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[RESENHA #309] A cama em que morreu Tiradentes, de Alexandre Azevedo

segunda-feira, março 04, 2019

/ by Vitor Lima
Foto: Penalux / Divulgação

AZEVEDO, Alexandre. A cama em que morreu Tiradentes. Guaratinguetá, SP: Editora Penalux, 2018.

SINOPSE: Em seu leito de morte, um avô chama seu neto, ambos descendentes de Tiradentes, para contar a verdadeira história de um dos maiores heróis do povo brasileiro. Com uma grande divergência: Tiradentes não foi enforcado e, sim, morrera na mesma cama que o avô estava deitado, na qual esse revela os fatos. Em meio a um diálogo bem-humorado–com direito a várias piadas ao longo dos capítulos – avô e neto vão recontando a Inconfidência Mineira de modo que ninguém nunca antes viu ou imaginou. Com uma linguagem jovem, que cai bem ao público infanto-juvenil, a narrativa é leve, descontraída, apesar de apresentar um clima de vésperas à morte. Alexandre Azevedo apresenta muita habilidade em ganhar o leitor com o suspense e com o mistério instigante. Apesar de reformular toda a história, apresentando uma outra versão conspiratória, a narrativa é perfeita para ensinar o que foi a Inconfidência Mineira, sem que possamos nos dar conta: o aprendizado vem de repente, sem querer. A Cama Em Que Morreu Tiradentes é uma gostosa e divertida aula de história às avessas.


A cama em que morreu Tiradentes é um romance escrito pelo autor Alexandre Azevedo e publicado pela Editora Penalux no ano de 2018. O título “a cama em que morreu Tiradentes”, unificado ao subtítulo mais que complementar “A verdadeira história da inconfidência”, nos coloca a pensar. Neste livro, Alexandre Azevedo trabalha uma ótica alternativa para os fatos e verdades as quais nos deparamos no dia a dia.

Joaquim José da Silva Xavier — Tiradentes — foi um dentista e ativista político que atuou no Brasil nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro em prol da independência do Brasil. E assim, numa manhã de sábado, 21 de abril de 1792, Tiradentes percorreu em procissão as ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e onde fora armado o patíbulo. O governo geral tratou de transformar aquela numa demonstração de força da coroa portuguesa, fazendo verdadeira encenação. A leitura da sentença estendeu-se por dezoito horas, após a qual houve discursos de aclamação à rainha, e o cortejo munido de verdadeira fanfarra e composta por toda a tropa local.


A história se passa em um quarto, onde estão duas personagens: um avô e seu neto. O avô encontra-se em estado terminal, mas antes, ele e seu neto começam uma série de indagações e narrativas que permeiam acerca de fatos já conhecidos pelos protagonistas. O avô e o neto aqui retratados são descendentes de Tiradentes, só que há algo nesta narrativa que nos obriga a ler as próximas páginas, a inconfidência. Inconfidência nada mais é do que a ausência de fidelidade ou lealdade, levando em consideração este contexto, podemos entender que a inconfidência narrada de avô para neto é apenas parte de uma história jamais revelada ou contada, haja vista que todos conhecem uma única história envolvendo Tiradentes: enforcamento. A narrativa também pode ser encarada, de forma poética, como uma forma simples e bem humorada de se explicar o que coi a Inconfidência mineira. Como dito por Elisa Bechuate: [...] um ótimo exercício de contestação e reflexão sobre verdades que nos são impostas e sobre mártires e heróis que povoam o imaginário popular acomodado às facilidades das informações prontas.

A história aqui narrada não se atem exclusivamente á Tiradentes, muito pelo contrário, ela é um gancho de início para outras narrativas que irão decorrer com o passar do livro. Avô e neto criam uma série de situações e discussões que geram mistério, suspense e muito envolvimento do leitor com o texto. Mas é claro que o livro é repleto de grandes reflexões acerca da figura de Tiradentes, todas elas muito bem humoradas com doces, leves e ácidas ironias.

— Vou lhe dizer uma coisa... — Disse o avô.
— Claro, diga — disse o neto.
— O povo de nosso país nesta mais preocupado com o feriado do que com a figura de Tiradentes, essa é a mais pura verdade!
— Será?
— Larga de ser bobo, guri! Quando o feriado cai num sábado ou, pior, num domingo, aí é que o povo reclama mesmo!
— Mas quando cai na terça...
— Faz o que Tiradentes sempre fazia...
— O quê?
— Enforcava na segunda! — e riu o velho, chegando a se engasgar-se seriamente.

 
Alexandre Azevedo é formado em filosofia, Alexandre Azevedo é professor e escritor, autor de mais de 120 obras, publicadas por diversas editoras do Brasil. Romancista, novelista, contista, cronista, ensaísta, teatrólogo e autor de inúmeros livros infantis, Alexandre Azevedo tem obras prefaciadas e comentadas por autores como Luís Fernando Veríssimo, Ziraldo, Manoel de Barros, Lourenço Diaféria e Affonso Romano de Sant’Anna. Nascido em Belo Horizonte (MG), reside em Ribeirão Preto (SP) há muitos anos. Casado com a Elisa, é pai de três filhos, Fernanda, Clarissa e Pedro Alexandre.

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