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[RESENHA #290] Tirza, de Arnon Grunberg

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

/ by Vitor Lima
Foto: FARU 

Jörgen Hofmeester tinha uma vida perfeita: uma esposa atraente, uma casa com jardim em um bairro nobre de Amsterdã, uma carreira prestigiosa como editor de livros de ficção estrangeira, duas filhas lindas, Ibi e “Tirza”, e uma conta-corrente na Suíça. Uma vida burguesa, sossegada, que acaba sendo subvertida por uma série de eventos dramáticos: Ibi, pouco mais que uma menina, é flagrada em situação constrangedora com o inquilino de Jörgen e, depois desse episódio, resolve ir embora para sempre da casa do pai; a esposa de Hofmeester abandona a família em busca de “autorrealização”; a editora, em decisão unilateral, o aposenta antecipadamente; “Tirza”, a caçula e filha predileta, objeto da obsessão paterna, quando conclui os estudos, parte para uma longa viagem pela África com o namorado marroquino, que guarda inquietante semelhança com Mohammed Atta. A narrativa começa com Hofmeester preparando meticulosamente sushis para a festa de formatura e despedida de “Tirza”. Por trás do aparente autocontrole de Hofmeester e de seu desprezo por qualquer emoção, há uma violência reprimida, uma tensão constante, uma ameaça invisível, elementos que dominarão a trajetória do protagonista até o imprevisto e desconcertante final. “Tirza” é, ao mesmo tempo, um romance assustador e fascinante, divertido e sinistro, a história de um homem em desesperada, embora inútil, busca por salvação.



ISBN-13: 9788567861074
ISBN-10: 8567861071
Ano: 2015 / Páginas: 464
Idioma: português
Editora: Rádio Londres

A liberdade pode ser ouvida, de preferência não durante todo o dia; quando a liberdade é apenas um sucesso durante as férias de verão, a vida já é pesada o suficiente. Jörgen Hofmeester é pai de duas filhas e trabalha para uma empresa respeitável. Graças a uma política financeira sofisticada, ele vive de pé: a falta de responsabilidade financeira leva a desastres. A estagnação é para Hofmeester a condição de amor e felicidade. Ele ama suas filhas. Que sua esposa o trocou por um amor de infância em uma casa flutuante e que parte de seus bens desapareceu por negligência de grupos notáveis ​​que dominam a economia mundial, isso não o incomoda. Contanto que ele possa amar seus filhos. Mas uma noite sua esposa está de volta na porta. E então um homem faz sua aparição na vida de Jörgen Hofmeester.

Esta é uma história quente, bastante quente. A escrita de Grunberg é realmente algo interessante de se ler e analisar, a obra flui perfeitamente do início ao fim. A narrativa é densa e tensa ao mesmo tempo, cativa em seus pequenos detalhes e faz-nos de reféns durante suas descrições quase que palpáveis de seus acontecimentos. A literatura holandesa tem me surpreendido num grau no qual eu não esperava que fosse, afinal, estou acostumado apenas com a literatura estrangeira americana, e devo dizer, este livro é épico. 

Muito reconhecível, aquela sensação de montanha-russa. Eu também fui completamente varrido pela história e não pude deixar o livro de lado. Apesar do mau pressentimento que recebi do protagonista e da esposa dele. E mesmo esse sentimento ruim que você guarda dos livros de Grunberg descreve isso muito apropriadamente. Para mim, a razão para hesitar por muito tempo, foi a escrita de um outro livro que li do autor intitulado "o homem sem doença", o que me deixou com um pé atrás, ainda que a narrativa seja completamente envolvente e cativante. Este autor é "expert" na criação do efeito montanha russa, que é quando algo está completamente parado, e do nada, definitivamente do nada, os mais imprevisíveis acontecimentos tomam conta da narrativa. Honestamente eu jurei de pés juntos que o findar da história seria completamente previsível, mas não foi. Não consigo engolir a ideia de que a história tomou rumos e proporções inimagináveis, não é atoa que este é um livro premiado e repleto de boas avaliações em quase todos os websites onde está disponível. Tirza foi um dos melhores livros que li este ano. O estilo do escritor holandês está em algum lugar entre Dostoiévski e Coetzee. Cenas perturbadoras e diálogos estranhos entre os personagens. Porque Arnon Grunberg escreve de uma maneira estranha. Enquanto o protagonista Hofmeester está questionando sua vida através do retorno de sua própria vida.

Um thriller psicossocial tenso e tenso que me perturbou quando aumentou meu ritmo cardíaco, como poucos trabalhos desse nível ou ficção literária fizeram antes. É tão bom ler uma prosa tão boa e bem escrita, tão envolvente e envolvente, e Grunberg cria um anti-herói atemporal com o Hofmeester. Tradução impressionante também. O que mais pode-se acrescentar a um livro e uma narrativa que falam por si só?



Arnon Yasha Yves Grunberg é um escritor holandês de romances, ensaios e colunas, bem como um jornalista. Ele escreveu alguns de seus trabalhos sob o heterônimo 'Marek van der Jagt'. Atualmente vive em Nova Iorque.

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