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[RESENHA #318] O voo da vespa, de Ken Follet

quinta-feira, abril 04, 2019

/ by Vitor Lima


FOLLET, Ken. O voo da Vespa. São Paulo: Arqueiro, 2017. 416p.

“Caiu nas minhas mãos uma história extraordinária sobre dois jovens que desejavam escapar da Dinamarca ocupada em 1941. Eles queriam fugir para a Inglaterra, mas para isso teriam que atravessar o Canal. Decidiram então realizar a travessia num bimotor feito de madeira e tecido, uma viagem bastante arriscada para um avião tão pequeno. O voo da vespa é livremente baseado nessa incrível aventura. Eu combinei elementos reais da história para criar este romance.” – Ken Follett

Freya é o nome da deusa nórdica do amor. Também é o codinome da mais recente invenção nazista, de acordo com uma mensagem interceptada pelas forças aliadas. A inteligência britânica desconfia que é graças a ela que os alemães estão conseguindo abater os bombardeiros ingleses a uma velocidade tão alarmante.

Hermia Mount, uma analista do MI6, é recrutada para ajudar a descobrir qual é essa nova arma. Tendo morado a vida inteira na Dinamarca, ela possui contatos valiosos que poderão auxiliá-la em sua missão.

Do outro lado do mar do Norte, numa ilha dinamarquesa ocupada pelos alemães, o estudante Harald Olufsen descobre uma instalação estranha dentro da base militar nazista. Ele não sabe o que é, mas não se parece com nada que já tenha visto, e ele precisa contar para alguém.

Em Copenhague, o detetive Peter Flemming colabora com os alemães para desvendar quem está repassando informações de dentro do país nórdico para os aliados britânicos.

Numa Europa praticamente dominada pela Alemanha, a vida dessas três pessoas se entrelaça de forma irreversível, e quando um decrépito avião bimotor se transforma no único meio de fazer a verdade chegar até as forças aliadas, o destino delas poderá mudar o rumo da guerra – e da história.


Este livro me lembra bastante a escrita de Letícia Wierzchowski, autora de “A casa das sete mulheres”, pelo simples fato de ambos os autores tomarem posse de acontecimentos verídicos para dar vida e ênfase à um cenário fictício extremamente desafiador, este recurso, creio eu, vivifica a história e a torna ainda mais interessa de se ser lida. Ken Follet é o rei do romance histórico, seus livros sempre possuem uma sinopse intrigante, e com o voo da vespa, não poderia ser diferente. Aqui, Follet dá fortes indícios de que seu trabalho inspirou-se na “operação Weserubung”, um assalto alemão sobre as nações-neutras da Dinamarca no ano de 1940, durante a segunda guerra mundial. O ataque marcou o início da chamada “campanha norueguesa”, que posteriormente, seria ganha pelos alemães. Também não sei por que motivo, este livro também me lembrou bastante o enredo de “O jogo da imitação”, de Andrew Hodges, principalmente no tocante relacionado a uma máquina nazista que necessitava ser descoberta pra que a guerra fosse vencida, afinal, a inteligência britânica estava abatendo os bombardeiros ingleses há uma velocidade com a qual não contavam, sendo necessário recorrer a ajuda de Hermia Mount, uma analista do M16, que é recrutada pra ajudar a desvendar que maquina é essa.

A Eruopa está quase dominada pela Alemanha, enquanto o terceiro reich expande suas conquistas para o território da URSS, fazendo com que a Inglaterra seja única resistência real em todo este cenário. Harald, Arne, Hermia e Peter veem suas vidas cruzadas, fazendo com que a esperança passe a reinar novamente, porém, há todo um contexto de acontecimentos inesperados, que tornam a leitura interessante.

O que podemos dizer sobre a escrita de Follet? É claro que o autor já demonstrou ser incrível na arte de criar histórias e cenários intrigantes capaz de dominar nosso imaginário, porém, o voo da vespa é um livro mediano. Em uma escala de um a cinco, ele certamente ganharia três e meio. É genial, mas o desenvolver da história me trás muitas outras obras a mente, é como se eu sentisse que a escrita do autor não fosse inteiramente dele, diversas outras referências literárias me vieram à cabeça durante a leitura. Ok, a obra retrata um cenário catastrófico em meio à guerra, onde uma teia de acontecimentos se desenvolve de maneira cautelosa nos mantendo sempre reféns de um suspense que nos prende até a última página, mas não acho que isso seja o suficiente. Senti falta do Follet autor de obras que realmente cativantes, como “mundo sem fim”, “Coluna de fogo”, “Inverno do mundo” e “Os pilares da terra”. A obra pode – e deve ser lida – por toda e qualquer pessoa que quiser tirar suas próprias experiências e vivências com relação à narrativa. Mas que fique claro, o livro é incrível e a construção de seus personagens é impecável.  A forma como o autor trabalha o delinear dos encontros de uma vida e outra pra dar continuidade à sua narrativa é fantástica.


Algumas citações desta obra:

“O medo pode paralisar. Ação foi o antídoto. ”

“Há um tempo e lugar para a espontaneidade”

"A lição, para alguns caras como você, é que pode haver mais honra na submissão e na obediência do que em uma rebelião imprudente."

"A Noruega foi invadida no mesmo dia que a Dinamarca, mas os noruegueses estavam lutando por dois meses. Isso não nos torna covardes? "

"A Dinamarca é um país plano com um bom sistema rodoviário, por isso é impossível defender-se contra qualquer exército motorizado."

"O fascismo culpa os problemas por uma causa falsa - pessoas de outras raças"

"-Com a única diferença que então teríamos sido capazes de atravessar o mundo com as nossas cabeças erguidas, em vez de abaixá-lo como um sinal de vergonha"

"Acreditamos que estamos experimentando austeridade, mas não sabemos o significado da palavra"



O AUTOR

Ken Follett despontou como escritor aos 27 anos, com O buraco da agulha, thriller premiado que chegou ao topo das listas de mais vendidos em vários países. Depois de outros sucessos do gênero, surpreendeu a todos com Os pilares da terra – publicado em e-book pela Arqueiro –, um romance que até hoje, quase 30 anos após seu lançamento, continua encantando o público mundo afora. Coluna de fogo, ambientado no mesmo cenário, foi o lançamento mundial mais recente do autor.

Suas obras já venderam mais de 160 milhões de exemplares. Eternidade por um fio, último volume da série "O Século" (composta também por Queda de gigantes e Inverno do mundo), foi direto para a primeira posição das listas de mais vendidos de vários países. Dele, a Editora Arqueiro publicou também Mundo sem fim, Um lugar chamado liberdade, Noite sobre as águas, As espiãs do Dia D, O homem de São Petersburgo, A chave de Rebecca, O voo da vespa e Contagem regressiva.
O autor vive na Inglaterra com a mulher, Barbara Follett.

Para mais informações, visite o site ken-follett.com

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