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[RESENHA #326] As ações do tempo, de Érico J. Santos

sexta-feira, abril 12, 2019

/ by Vitor Lima

As emoções e o tempo fazem-nos sentir, fazem-nos chorar, fazem-nos sorrir, fazem-nos entender a paciência da dor e fazem-nos entender a paciência do amor.
Tudo em nossas vidas acontece muito rápido, tudo no nosso dia a dia acontece em tempo real. Se não percebermos o tempo que já passou, se não tivermos o entendimento do tempo que já chegou, se não entendermos o tempo que ainda vai passar, não conseguiremos viver as emoções positivas e o tempo do agora. Sabemos que não é possível viver todo o tempo sentindo apenas as emoções positivas, sabemos que não é possível amar tudo o tempo todo.

Se não entendermos o tempo do futuro, o quão rápido o tempo passa, a velocidade em que ele anda, as emoções que ele nos faz sentir, as emoções que ele nos faz viver de verdade, o que esse tempo deixa em nossas vidas, marcaremos para sempre a nossa alma de emoções negativas, pois as emoções que nos importam, que nos enriquecem, que nos fazem sentir, que nos fazem entender, não importando onde estejamos, sempre nos transformando em seres humanos felizes, são as emoções positivas que construímos ao longo da vida.

“As ações do tempo” nos mostra a que viemos ao mundo: para crescer, agradecer, perdoar e amar.


    Capa comum: 168 páginas
   Editora: Talentos da Literatura Brasileira (16 de julho de 2018)
   Idioma: Português
   ISBN-10: 8542813758
   ISBN-13: 978-8542813753




RESENHA/CRÍTICA


Então, você tem vinte anos e ainda não possui habilitação? Como assim você está chegando aos trinta e ainda não é mãe? Quer dizer que você mora com seus pais? Poderiam ser perguntas retóricas, mas não são, as pessoas que as fazem geralmente esperam por uma resposta, e nem sempre estamos prontos pra dá-la. Sempre que as pessoas nos questionam com relação a quem somos e o que temos, de uma forma ou de outra, elas estão fazendo uma alusão ao tempo, afinal, as pessoas estão habituadas a acreditar que o tempo funciona do mesmo modo pra todos, quando não é. O amadurecimento não vem pra todos, nem os recursos ou oportunidades. É necessário entender que ninguém está mais incomodado com a situação do outro, do que ele próprio. Não questionar seria o primeiro grande passo pra entender o lado do outro. A vida é feita de ensinamentos diários.

Em “as ações do tempo”, o autor Érico J, Santos nos apresenta uma ótica exteriorizada do tempo, uma visão que procuramos não encontrar ou não entender, por que entender o tempo requer entender nossas fraquezas, sobretudo, o reconhecimento que não somos imortais. O livro é um convite à uma poderosa reflexão acerca do tempo que passa por nós como a brisa durante o dia – rápida e sem retornos, seguindo sempre um caminho em linha reta — e que é necessário avaliar-se enquanto ser humano, pensante, racional e emotivo o caminho que se deve seguir e os planos que se devem colocar em prática. Não, este não é um livro de autoajuda, ele é muito além disto.

Há neste livro uma passagem que resume tudo o que foi dito até agora: A pressão existente entre sua idade, conquistas e realizações, o medo, o remorso, a dor e o receio de perceber as nuances do tempo passando, e claro, a ausência de tato que temos as vezes com nossos planejamentos, sendo este:

Tempo que passa rápido, tempo que não volta mais, tempo que nos chama sempre a nos mantermos em equilíbrio e paz. Normalmente, as nossas emoções, somadas às ações do tempo, vão criando reações opostas para nossas vidas, mas insistimos em realiza-las, insistimos em desafiar as ações do tempo, e isso acaba nos tirando a paz. — p.97

O psicoterapeuta Laerte Leite nos adverte com sua opinião sensível acerca da escrita de Érico: “Érico assume o ato corajoso de falar sobre algo que parece ter esgotado suas formas de expressão. Consegue retratar com simplicidade e originalidade seus momentos de encontro com este sentimento que chamamos de amor”. Este comentário complementa-se com a chamada para esta obra: As emoções e o tempo fazem-nos sentir, fazem-nos chorar, fazem-nos sorrir, fazem-nos entender a paciência da dor e fazem-nos entender a paciência do amor. De fato, tudo leva tempo, mas como já advertia Miriam Lewer: Que não se tenha pressa, mas que não se perca tempo. O tempo é vale ouro para os que tem vontade de viver.

E agora? A capa. Nela podemos observar que o autor optou por trabalhar em cima da simbologia do infinito, isso pode ser considerado uma forma de alusão ao conteúdo da obra, já que o livro é um convite ao leitor pra compreensão do tempo que é infinito em si, mas não em nós, ou, podemos simplesmente inferir  que nós temos em nós a vaga (e vã) consciência de que temos tempo de sobra, de que talvez o tempo seja realmente infinito para alguns. Mas creio eu, que o tempo só se é infinito pra quem o compreende a ponto de conseguir eternizar cada momento, não apenas passando por eles, mas vivendo-os da maneira correta.

Estes dias eu me reencontrei com um amigo. Era ávida a lembrança de que nós havíamos “morrido” de rir em nosso último encontro, decidimos ficar conversando por umas duas horas e meia até nos darmos conta de que a última vez na qual havíamos nos falado foi no ano de 2012. Estamos em 2019. Então, Érico reflete mais uma vez sobre estas questões:

Em uma noite de inverno, já cansado pelas marcas do tempo, ouvindo o barulho da chuva, pegamo-nos a pensar no tempo que vivemos e como ele passou rápido por nossas vidas. —p.97

novamente...

O futuro chega tão rápido que, em alguns momentos, acreditamos que o dia de hoje ainda é terça feira, mas, na verdade, já é sexta feira [...] — p.73

Enfim, o que podemos concluir? Concluímos a partir desta leitura, que o tempo tem pressa de ser vivido. Que o dia inicia-se às sete, não às dez. Que o almoço é das onze pra uns, meio dia pra outros e as vezes, até as uma hora da tarde, mas nunca a noite. Entendemos que devemos ter em nós uma noção de tempo, de vida, de sonhos. Devemos caminhar conforme o nosso passo suporta, mas também devemos ser realistas em nossos objetivos. Acredite, o tempo passa e nossa missão é não permitir que ele passe por nós e leve consigo a nossa vida sem a termos vivida da forma como gostaríamos. Viva sem arrependimentos e aprenda com seus erros e com o seu hoje. O tempo presente é o tempo nos apresentando uma nova oportunidade de lutar pelo nosso dia. Um belo livro, pra grandes pessoas.

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