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[RESENHA #319] Utopia para realistas, de Rutger Bregman

Totalmente utópico, nada realista

quinta-feira, abril 04, 2019

/ by Vitor Lima

BREGMAN, Rutger. Utopia para realistas, como construir um mundo melhor. Rio de Janeiro. Sextante, 2018. 256p

Utopia para realistas é um daqueles raros livros que surpreendem e desafiam o que você prevê para o futuro.

Vivemos uma época de agitação social sem precedentes, com questionamentos sobre a sociedade, o trabalho, a felicidade, a família e o dinheiro, e ainda assim nenhum partido político de direita ou de esquerda nos oferece respostas.

O historiador Rutger Bregman, um dos jovens pensadores mais aclamados da Europa, apresenta um novo caminho. Nesse livro ele mostra que podemos construir uma sociedade com ideias visionárias que são, de fato, viáveis.

Cada marco da civilização — do fim da escravidão ao início da democracia — já foi considerado uma fantasia utópica. Mas soluções aparentemente utópicas, como a renda básica universal e a jornada de trabalho de 15 horas por semana, podem se tornar realidade ainda nesta geração.

Este roteiro para uma utopia revolucionária, porém realizável é embasado por estudos e muitos casos de sucesso. De uma cidade canadense que foi capaz de erradicar a pobreza até a quase implementação pelo presidente Nixon de uma renda básica para milhões de americanos, Bregman nos leva a uma jornada através da história – para além das divisões tradicionais entre esquerda e direita – e compartilha ideias prontas para serem postas em prática.

'Pensamento arrojado, ideias inovadoras e texto contagiante. ' – Steven Pinker

'Leitura obrigatória para todos aqueles que se preocupam com as injustiças da sociedade atual e desejam contribuir para sua cura. ' – Zygmunt Bauman, autor de Modernidade líquida

'Se você quer ver um mundo mais justo, mas não sabe como chegar lá, este livro é para você. Bregman revela de forma extraordinária como ideias comumente desprezadas como utópicas são na verdade possíveis e até chegaram perto de se concretizar. ' – Ben Rawlence, pesquisador para o Human Wrights Watch e colunista do The New York Times.



“Um mapa do mundo que não inclui a utopia não vale a pena, pois deixa de fora o único país em que a Humanidade está sempre pousando. E quando a Humanidade chega lá, parece, e, vendo um país melhor, zarpa. O progresso é a realização das utopias.” — Oscar Wilde.

Utopia para realistas, de autoria do historiador holandês Rutger Bregman discute três pontos principais - e bem utópicos - renda básica universal, semana de trabalho de quinze horas e um mundo sem fronteiras, tudo isso com uma visão politicamente tendida para a “o movimento da direita”. O ponto (e o ápice) da escrita de Bregman, talvez, só talvez, seja sua tendência em afirmar com absolutismo suas ideias mirabolantes acerca de uma redistribuição de riqueza que o torne o mundo um lugar melhor, como se isso fosse realmente possível. As ideias do autor não são em nenhum momento consideradas utopias para realistas, na verdade, acho que pessoas realistas não pensam em metade das coisas nas quais ele pensa, porém, ele apresenta um forte embasamento histórico para solidificar seus argumentos, mas nada convence. Aqui, a esquerda é vista e desenhada como um movimento falho, onde os ideais são bonitos apenas na hipótese, mas não na prática, uma vez que a esquerda sempre suas lutas focadas em utopias que jamais poderão sair do papel, enquanto a direita, torna-se completamente mais realista em seus desejos, mesmo que extremistas, eles, de certa forma, podem se tornar realidade. As preocupações do autor são louváveis e interessantes de se analisar, principalmente com relação à moradia e uma vida melhor e mais digna pra todos, onde todos se sintam livres pra fazerem qualquer coisa (sempre dentro do limite da lei, claro), sem os impedimentos de movimentos sem um viés político social utópico. Segundo o autor, os grandes pensamentos e ideias extraordinárias estão centradas nos movimentos e partidos da direita, uma vez que a esquerda contemporânea preocupa-se demasiadamente com quem deve opor-se, não aos problemas sociais que realmente merecem atenção. Ao meu ver, as ideias de Bregman são incrivelmente animadoras no papel,  mas desastrosas se formos parar para pensar. Não digo que tenho mais razão que um historiador, apenas que eu penso de uma maneira mais realista e menos utópica, não pode-se crer que no mundo contemporâneo seja capaz a concretização e idealização de uma renda mínima mundial ou de uma jornada de trabalho de quinze horas. Não há nada de errado com os mecanismos que ele está propondo. Eles podem trabalhar para melhorar nossas vidas. É a ideologia “livre de ideologia” do neoliberalismo que está em questão. Com a mentalidade gerencial, é difícil ver como a vida pode melhorar. Seria um novo mundo na implementação e depois voltaria ao declínio gerenciado. Por outro lado, se esses fossem marcadores de estrada de uma campanha esquerdista verdadeiramente progressista, apoiada por uma vontade coletiva de um mundo melhor - bem, então talvez sejam ideias que vale a pena investigar, afinal.

O autor acredita que as utopias contemporâneas são apenas reflexos de outrora. Civilizações, povos e outros momentos históricos vivenciaram tantas utopias quanto as que vivemos hoje. A maior preocupação explicita na obra é a visão do autor acerca da falta de tato e senso da sociedade, não sabendo para onde caminhar, como ou por quais meios agir.

Opinião: Não saber o que fazer é o mesmo que fazer e não saber que resultado deseja obter, ou seja, ficar parado e caminhar sem direção equipara-se no mesmo sentido da ausência de tato e planejamento. Rutger Bregman possui em si a utopia da vida perfeita para todos, ele se preocupa de forma clara e limpa com a moradia, alimentação, salário e com a vida das pessoas, ele não deseja que elas trabalhem de forma monótona, mas que vivam suas vidas em abundância. As ideias do autor são interessantes se analisarmos todos os exemplos que ele nos dá em suas páginas, mas estas ideias não são utopias universais, creio eu, que estas utopias desenvolvidas e desenhadas sob a ótica dos Estados Unidos da América não se aplicam a outros países, principalmente onde o PIB (Peso Interno Bruto) é inferior para realização e concretização das utopias proposta pelo autor. É claro que ele é direto e conciso em seus pensamentos, mas ele também não se atem às propostas que olhem os dois lados da moeda, em outras palavras, as ideias são boas no papel, mas são falhas na maioria das vezes, afinal, sabemos que o mundo não é cor-de-rosa. Não dá para ser realista possuindo sonhos utópicos.  

Algumas citações presentes nesta obra:

“Os grandes marcos da civilização sempre têm um sopro de utopia a princípio. Segundo o renomado sociólogo Albert Hirschman, as utopias são inicialmente atacadas por três motivos: futilidade (não é possível), perigo (os riscos são muito grandes) e perversidade (degenerará em distopia). Mas Hirschman também escreveu que, quase tão logo uma utopia se torna realidade, ela muitas vezes passa a ser vista como absolutamente comum. Não muito tempo atrás, a democracia ainda parecia uma utopia gloriosa. Muitos uma grande mente, do filósofo Platão (427-347 aC) ao estadista Edmund Burke (1729-97), advertiu que a democracia era fútil (as massas eram tolas demais para lidar com isso), perigosa (o governo da maioria seria semelhante a brincando com fogo), e perverso (o “interesse geral” logo seria corrompido pelos interesses de algum general astuto ou outro). Compare isso com os argumentos contra a renda básica. É supostamente fútil porque não podemos pagar por isso, perigoso, porque as pessoas parariam de trabalhar e perversas porque, no final, uma minoria acabaria tendo que trabalhar duro para sustentar a maioria ”.

"Isso capacita as pessoas", disse um dos assistentes sociais sobre o orçamento personalizado. “Isso dá escolhas. Acho que isso pode fazer a diferença. ”Depois de décadas de tentativas infrutíferas de empurrar, puxar, mimar, penalizar, processar e proteger, nove notórios vagabundos foram finalmente trazidos das ruas. O custo? Cerca de £ 50.000 por ano, incluindo os salários dos assistentes sociais. Em outras palavras, o projeto não apenas auxiliou treze pessoas, mas também reduziu consideravelmente os custos.5 Mesmo a Economist teve de concluir que a “maneira mais eficiente de gastar dinheiro com os desabrigados seria dar a eles”.

“No século XXI, a verdadeira elite são aqueles nascidos não na família certa ou na classe certa, mas no país certo.”
  
“O objetivo do futuro é o desemprego total, para que possamos jogar. Arthur C. Clarke (1917–2008) ”

“Até as utopias precisam de uma cláusula fiscal. Por exemplo, poderíamos começar com um imposto sobre transações para controlar o setor financeiro. Em 1970, as ações americanas ainda eram mantidas por uma média de cinco anos; quarenta anos depois, são apenas cinco dias.21 Se impuséssemos um imposto sobre transações - em que você teria de pagar uma taxa toda vez que comprasse ou vendesse uma ação -, os operadores de alta frequência que não contribuíssem com quase nada de valor social não mais lucro de compra e venda de ativos financeiros em uma fração de segundo.”

“A correlação entre a origem étnica e o crime é precisamente zero. Nada, nada, nada. O crime juvenil, afirma o relatório, tem suas origens no bairro onde as crianças crescem. Em comunidades pobres, crianças de origem holandesa têm a mesma probabilidade de se engajar em atividades criminosas como as pertencentes a minorias étnicas. ”


“Se um partido político ou uma seita religiosa tivesse uma fração da influência que a indústria da publicidade tem sobre nós e nossos filhos, estaríamos em pé de guerra. Mas como é o mercado, continuamos “neutros”.

SOBRE O AUTOR

Rutger Bregman é um historiador, escritor e jornalista holandês. Ele estudou na Universidade de Utrecht e na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e é conhecido por popularizar tópicos relacionados a medidas de inovação social e econômica e sua história por meio de, entre outros, renda básica universal e semanas de trabalho mais curtas.

Rutger Bregman é jornalista do The Correspondent e um dos mais proeminentes jovens pensadores da Europa. Ele publicou quatro livros sobre história, filosofia e economia. 

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