedade de determinado tempo encara a real essência de suas crenças.

Sempre muito bem dividido, o livro possui uma clareza de ideias que impressiona. Rico em imagens e descrições, o livro também apresenta-nos uma visão básica acerca de cada tema, contando com figuras e imagens que nos ajudam a compreender de forma mais “palpável” a escrita de cada autor.

As diferentes perspectivas de mundo e sociedade que mudaram de forma significativa o rumo das religiões. Um livro que me causa estranhamento, e ao mesmo tempo, uma série de questões e levantamentos acerca da compreensão daquilo o que temos hoje por religião. Um livro ótimo pra enxergarmos as religiões não apenas como uma forma de cultura, mas também de separatismo.

Indico este livro pra todo leitor ávido pelo conhecimento, sobretudo, pelo amor e paixão pela história.

PEDRO PAULO FUNARI (Org.)
Graduado em História pela Universidade de São Paulo em 1981, mestre em Antropologia Social (USP, 1985) e doutor em Arqueologia (USP, 1990). Livre-Docente em História pela Universidade de Campinas (Unicamp), foi professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Assis) (1986-1992), sendo hoje professor titular da Unicamp, pesquisador associado da Illinois State University (Estados Unidos) e Universitat de Barcelona (Espanha), e professor, também, do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia da Universidade de São Paulo. Atua como pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam/Unicamp) e no programa de doutorado em Ambiente e Sociedade. Autor dos livros "A Temática Indígena na Escola" (com Ana Piñón), "Pré-história do Brasil" (com Francisco Silva Noelli), "Grécia e Roma" e "Arqueologia", coautor de "Fontes Históricas", "História da Cidadania", "História das Guerras", "História na Sala de Aula", "As Religiões que o Mundo Esqueceu" e "Turismo e Patrimônio Cultural" - todos publicados pela Contexto.

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