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[RESENHA #340] Voos e sonhos na mata, de Rômulo Marques Ribeiro

O manifesto em prol do verde, da vida, e o melhor de tudo: Para crianças.

domingo, maio 05, 2019

/ by Vitor Lima
Arte: Vitor Lima / Próximo Parágrafo

“Toda arte é uma terapia. Toda literatura, um descortinar. E quando a magia da palavra encontra o sentimento, neste leque de possibilidades expressivas entre encantos e aflições, temos o que Voltaire chamou d “musica da alma”: Poesia. Em Voos e sonhos na mata, Rômulo Marques Ribeiro traz, ainda que numa prosa envolvente, a graciosa poética do natural. As cenas deste livro são pinturas em tela repleta de cores. Cores de vida. E o melhor: sem ser professoral, sem segurar a mão do leitor que, livre entre imagens abertas, pode bailar seus pincéis como melhor lhe aprouver. O escritor oferece possibilidades e descobertas, reflexões despidas de juízos e caminhos possíveis nesta acertada mescla entre a doçura da fábula e a dureza da realidade. Amaranta é o mergulho na inquietude do essencial e a sua história envolvente seduz e chama à reflexão.” – Oscar Bessi.

Oscar Bessi é escritor, vencedor do Prêmio Augusto Meyer de Poesia, do Troféu Palavra de Autor, do Habitasul Revelação Literária, e presidente da AGES: Associação Gaúcha de Escritores. Gestão 2016/17.

Ribeiro, Romulo Marques. Voos e sonhos na mata. São Paulo: Editora Passarinho, 2015. 72pp

Há algo que me intriga nesta narrativa, algo que me prende e que não me deixa sossegar. Sinto como se eu estivesse diante de um manifesto em prol da vida, do verde, das matas e dos animais, eu poderia facilmente dizer que este livro é um dos vários manifestos do Greenpeace, onde há a real preocupação em se trazer a tona os problemas com relação à exploração desregrada de matas, áreas protegidas, fauna e da flora, trazendo consigo uma mensagem nas entrelinhas repleta de ensinamentos, de delineamentos que casam-se perfeitamente com suas imagens. Este livro é uma narrativa poética, não somente por sua história ou por suas belíssimas imagens — ilustradas por Renato Zechetto —, mas por carregar em si uma preocupação que muito me é válida: transmitir aos pequenos – literatura infanto juvenil — o real valor daquilo o que não se compra: o amor pela vida. E não, este livro não fala apenas de nossas vidas, ele fala da vida de todos nós de uma maneira geral. Todo o contexto se passa em áreas florestadas, repletas do verde, da vida e de seres que dependem destes ambientes para seu sustento e sobrevivência, mas este livro também nos fala acerca do mal que fazemos a nós mesmos ao explorar de forma inconsciente estes recursos, que muito nos são válidos.

Acho incrível que autores como Rômulo Marques possuam esta preocupação tangível e palpável com relação à transmissão de valores para crianças através da arte da literatura. Esta obra é primorosa em diversos sentidos.

Ah, e claro, não poderíamos encerrar sem falar dos personagens. O livro fala sobre Toco e Tuca [uma família de tucanos] e seus dois filhos Nano e Ana. A narrativa inicia-se em um dia calmo de sol e conversas acalouradas  entre o verde das matas e a vida que incendiava os arredores. Toco estava ansioso pelo nascimento de seus filhos e discutia com sua mulher os nomes, e depois de muito conversarem, decidiram por Nano e Ana. A partir dai, a narrativa não nos priva da riqueza dos detalhes, o autor fala-nos do desenvolvimento das crianças, da vida dos pais e da irresponsabilidade humana ao explorar recursos naturais, colocando em risco não somente a vida e família de Toco, mas de toda fauna existente naquela floresta. Uma história emocionante, escrita em diversos tons. Uma narrativa apaixonante com belíssimos ensinamentos, prontos para serem transmitidos.

O AUTOR

Rômulo Marques Ribeiro: Nasci em Belo Horizonte. Estudei nos Colégios Santos Anjos e Marconi. A música sempre foi uma paixão para mim, e eu já sabia que percorreria boa parte do mundo com ela. Estudei contrabaixo no Palácio das artes, de BH, e no conservatório Darius Milhaud, em Paris, com M. Christian Gentet. Em 2006, lancei o CD “Fly a kite” com composições originais. Continuo tocando e escrevendo para vários artistas, e organizo passeios turísticos pelos monumentos e paisagens na França. Estudo História da arte e turismo na Universidade Paris-Leste. A literatura também faz parte de minha vida, pois as palavras vivem através de nossos sonhos, pensamentos, músicas, livros...Por isso eu sempre escrevi e sempre escreverei. Voos e sonhos na mata é meu primeiro livro.

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