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[RESENHA #320] Quatro Velhos, de Luiz Biajoni

sexta-feira, abril 05, 2019

/ by Vitor Lima


BIAJONI, Luiz. Quatro Velhos. Guaratinguetá, SP: Editora Penalux. 2018, 172p

Lando e Ciça vivem de maneira pacata na mesma casa há mais de cinquenta anos, mas a rotina deles é alterada quando um casal também idoso aluga a casa vizinha. Quem são? Roland e Guinevere, ex-ricos, que parecem ter uma urgência em aproveitar a vida a qualquer custo. Os quatro vão experimentar situações que irão alterar a maneira como se relacionam e como veem o mundo.


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Quatro velhos é uma novela escrita pelo autor Paulista Luiz Biajoni, publicado pela Editora Penalux no ano de 2018. O livro narra à vida de Orlando (carinhosamente chamado de Lando) e Ciça (apelido para Cecília), um casal idoso que reside há mais de cinquenta anos na mesma casa, tendo uma rotina calma, tranquila e típica de qualquer casal da terceira idade, porém, tudo muda quando Lando e Ciça passam a ter como vizinhos o casal Roland e Guinevere, um casal que assim como eles, era de idade, porém, viviam a vida de forma mais proveitosa.  A obra de Biajoni é dividida em quatro partes, sendo elas: Os quatro velhos, novos amigos, vivendo juntos, novas experiências e a morte de Never. Assim como todo e qualquer bom livro, neste, a divisão segue uma linha de raciocínio clara e objetiva com relação à narração dos acontecimentos de seus protagonistas.

O mais interessante em todo enredo é o fato de o autor conseguir resumir toda a sua obra no prólogo, ou seja, a abertura do livro nos instiga a desvendar o enredo através de uma pequena narrativa. A divisão da obra é trabalha de forma minuciosa, onde cada parte sugere um teia de acontecimentos que liga-se perfeitamente com a anterior e com as outras que a sucedem. Nasce aqui, uma amizade, uma evolução humana e pessoal e uma história comovente. 

Este livro possui um enredo longe de qualquer interpretação óbvia que se possa ter. Biajoni trabalha em cima de personagens muito bem estruturados. Sua narrativa nos instiga a lê-lo com mais e mais fervor, até que devoremos sua obra em instantes. “Quatro velhos”, narra a vida de um casal que vivia uma vida pacata, sossegada e extremamente rotineira, onde a mulher cuidava da casa, do jardim e dos afazeres domésticos, enquanto o homem à auxiliava no dia-a-dia, este casal, encontra-se com Roland e Guinevere, um casal com praticamente a mesma idade, mas com uma necessidade extrema em se aproveitar a vida. Notamos aqui, um belíssimo delinear do olhar do autor acerca da vida e suas mensagens nas entrelinhas. O mais intrigante em toda narrativa é a forma como os protagonistas principais recebem seus novos vizinhos que possuem a mesma idade, mas um pique tão diferente. Como um casal que convive há mais de cinquenta anos juntos tem um pique tão imenso pra ficar acordado até tarde, fazer amor por toda a casa e ainda assim tirar um tempinho pra beber uma cerveja em uma mesinha enferrujada enquanto fuma um cigarro e conta deliciosos casos da vida e do cotidiano? Como? Ninguém compreendia, mas estes casais completamente distintos são a imagem perfeita da fase de nossa vida. Podemos ilustrar que o primeiro casal (Ciça e Orlando) são a representação de uma fase pela qual todos nós passamos: seriedade, obrigações e rotinas, vivemos quase que de forma monótona, e claro, sempre estranhamos como alguém com a mesma idade que a nossa possa vir a ter o mesmo pique pra realizar outras tarefas além daquelas nas quais eu que vivo a mesma rotina consigo. O segundo casal (Guinevere e Roland) representa o desespero ao qual somos submetidos ao perceber que o tempo passou e nada foi aproveitado, então é necessário correr para ser feliz e começar a idealizar e realizar tudo aquilo o que perdemos tanto tempo não fazendo ou nos privando. Ambos são fases e o encontro é o reflexo daquilo o que todos nós passamos: a maturidade, o amadurecimento.

Roland, como eu amo a forma como você vive a vida, Ciça, você me instiga a ser uma pessoa melhor, você toma e tem o melhor de mim. Me sinto incrivelmente cativado pelos personagens construídos por Biajoni, honestamente jamais achei que alguém pudesse escrever tanta lição de vida e moral em uma única história, e o melhor de tudo, uma história muito bem desenhada, com detalhamentos e uma escrita impecável.

Opinião: Leonardo da Vinci disse certa vez “O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã.”. Acredito que o autor conseguiu de uma forma muito prolífica desenvolver um enredo instigante e intrigante com protagonistas não tão convencionais, afinal, não é comum ler obras onde os personagens principais são idosos, por este motivo, considero um ponto extremamente válido à se levar na escolha deste livro pra leitura. Como dito anteriormente, acredito eu, que o autor tenha tido a intenção de usar a vida destes dois casais completamente distintos pra fazer uma analogia a vida e ao tempo, onde nota-se que o tempo passa pra todos, tal como passou pra todos os quatro “velhos” da narrativa, mas a forma como você aproveita o seu tempo e a sua vida é que irão determinar se a sua alma é jovem ou amarga. Há momentos na narrativa em que Roland comenta com Ciça sobre o pique dos novos vizinhos: Como podem, se temos praticamente a mesma idade? A mesma idade, não o conhecimento necessário pra se aproveitar o momento presente. Um livro realmente encantador. 


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Nasceu e vive em Americana, SP. Escreveu três novelas policiais sacanas, publicadas em um único volume, intitulado A Comédia, Mundana (Língua Geral, 2013) e A Viagem de James Amaro (Língua Geral, 2015), ambos editados também em Portugal, pela Chiado Editora. Publicou ainda Elvis & Madona – Uma Novela Lilás (Língua Geral, 2010).

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