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[RESENHA #349] Alta tensão, de Harlan Coben

quarta-feira, junho 05, 2019

/ by Vitor Lima

Uma mensagem anônima deixada no Facebook da ex-estrela do tênis Suzze T põe em dúvida a paternidade de seu filho. Na tentativa de descobrir o paradeiro do marido, que fugiu ao ler a mensagem e de descobrir quem foi o responsável, ela pede a ajuda de seu agente e amigo Myron Bolitar.  Tentando ajudar a amiga, Myron acaba reencontrando Kitty, a mulher que fugiu com seu irmão, Brad, e o afastou da família. Em pouco tempo em meio a suas buscas de ajudar a amiga e reencontrar o irmão mais novo, Myron se vê preso numa rede de segredos obscuros que põe em risco as pessoas que ele mais ama. Agora, só a verdade poderá salvá-las. Mas, para que ela prevaleça, nenhuma mentira pode restar – seja ela de Suzze, Lex, Kitty ou do próprio Myron.


Se você for novo por aqui, provavelmente não terá ciência, mas eu já fiz algumas diversas resenhas/análises acerca das obras de Harlan Coben, você pode busca-las na barra de tarefas fixada no topo deste website. Bom,  como muitos de vocês sabem, alta tensão é o décimo livro da série Myron Bolitar, o que é uma tristeza para mim, porém, gratificante ao mesmo tempo, afinal, Coben nunca desaponta ao descrever Myron, Win e Esperanza.

Personagens familiares estão de volta: Myron (ex-jogador profissional de basquete lesionado em seu primeiro jogo profissional e dono da MB Reps - uma agência que representa "estrelas"), Windsor Horne Lockwood III ("Win" - rico e muito perigoso), Esperanza Diaz (Parceiro de negócios da Myron, advogado, nova mãe e lutador profissional aposentado). O leitor descobre como esses personagens estão envelhecendo, entrando em diferentes fases da vida e enfrentando alguns dos principais eventos da vida. Esta citação de Win no início do livro é uma sugestão para o que virá: “As coisas boas são raras. Eles devem ser valorizados porque sempre nos deixam cedo demais”.  

O enredo centra-se em dois dos clientes da Myron: Suzze T (tenista profissional aposentado) e Lex Ryder (marido de Suzze e membro da lendária banda de rock HorsePower que inclui Ryder e Gabriel Wire). O enredo também se concentra na família de Myron: o irmão mais novo Brad (distante de Myron nos últimos 16 anos), a esposa de Brad Kitty, seu sobrinho adolescente Mickey (que Myron nunca conheceu) e seus pais, Al e El (Ellen). O leitor descobre como os problemas dos clientes de Myron e sua família estão interligados.

Este é um daqueles livros que você não quer deixar de lado. Coben mantém você adivinhando como o mistério vai acabar. Eu classifico o livro como um 5 porque é um bom mistério e como parte desta série é um dos melhores de Coben. O futuro da série Myron Bolitar pode estar chegando ao fim, mas os jovens leitores poderão ler uma série sobre o sobrinho de Myron, Mickey. 

De todos os livros desta série, este tem sido o mais incrível. Coben é o tipo de autor que amadurece junto com seus personagens. Seu enredo continua vivo e intenso como sempre, mas as nuances e percepções começam a se destacar e ganhar formas significativas neste último livro da série. Uma série de acontecimentos repleto de todo mistério criado por Coben nos prende até a última página, sem falar em como o autor consegue transformar qualquer detalhe em uma instigante “pista”, que instiga o autor a tentar desvendar os desfeches de sua narrativa, o que claro, sempre ocasiona em erro, já que este roteiro é fantástico em todos os sentidos. O amadurecimento dos personagens nesta narrativa também é algo notável, algo com o qual pude me identificar, se bem que eu já senti um pouco deste amadurecimento nos livros anteriores da série, sendo “quando ela se foi”, e “a promessa”.

Um roteiro maravilhoso e instigante roteiro conduzido de maneira magistral por um mestre do suspense, Coben. Indicado para todos os fãs do autor, da série Myron Bolitar, e claro, para qualquer leitor que deseja perder-se em meio à narrativa deliciosa e tensa de Harlan Coben.


Algumas citações desta obra:

“Muitas vezes nos é dito em tempos de luto que o tempo cura todas as feridas. Isso é uma porcaria. Na verdade, você está arrasado, chora, chora ao ponto de achar que nunca vai parar - e então chega a um estágio em que o instinto de sobrevivência toma conta. Você para. Você simplesmente não vai ou não pode mais "ir lá" porque a dor era muito grande. Você bloqueia. Você nega. Mas você não cura realmente. ” 

“Com todo mundo, você coloca essa fachada para poder esconder o lixo e fazê-lo gostar de você. Mas com amigos verdadeiros, você mostra a eles o cru e isso os faz se importar. Quando nos livramos da fachada, nos conectamos mais. ” 

“Myron se lembrou de algo que seu pai uma vez disse a ele: as pessoas têm uma capacidade incrível de estragar suas próprias vidas.” 

“Não oramos em trincheiras porque estamos prontos para nos encontrar com o nosso Criador. Oramos porque não queremos. ” 

“Ele viajou de volta novamente, para quando ela era aquela adolescente adorável que dominava a corte central, e sua expressão favorita de ídiche voltou para ele com pressa: planos do homem, Deus ri. Não foi uma risada gentil. “Kitty?” 

“Dimonte cuspiu na lata novamente, tentando esconder sua óbvia linguagem corporal. "Ainda estamos trabalhando nisso." "Uh, vamos fingir por um breve momento que eu não sou uma porca mentalmente desidratada." 

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