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[RESENHA #307] Carta aberta aos meus ex-amores, de José Luís Villa

domingo, março 03, 2019

/ by Vitor Lima


VILLA, José Luís. Carta aberta aos meus ex-amores. Guaratinguetá, SP: Editora Penalux, 2018. 90p / R$

José Luís de Villa, nasceu em Prata-MG (1993) reside em Uberlândia-MG há oito anos. Formado em Publicidade e Propaganda, dedica-se as crônicas desde os 15 anos. Aos 19 criou o blog texto azul, onde publica seus textos desde então. Colabora com suas crônicas para o blog felicidade genuína da Graef Soluções Corporativas desde dezembro de 2017. Carta aberta aos meus ex-amores é o despontar do autor no gênero que lhe acolheu: as crônicas.

Há muito que se aprender na ausência do outro. Às vezes encontrar alguém faz com que nos percamos de nós mesmos. O caminho para o retorno não é fácil, as curvas são enganosas e o coração não colabora. A saudade bate a porte, as lembranças vem a mente e nada mais parece fazer sentido. Buscar um sentido enquanto ama-se alguém, nos parece tão mais fácil, somente pelo fato de termos ao nosso lado alguém que nos abrace e nos diga que tudo ficará bem. Mas, o que restará se não encontrarmos mais o alento que tanto buscamos quando não houver ninguém para nos acalmar? Amar alguém é, acima de tudo, um convite ao amor que deve transbordar de nós mesmos. A ausência de nós mesmos nos cega. Nossos olhos passam a não mais ver o que temos, apenas no que tínhamos. Carta aberta aos meus ex-amores, é um convite a uma redescoberta de quem somos. Aqui, o autor nos convida a refletir acerca das perdas e das contribuições que os amores nos deixam. Perder-se é comum quando se ama demais o outro, mas amar-se é um exercício diário e nos ajuda a enfrentar a solidão que fica junto com os pedaços que restaram daquilo o que uma hora foi inteiro.

Este livro apresenta uma série de contos e crônicas que ligam entre si. Aqui, iremos perceber as nuances de um protagonista que perdeu-se de si após iludir-se com um amor. Sua luta é diária, seu peso é mortal, suas feridas parece não mais cicatrizar. Seus medos ainda são palpáveis e sua rotina se equipara à de um luto. Sim, luto. Afinal, morremos quando uma parte de nós nos é tirada. Morremos quando não mais dispomos de recursos que antes nos fortaleciam e nos ajudavam a caminhar. Mas também morremos quando nos tornamos dependentes do outro, quando nos enjaulamos em uma cápsula de amores, onde o sol nasce quadrado em uma cela onde tudo é romantizado.

“Optou por um caminho que sempre temeu: insegurança. Optou por carregar a cruz com o peso que ainda desconhece da vida: responsabilidade. Optou pelo caminho que restou: o fácil. Acreditou nos encontros que a vida um dia mostrou e seguiu solitário nos caminhos que Deus reserva. (Vazio, p.15)”.

Permito-me viver o momento, que antes pelo cárcere do amor, não conseguia [...] O cárcere do amor não é algo imposto, escolhemos por livre arbítrio entrar em sua cela e nele permanecer, vendo de nossa maneira poética o sol nascer quadrado (...) limitando os acontecimentos da vida. (p.17).

Não se mede a dor destas páginas em palavras, não há o que ser dito, apenas sentido. Perder um alguém é doloroso, mas encontrar-se, ao contrário do que muitos pensam, é ainda mais doloroso. É uma árdua tarefa conhecer-se e reconhecer-se após uma relação duradoura. Voltar às raízes e ignorar fatos, momentos e lembranças que caminham lado a lado conosco é algo impensável, afinal, pensa-se no amanhã apenas idealizando o outro conosco, nunca um amanhã solitário, repleto de incertezas e dores, nunca um amanhã de reconstrução sentimental, nunca um amanhã pela metade, sempre por inteiro. Este livro me foi apresentado em uma hora propícia em minha vida, de reflexão amorosa. Graças aos céus, a piedade divina do amor verdadeiro, pairou sobre a minha rota de vida, mas as incertezas com relação ao cotidiano, permanecem em nós, pois crescer é um exercício diário ao qual somos submetidos conforme vivemos.

 José Luís Villa nos apresenta uma série de manuscritos que descrevem a vida de um alguém que sofreu ao perder-se, de alguém que não encontrou caminhos fáceis para retornar às raízes, de alguém que não via-se pela metade ou só, de alguém que teve que adaptar sua vida ao acaso.

Hoje volto no ser humano que eu era há quatro anos e não o vejo mais (p.39).

Sentimento é trem em colisão (p.51). Temos que estar sempre preparados para aceitar os impedimentos impostos pela vida, aceitar tudo aquilo o que vem e não é planejado. Aceitar os caminhos inteiros e os caminhos tortuosos. A dor é certeira, mas o aprendizado é escolha. Escolher amar-se para transbordar e assim, poder oferecer a quem está realmente apto e pronto para recebe-lo é algo essencial.

Uma poética de vislumbre. A única maneira de comentar esta obra é após as lágrimas, pois nos faltam palavras para encarar que todos nós estamos submetidos a um dia enfrentar uma situação parecida, igual ou pior que esta.

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