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[RESENHA #292] O homem sem doença, de Arnon Grunberg

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

/ by Vitor Lima
Foto: Camila Borelli / Â M E L I T E R A T A

O homem sem doença conta a história de Samarendra Ambani, um jovem e idealista arquiteto zuriquense de origem indiana que, ao participar de um concurso para a construção de um teatro de ópera em Bagdá, é selecionado e convidado para ir ao Iraque. A viagem, iniciada em clima de ingênuo otimismo, rapidamente se transforma em uma experiência kafkiana: durante sua estada na cidade, ele é preso, absurdamente acusado de ser espião e torturado. Ao voltar para Zurique, Samarendra tenta retomar a normalidade, mas, ainda traumatizado, não consegue e, pouco tempo depois, resolve viajar para Dubai, a fim de acompanhar o projeto de construção de uma grandiosa biblioteca. No emirado, a história inexoravelmente se repete, até culminar num grotesco e cruel epílogo. "O HOMEM SEM DOENÇA" é um impiedoso ato de acusação contra o idealismo e a hipocrisia do Ocidente. O livro logra, ao mesmo tempo, divertir e chocar o leitor. Em outras palavras, é um típico romance de Arnon Grunberg.





ISBN-13: 9788567861173

ISBN-10: 8567861179
Ano: 2016 / Páginas: 240
Idioma: português 
Editora: Rádio Londres



Com 'O homem sem doença', Arnon Grunberg me conquistou pela enésima vez. O humor macabro, o desespero da situação do protagonista, a humilhação completa de um homem por outro homem, a disposição de seu próprio ambiente. O livro tem todos os elementos citados acima, que torna esta narrativa típica de Grunberg e que o mantém fascinante como escritor. 
Bem, é difícil argumentar porque este livro é bom. Eu li de uma só vez. "O homem sem doença" é uma história que, na minha opinião, trabalha muito para o fim - para concretização do desenvolvimento do enredo -, em que reside o poder do livro. Por outro lado, a história é também o ponto fraco da narrativa em si. Na verdade, a mesma coisa acontece duas vezes: o protagonista viaja para um destino exótico, há alguns dias agradáveis ​​que levam à prisão e isso nos dá aquela ideia de delay, por este motivo é quase que necessário ser um leitor completamente atendo ao desenvolvimento da história. Esta narrativa que cativa desde a primeira página me lembra a primeira obra de Grunberg com a qual tive contato, Tirza, que possui um enredo extremamente exótico, bem trabalhado e pensado. Acho que o homem sem doença é um bom livro, mas não o suficiente para se equiparar a outros trabalhos do autor. 

O que mais me impressiona na narrativa é a capacidade do autor de conseguir trabalhar em cima de um enredo que tem tudo para dar errado, inclusive, acredito eu, que leitores menos atentos podem se perder facilmente na descrição dos acontecimentos. Sam é o tipo de protagonista que caminha sempre para o trágico, para o penhasco, desfiladeiro, abismo, para o fim. Você pode ama-lo ou odiá-lo, até mesmo por que ele é muito ingênuo, e sua primeira experiência em uma prisão, Bagdá, parece não amadurece-lo o suficiente para prosseguir sua vida e dar mais clímax e ênfase dos acontecimentos que se sucedem.

Em suma, esta história narra a vida de Sam, um arquiteto suíço de ascendência indiana. Para uma competição, ele viaja para Bagdá e logo se mete em encrencas. Ele é acusado de terrorismo. Depois que ele foi capturado e torturado, ele é liberado. Ele volta para casa, onde encontra sua sua mãe e sua irmã gravemente doente. Seu sonho é ganhar dinheiro suficiente para que sua irmã seja tratada na América. Ele mesmo é saudável, o homem sem doença.

Arnon GrunbergArnon Yasha Yves Grunberg é um escritor holandês de romances, ensaios e colunas, bem como um jornalista. Ele escreveu alguns de seus trabalhos sob o heterônimo 'Marek van der Jagt'. Atualmente vive em Nova Iorque.

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